Rio anuncia ampliação do metrô, mas esbarra em 'obra paliativa' e promessas não cumpridas

Juliana Castro e Júlio Trindade
Do UOL Notícias
No Rio de Janeiro

Duas novas estações, além de Ipanema, já em construção, e uma maior interligação entre a zonas norte e sul da cidade. Ao lançar as obras de expansão da rede de metrô no Rio de Janeiro, o governador Sérgio Cabral estava empolgado e confiante que este fato ajudará o Rio de Janeiro a sediar os Jogos Olímpicos de 2016.

A verdade, porém, é que a malha metroviária da capital fluminense ainda está longe de ser a ideal, segundo especialistas ouvidos pelo UOL Notícias. E o pior: outras promessas do tipo já foram feitas e não cumpridas.

A nova obra do metrô inaugurada por Cabral nesta quinta-feira (13) fará a conexão Pavuna-Botafogo (norte e sul), acabando com a transferência na estação do Estácio. Agora, a linha 2 seguirá de São Cristóvão para a estação da Cidade Nova, a ser criado neste projeto.

Está prevista também a construção da estação Uruguai, depois da Saens Peña, na Tijuca. O investimento será de R$ 1,15 bilhão e inclui a compra de 19 composições que começarão a operar a partir de dezembro de 2010.


Mudanças no metrô do Rio
"Essa foi uma solução barata e inteligente, que servirá para inclusão de mais de 250 mil passageiros por dia. É a redenção que milhares de pessoas que sofrem para fazer baldeação no Estácio", afirmou Cabral.

Com a interligação, o governo estipula que o tempo de viagem da Pavuna até o centro - destino de 85% dos usuários da linha 2 - será 13 minutos mais curta e o intervalo entre os trens deve cair de quatro para dois minutos. Hoje o tempo de espera é de quatro minutos no horário de pico. Se as promessas forem cumpridas, os moradores do Rio poderão fazer a conexão Pavuna-Botafogo em dezembro de 2009, quando as obras devem ser finalizadas.

O professor de engenharia de transportes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), José Guerra, criticou o projeto. "Eu acho que essa solução é paliativa. A solução seria a continuidade da linha 2 do Estácio a Cruz Vermelha e Carioca", afirmou o professor, explicando que este era o projeto original, de ligação da linha diretamente ao centro.

Longe do ideal
Atualmente com 33 estações distribuídas por duas linhas para atender cerca de 550 mil passageiros por dia, o metrô do Rio de Janeiro apresenta malha insuficiente para uma cidade com mais de seis milhões

"Está muito longe do ideal. Existem corredores muito bem definidos que fariam as ligações", disse Paulo Cezar Ribeiro, do professor da Coppe/UFRJ referindo-se a um projeto do metrô que prevê outros quatro trechos, além da linha 1, que atualmente liga Copacabana a Tijuca, e da linha 2, que faz a ligação entre Pavuna e Estácio.

Márcio de Almeida, professor adjunto da Coppe/UFRJ, afirma que a malha metroviária do Rio deve ser, sim, aumentada, mas chegando principalmente a bairros como Jacarepaguá e Barra da Tijuca, na zona oeste. "Você tem uma forte concentração de pessoas nessa região, que é carente de transportes de massa. Essas localidades só são atendidas por ônibus e automóvel, que não têm a capacidade do metrô", declara Almeida.

Apesar de ser mais caro que o metrô de São Paulo - na capital paulista a passagem custa R$ 2,40 e no Rio sai por R$ 2,60 -, o metrô carioca tem 19 estações a menos. A malha metroviária do Rio fica ainda muito distante, por exemplo, da Cidade do México, que dispõe de 175 estações distribuídas em 201,4 km de extensão, contra 37 km da capital fluminense.

"Se você for comparar com outras cidades, vai ver que a velocidade de implantação do metrô é extremamente lenta [no Rio]. Se você considerar 1979 - quando o primeiro trecho foi inaugurado - até agora, você vai ver que nós evoluímos pouco. O que mostra o descaso das autoridades com o Rio. Os investimentos passaram longe daqui", afirmou José Guerra.

O secretário estadual de Transportes, Júlio Lopes, disse não considerar "o metrô do Rio mais defasado que de outras metrópoles". "Ele é apenas menos abrangente", defendeu. "As outras cidades tiveram mais dinheiro para investir no metrô. Tivemos também dois intervalos do governo Brizola, onde não tivemos continuidade das obras", afirmou.

Promessas e mais promessas
O governador Sérgio Cabral voltou a repetir o discurso que o carioca já cansou de ouvir e decepcionar ao não ver nada do que foi proposto colocado em prática. Cabral disse que o Rio deve ampliar a abrangência do metrô com a construção da linha 3, passando por Niterói e São Gonçalo, na Região Metropolitana, e da linha 4, que ligaria a Barra da Tijuca, Jardim Oceânico, São Conrado, Gávea, Leblon e Ipanema.

"O Estado vai licitar a linha 3 e a linha 4. Vamos contar com o entusiasmo do prefeito [eleito] Eduardo Paes e do presidente Lula", afirmou o governador durante a cerimônia.

Segundo Cabral, as obras devem começar em 2009 e os dois novos trechos atenderiam cerca de 280 mil passageiros por dia. "Isso ajuda, sem dúvida, o Rio de Janeiro a sediar as Olimpíadas", declarou.

No projeto inicial dos Jogos Pan-Americanos de 2007, estava prevista também a construção do metrô até a Barra da Tijuca. Até hoje, o máximo que o Metrô Rio disponibilizou foram linhas de ônibus exclusivas que fazem o trajeto mais rapidamente, já que as estações são pré-definidas e o passageiro não desce em qualquer ponto.

A linha 3 seria uma ligação entre a Carioca ou Praça XV, no centro do Rio, com o município de São Gonçalo. O trecho entre Botafogo e Barra da Tijuca seria feito pela linha 4. A quinta parte do projeto seria a ligação entre os aeroportos Tom Jobim, na Ilha do Governador, na zona norte, e o Santos Dumont, no centro. O último trecho atravessaria a linha 2 e iria da Barra da Tijuca até Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

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