Policial diz ter sido agredido em curso da PM de Sergipe

Paulo Rolemberg
Especial para o UOL Notícias
De Aracaju (SE)

Um cabo do Pelotão de Choque da Polícia Militar de Sergipe diz ter sido agredido por outros policiais durante o curso de Ações Táticas Especiais (Cate/2008), sob responsabilidade do Comando de Operações Especiais (COE) da corporação, realizado na área de treinamento do Exército na cidade de São Cristóvão, a cerca de 20 km de Aracaju.

  • Arquivo familiar
  • Arquivo familiar

    Cabo mostra marcas que teriam sido deixadas pelas agressões

Segundo o policial militar, as sessões de agressão começaram na segunda-feira (10) e perduraram até a última quinta-feira (13). Elas duravam cerca de cinco minutos. As agressões eram realizadas pelos monitores do curso - que são oficais - com pedaços de madeira e facões (os golpes teriam sido aplicados com as laterais da lâmina) nas costas, coxa e mãos.

Alegando muitas dores no corpo, ele abandonou o curso. O cabo disse que foi atendido pelo médico da corporação, que lhe aplicou injeções com anestésicos.

De acordo com cabo, que pede para não ser identificado para não constranger sua família, foram utilizados paus e um facão para bater em sua cabeça e em todo o corpo. O policial informou ainda que já fez o exame de corpo delito no Instituto Médico Legal e que foi à Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Sergipe, solicitar providências.

Segundo o cabo, mesmo sentido dores não percebeu as marcas de agressão no corpo, que só foram descobertas pela sua filha de 6 anos ao chegar em casa. "O que foi isso painho nas suas costas?", perguntou a menina, que em seguida, de acordo com o policial, começou a chorar. "Quando olhei as minhas costas através de um espelho vi as marcas", relatou.

Com 16 anos na Polícia Militar, o cabo disse que já fez o treinamento do Bope (Batalhão de Operações Especiais) da Polícia Militar do Rio de Janeiro, mas que não passou por este tipo de violência. Ele também esteve na Força Nacional de Segurança durante a ocupação no Morro do Alemão no Rio de Janeiro.

O curso visa a capacitar os alunos na doutrina de Ações Táticas Especiais, tornando-os aptos a intervir em ocorrências com reféns, rebeliões em estabelecimentos prisionais, operações em locais de alto risco, segurança de autoridades, além da atuação em ocorrências com artefatos explosivos.

Segundo o cabo, entre os alunos 40 alunos que começaram o curso, apenas 25 permanecem. Além de policiais militares de Sergipe, participam também 12 de outros Estados (Amapá, Mato Grosso, Distrito Federal, Amazonas, Bahia, Acre e Maranhão), um delegado da Polícia Civil e três agentes prisionais.

Outro lado
O relações públicas da Policia Militar de Sergipe, coronel Pedroso, informou que as denúncias chegaram ao comando da corporação e que o fato será apurado.

A Junta Militar analisará a denúncia. "Vale ressaltar que esse curso testa a resistência física e psicológica, mas, se houve mesmo esse abuso, o Comando pode encerrar o curso", disse o representante da PM.

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