Militares brasileiros e colombianos trocam informações para intensificar fiscalização nas fronteiras

Leandro Prazeres
Especial para o UOL Notícias
Em Manaus (AM)

Militares da Colômbia estão repassando ao Brasil detalhes sobre a operação de resgate da ex-senadora franco-colombiana Ingrid Bettancourt, ocorrido em julho deste ano a fim de, com a troca de informações entre os dois países, aprimorar as técnicas de defesa nas fronteiras, melhorando, assim, a fiscalização.

O encontro militar faz parte da VI Reunião de Conversação entre o Estado-Maior de Defesa do Brasil e o Comando Geral das Forças Armadas da Colômbia, que começou nesta segunda-feira (17) e termina na próxima quinta-feira (20), em Manaus (AM).

A principal preocupação da reunião - que ocorre desde 2002 e é realizada, de forma alternada, nos dois países - este ano é o avanço do Exército colombiano às guerrilhas das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Após morte de dois de seus principais líderes (Manuel Marulanda, o "Tirofijo", e Raul Reyes), os militares brasileiros acreditam que o enfraquecimento das Farc pode empurrar os guerrilheiros cada vez mais para leste, em direção à fronteira com o Brasil.

"O avanço das Farc ainda não foi verificado. Temos relatos de que guerrilheiros foram vistos em território brasileiro, mas isso é pontual. Não é sistemático e não temos tido problemas com isso", afirma o chefe do Estado-Maior da Defesa do Brasil, almirante de esquadra João Afonso Prado Maia de Faria.

Colombianos têm mais experiência
O repasse das informações sobre o seqüestro de Ingrid faz parte da troca entre os serviços de Inteligência das Forças Armadas dos dois países. "Eles têm muito mais experiência que a gente no combate às guerrilhas. Nada mais natural que nós recebermos essas informações para sabermos como lidar em casos semelhantes, diz Maia de Faria.

De acordo com o chefe do Estado-Maior da Força Aérea da Colômbia, general Fernando Soller, os militares brasileiros terão acesso a toda a metodologia utilizada pelos colombianos durante a ação que pôs fim aos seis anos de cativeiro da ex-senadora. "Não posso dizer qual foi o método utilizado, mas os militares saberão e discutiremos maneiras de agir em casos de seqüestros", disse Soller.

O foco no intercâmbio de informações sigilosas fica evidente na composição das delegações. O almirante colombiano Álvaro Enchandía é chefe do setor de Inteligência e Contra-Inteligência das Forças Armadas colombianas. Do lado brasileiro, está presente o brigadeiro-do-ar Umilde Rende Neto, subchefe de Inteligência do Estado-Maior de Defesa.

O cuidado com a segurança é grande. Durante as apresentações, soldados brasileiros fazem a vigilância das portas do salão onde os militares se reúnem. "São informações muito sigilosas e que não podem vazar. Algumas poderão ser usadas em operações conjuntas das duas Forças", afirma Geraldo Ribeiro, da assessoria de comunicação do Comando Militar da Amazônia (CMA).

Operações conjuntas
Ainda durante a reunião, militares brasileiros e colombianos deverão estabelecer um cronograma de operações conjuntas a serem realizadas, primordialmente, na região amazônica. Nesta semana, o foco das discussões será as operações de combate ao narcotráfico, contrabando de animais silvestres, exploração ilegal de madeira, guerrilha na selva e de resgate a reféns.

Brasil e Colômbia têm uma fronteira de 1.644 quilômetros, toda ela no Estado do Amazonas. Em toda essa extensão, existem apenas 17 pelotões de fronteira. O almirante João Afonso Prado afirma que há um projeto em andamento para os próximos cinco anos de aumento e reaparelhamento dos pelotões na faixa de fronteira. "Queremos chegar em 27 pelotões dotados de pequenos radares para fiscalizar o espaço aéreo e dar um maior suporte ao Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia).

O Comandante Militar da Amazônia, General Augusto Heleno, afirma que a cooperação entre Brasil e Colômbia tem contribuído para o combate ao narcotráfico, principal fonte de renda das Farc. "Diariamente temos trabalhado contra o tráfico. Se não fazemos mais é por falta de estrutura", disse ele, que recentemente se envolveu em polêmicas por criticar a política indígena do Governo Federal e o "sucateamento" das Forças Armadas brasileiras.

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