MP aceita acusação e mantém presos seis integrantes de milícia que atuava no Rio

Júlio Trindade
Do UOL Notícias
No Rio de Janeiro (RJ)

Após duas horas de audiência no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, o Ministério Público Federal (MPF) aceitou na tarde desta segunda-feira (17), por unanimidade, as denúncias contra os seis integrantes da milícia Liga da Justiça, que atuava na zona oeste da capital fluminense. Os 21 votos foram a favor da manutenção da sentença. Quatro desembargadores estavam ausentes.

O deputado estadual Natalino José Guimarães (sem partido), seu assessor na Assembléia Legislativa Júlio César Pereira da Costa, Fábio Pereira de Oliveira (Fábio Gordo), o cabo da PM Rogério Alves de Carvalho, Luciano Guinâncio Guimarães, e o PM Moisés Ferreira Maia Júnior são acusados de formação de quadrilha e resistência qualificada.

Natalino e Fábio respondem ainda por porte ilegal de armas. Segundo a relatora do processo, a desembargadora Maria Henriqueta Lobo, eles se opuseram à prisão e receberam os policiais a tiros no dia 22 de julho de 2008.

Moisés Ferreira Maia Júnior e Rogério Alves de Carvalho continuarão presos no Rio de Janeiro, enquanto os outros permanecerão detidos na Penitenciária Federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.

Cada um estava acompanhado do seu próprio advogado. O representante de Natalino Guimarães, Roberto Vipagliano, foi o primeiro a falar. Ele alegou que o flagrante foi forjado e questionou a decisão do Ministério Público. "Há muito tempo tentam acusar o Natalino de formação de quadrilha, mas nunca conseguiram evidenciar. Não houve resistência, ao contrário do que o MP alega", disse.

A vereadora eleita Carminha Jerominho (PT do B), que é sobrinha de Natalino, acompanhou toda a audiência e, no final, fez coro com o advogado de seu tio. "Foi forjado, todos os vizinhos viram. Vou aconselhar o meu tio a renunciar ao mandato para sair do órgão especial", afirmou.

Os acusados estavam algemados e escoltados por homens do Batalhão de Operações Especiais, o Bope, e da Polícia Federal na entrada e na saída do Tribunal. Ao final da audiência, muitos parentes, incluindo filhos dos acusados, saíram emocionados e garantindo que "a justiça vai ser feita".

Entenda o caso
Natalino Guimarães foi preso em flagrante no dia 22 de julho deste ano sob a acusação de tentativa de homicídio, formação de quadrilha, porte ilegal de armas e favorecimento pessoal.

Segundo os policiais, a casa do deputado servia como um quartel-general da Liga da Justiça, grupo paramilitar que atuava na zona oeste do Rio e tem Natalino como um dos seus chefes. Seu irmão, o vereador Jerônimo Guimarães (PMDB) também está preso sob a acusação de envolvimento com a quadrilha.

No dia 6 de agosto foi acatado o parecer do senador Demóstenes Torres (GO), que pediu a expulsão sumária do parlamentar.

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