Paraná fecha o cerco a pedófilos com criação de banco inédito de DNA

Marcus Vinicius Gomes
Especial para o UOL Notícias
Em Curitiba (PR)

O secretário de Segurança Pública do Paraná, Luiz Fernando Delazari, anunciou nesta segunda-feira (17), a ampliação das ações para aumentar o banco de DNA de acusados de estupro e pedofilia. O banco, que é inédito no país, já conta com 100 amostras do código genético de suspeitos e condenados por crimes sexuais.

Segundo o secretário, todos os pedófilos e estupradores presos pela polícia federal estão tendo o seu material genético recolhido por peritos do Instituto de Criminalística e os dados cadastrados no Laboratório de Genética Molecular Forense.

"Essa iniciativa da polícia paranaense é inevitável, pois futuramente será impossível trabalhar sem um banco de dados de DNA, assim como acontece hoje com a impressão digital", afirmou Delazari.

Castração química
Nesta terça-feira (18), a promotora da Vara da Infância e da Juventude de Londrina, Édina de Paula, defendeu a castração química de pedófilos a fim de combater a violência sexual contra menores no país.

A castração química é adotada na Alemanha, Estados Unidos e Inglaterra e prevê a aplicação periódica de um hormônio em pedófilos que já cumpriram pena pelo crime para inibir a libido.

De acordo com a promotora, estudos recentes mostram que a adoção do método diminuiu a reincidência entre pedófilos de 75% para 2%. Um projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional desde 2002, defende a modificação nos artigos do Código Penal e a inclusão da castração química.

Há duas semanas, o corpo da menina Rachel Genofre, 9 anos, foi encontrado em uma mala na rodoviária de Curitiba, com indícios de violência sexual. O autor do assassinato, contudo, ainda não foi localizado. "Infelizmente ainda não temos um banco nacional", disse Delazari. O processo corre em segredo de Justiça.

O secretário afirmou que no caso da menina Rachel, apenas um banco de DNA completo, que cadastrasse todas as pessoas, criminosas ou não, garantiria a solução do caso. "O nosso banco de dados cadastra criminosos. Não temos a confirmação de que o assassino de Rachel é alguém com antecedentes criminais. As investigações desse caso prosseguem".

Quatro meninas mortas em Curitiba
Em pouco mais de dez dias, outras quatro meninas foram mortas em Curitiba e Região Metropolitana, duas com violência sexual comprovada. No domingo (16), a menina Lavínia Rabeche da Rosa, de 9 anos, foi encontrada morta na cama em que dormia com a mãe e a irmã, no bairro do Atuba, na Zona Norte da capital.

O principal suspeito é o preso foragido Mariano Torres Ramos Martins, 45 anos, que convivia com a família. Alertados pelo grito da mãe de Lavínia, moradores agarraram Martins quando ele tentava escapar. A polícia chegou a tempo de impedir que ele fosse linchado. Martins nega o crime.

Além do banco de DNA para identificar crimes sexuais, a Secretaria de Segurança conta também com um banco de dados em parceria com a USP (Universidade de São Paulo) para encontrar crianças e jovens desaparecidos. O programa denominado Caminhos da Liberdade colhe o material genético da família e o confronta com o DNA recolhido dos suspeitos de serem a criança ou o jovem sumido.

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