PF e Ibama prendem criadores registrados pelo próprio Ibama com mais de 2.200 aves ilegais

Sebastião Montalvão
Especial para o UOL
Em Goiânia (GO)

Um trabalho conjunto entre Polícia Federal e Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente) em Goiânia na manhã de hoje resultou apreensão de 2.235 aves de espécies variadas, além da prisão de 13 pessoas por suspeita de crime ambiental.
  • Demian Duarte/Jornal Hoje

    Muitas das aves apreendidas na operação apresentavam sinais de maus-tratos e algumas estavam mortas

  • Demian Duarte/Jornal Hoje

    Os animais apreendidos são originários das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do País. O destino final seriam os Estados do Sudeste e Sul

  • Demian Duarte/Jornal Hoje

    Os criadores de animais têm registro no próprio Ibama, mas faziam a captura dos espécimes na natureza, o que é proibido


Todos são criadores de animais com registro no próprio Ibama. Outras 11 pessoas foram conduzidas à Superintendência da PF em Goiânia para prestar esclarecimentos e acabaram liberadas. A operação, chamada Grilhões, contou com a participação de cerca de 150 policias de Goiás, Brasília e Minas Gerais.

Além dos animais, a PF também apreendeu 1.178 anilhas falsificadas. De acordo com as investigações, a falsificação das anilhas (pequenos aros de metal colocados nas patas das aves) seria uma forma de dar aparência de legalidade à venda de animais capturados irregularmente na natureza. "Essa foi uma das maiores ações já realizadas no País", disse o Superintendente da PF em Goiás, Rogério Galloro.

Por serem todos registrados no Ibama, eles podiam fazer a comercialização de animais silvestres, desde que reproduzidos em cativeiro. No entanto, eles faziam a captura dos espécimes na natureza, falsificavam as anilhas de identificação e os negociavam como se fossem legalizados. Os animais apreendidos são originários das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do País. O destino final seriam os Estados do Sudeste e Sul.

Apesar do número e da diversidade de espécies apreendidas, a polícia acredita que essa seja apenas a ponta do 'iceberg'. "Pelo que pudemos apurar, essas anilhas falsificadas eram distribuídas não apenas para criadores de Goiás, mas para vários estados do País", ressaltou a delegada Esmeralda de Oliveira e Silva, da Delemaph (Delegacia de Crimes Contra o Meio Ambiente e o Patrimônio Histórico), responsável pela operação.

Segundo Rogério Galloro, somente em Goiás são 7 mil criadores credenciados ao Ibama. "Só cumprimos 27 mandados hoje, vamos continuar investigando", ressaltou. O superintendente ainda não confirma, mas também não descarta a possibilidade de que, a partir do Sudeste, esses animais sejam levados para outros Países, por meio do tráfico internacional.

Dentre as aves apreendidas, estão algumas seriamente ameaçadas de extinção, como a arara azul. Muitas das aves apresentavam sinais de maus-tratos e algumas estavam mortas. Um dos agentes da operação contou que em uma das abordagens, o proprietário tentou se livrar das aves, jogando-as sob um muro. Um filhote de tucano ficou gravemente ferido. "Também encontramos aves mortas", garantiu a delegada da Delemaph.

As gaiolas apreendidas lotaram um caminhão e os animais agora estão sob os cuidados do Ibama. "Vamos fazer um rastreamento minucioso. As aves que tiverem condições de voltar ao convívio na natureza serão reintroduzidas nas suas regiões de origem. As que já tiverem sido domesticadas, daremos o destino adequado", garantiu o superintendente interino do Ibama em Goiás, Carlos Roberto Teixeira.

As pessoas presas não tiveram o nome divulgado pela PF. Todos responderão por seis crimes: falsificação de sinal/autorização pública, formação de quadrilha, receptação, captura de aves na natureza, maus-tratos e falsidade ideológica. Somados os crimes, a pena prevista pode chegar a oito anos de prisão. O Ibama também informou que todos os presos terão sua licença de comercialização cassada. A fábrica irregular de anilhas também foi fechada.

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