Furtos de energia elétrica trazem prejuízos de mais de R$ 5 bilhões ao ano

Lourenço Canuto
Da Agência Brasil
Em Brasília

As concessionárias dos serviços de distribuição de energia elétrica no país registram perdas de mais de R$ 5 bilhões por ano com as ligações clandestinas, feitas principalmente em áreas onde se concentram populações de baixa renda. É o que revela pesquisa realizada pelo Instituto Acende Brasil.

O estudo destaca que essa conta é paga, na verdade, pelos consumidores que têm um relógio medidor instalado em sua residência, uma vez que a perda comercial decorrente dos furtos de energia elétrica - conhecidos por "gatos", na maior parte do Brasil, ou como "macacos", na Região Nordeste - é rateada no consumo geral.

Segundo o presidente do Acende Brasil, Cláudio Sales, o valor dos furtos equivale à metade do que o governo gasta com o programa Bolsa Família. Em entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional, ele disse que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) só reconhece a perda de 0,5% do potencial fornecido nas redes de distribuição, enquanto o total registrado é de 1,23%.

A importância de denunciar
Sales recomenda que as ligações clandestinas sejam denunciados por vizinhos, para que os consumidores que pagam a conta de luz só tenham que arcar com o que de fato consomem. A maior parte das irregularidades, ressalta, ocorre em favelas e outras concentrações urbanas onde é fornecido potencial de grande capacidade. Mas o presidente do Acende Brasil ressalva que também há furto de energia em áreas de nível econômico elevado.

Ele destaca que, para coibir as ligações irregulares, as concessionárias de energia elétrica planejam instalar cabos revestidos, mais seguros contra furto, colocados na parte mais alta dos postes. Outra medida que será adotada no país, segundo Sales, consiste no emprego de medidores de energia elétrica controlados eletronicamente de forma centralizada, o que impossibilita o furto.

Os medidores antigos já foram substituídos em algumas localidades, mas a ampliação da troca está parada, pendente de liberação desse instrumento pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro).

Sales critica o excesso de burocracia, que, segundo ele, impede que os medidores eletrônicos sejam adotados logo em larga escala, diminuindo os prejuízos. "A redução do nível de perdas tornará a energia mais barata para os consumidores que pagam corretamente a sua conta", conclui.

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