Norte de Minas Gerais perdeu 190 mil cabeças de gado com a última seca

Marco Antônio Soalheiro
Enviado Especial da Agência Brasil
Em Montes Claros (MG)

A seca prolongada que atingiu o norte de Minas Gerais, região mais pobre do estado, nos últimos dois anos, provocou a perda de pelo menos 190 mil cabeças de gado e a redução de culturas, levou diversos municípios a decretar situação de emergência e fez despertar maior preocupação das autoridades públicas estaduais em relação aos próximos períodos de estiagem.

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Há também denúncias de que laboratórios de química, e faculdades de Medicina do Paraná, onde há dissecação de cadáveres, estariam despejando produtos tóxicos diretamente em galerias pluviais.

Nesta semana, começaram os primeiros pingos de chuva no extremo norte, depois de seis meses. Nos últimos 23 meses, foram praticamente 15 de seca ou de chuvas bem abaixo da média histórica. De março a novembro de 2007, praticamente não choveu na região.

"Foram dois anos muito ruins que levaram a uma situação de seca gravíssima. Deve chover bastante nos próximos dias, mas não será suficiente para recuperar as perdas", afirmou à Agência Brasil o climatologista Ruibran dos Reis, do Instituto MGTempo- Cemig/PUC-Minas, um dos maiores especialistas em regime de chuvas no estado.

Os números do instituto mostram, por exemplo, que em dezembro de 2007, quando se esperava 180 milímetros de chuva no norte de Minas, o índice registrado não chegou a 90. Em janeiro de 2008 choveu 86 milímetros, bem abaixo da média histórica de 140. Neste mês, até agora, choveu 5 milímetros ante uma média esperada de 120. Entre os municípios mais afetados estão Pai Pedro e Catuti (com baixos Índices de Desenvolvimento Humano), e Espinosa, localizados na direção da divisa com o sertão da Bahia.

Segundo o climatologista, o pior ainda está por vir. O norte de Minas tem sobre si uma massa de ar quente que dificulta a formação de nuvens e bloqueia as frentes frias. "Com o aquecimento global, as regiões secas tendem a ficar assim cada vez mais. A previsão de volume de precipitação é meio catastrófica nessa região, devendo cair nos próximos anos de 10 a 15 % em relação à média histórica anual [em torno de 700 milímetros]", assinalou Reis.

O especialista acredita que a minimização dos efeitos negativos da seca prolongada passa, sobretudo, por uma mudança cultural de toda a sociedade. Um média pluviométrica anual de 500 milímetros não é algo muito diferente do que se registra em países europeus.

"Tem que aprender a conviver, pensar em sistemas para aproveitar a água que cai, como as barraginhas, e tentar desenvolver culturas que dependam menos de água", orientou.

Relatório agroclimatológico divulgado no final de outubro pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) de Minas Gerais apontou a perda de 197.725 cabeças de gado no norte de Minas ( 49.283 cabeças morreram e 148.442 foram vendidas por falta de pastagens). O documento revelou ainda a queda de 50% na produção de leite e carne. Cerca de 1.900 poços estavam sem água e 50% das barragens secaram. O fato é que os prejuízos e a falta de água potável em localidades motivaram uma reação dos órgãos públicos.

Hoje, o governador em exercício, Antonio Anastasia, está em Montes Claros - que tem status de capital do norte de Minas - para anunciar, em reunião com prefeitos da Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene (Amams), medidas para melhorar o enfrentamento da seca no semi-árido. O plano que o governo pretende colocar em prática inclui ações de saneamento, abastecimento de água, construção de barramentos, melhoria da qualidade da água e abertura de linhas de crédito a produtores rurais.

Está em curso ainda, também em Montes claros, a construção do Centro de Convivência com a Seca, no parque tecnológico do Distrito Industrial municipal.

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