Brasil reduz desigualdade de renda de trabalhadores, mas é campeão em mortes violentas, aponta Ipea

Do UOL Notícias
Em São Paulo*

O Ipea (Institudo de Pesquisas Econômicas Avançadas) comparou o desenvolvimento dos países do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), África do Sul, Estados Unidos, Finlândia, Espanha, Alemanha, México e Argentina e constatou que destes, apenas Brasil, África do Sul, México e Alemanha reduziram desigualdades de renda entre os trabalhadores de 1990 a 2005.

O estudo "Desenvolvimento e Experiências Internacionais Comparadas" foi apresentado na manhã desta quarta-feira na sede do Ipea, em Brasília, e mostrou também que em dez dos 11 países, as doenças cardiovasculares e os diversos tipos de câncer são as principais causas de morte. Com exceção da África do Sul, onde dispara a Aids. Na Índia, destacam-se as doenças parasitárias e infecciosas. O Brasil é o primeiro em mortes violentas; a Alemanha, a última.

Competivividade - PIB per Capita (2000 US$ constante na PPP)

PIB per CapitaVariação
1975 1990 2005 1990/1975 2005/1990 2005/1975
África do Sul 9.625 9.147 9.884 -5,0 8,1 2,7
México 6.429 7.696 9.564 19,7 24,3 48,8
Argentina 11.127 8.778 12.704 -21,1 44,7 14,2
Brasil 5.511 6.423 7.475 16,5 16,4 35,6
Índia 1.120 1.655 3.072 47,8 85,5 174,3
China 604 1.625 6.012 169,1 269,9 895,5
Rússia n.d. 10.270 9.648 n.d. -6,1 n.d.
Espanha 13.042 17.554 24.171 34,6 37,7 85,3
Alemanha 14.577 21.303 26.210 46,1 23,0 79,8
Finlândia 15.178 22.410 28.605 47,6 27,6 88,5
Estados Unidos 19.803 28.263 37.267 42,7 31,9 88,2
Fonte: World Development Indicators

O maior PIB per capita é dos norte-americanos, mas o melhor desempenho nos últimos 30 anos foi dos chineses, que multiplicaram por dez o PIB per capita desde 1975, aponta o Ipea. Depois vêm os indianos, que triplicaram; seguidos por alemães, finlandeses, espanhóis e americanos que, no mesmo período, quase dobraram seus PIBs por habitante. Na América Latina, a Argentina registra o maior PIB per capita, mas o México teve o maior crescimento nas três décadas.

Brasil avança na Educação, mas fica atrás da China
Nos dados brasileiros o que chama a atenção são os números referentes à educação. Por mais que tenha havido um avanço nessa área, o Brasil ainda está muito aquém do esperado, na avaliação de Milko Matijascic, diretor do Ipea no IPC (Centro Internacional de Pobreza) e coordenador da pesquisa. O índice de alfabetização brasileira foi de 78%, em 1985, para 89% em 2005. A China, porém, teve um avanço mais claro, indo de 69% para 91% no mesmo período.

Segundo dados do Pisa, que mede o desempenho de leitura nos países selecionados, mais de 80% dos brasileiros não tem capacidade de leitura de um nível adequado e quase 90% não tem em termos matemáticos. Na Coréia do Sul por exemplo, cerca de 20% não tem a capacidade adequada em matemática e em leitura.

"A Coréia tinha níveis de analfabetismo muito elevados nos anos 70, e hoje é um dos países mais exemplares do ponto de vista da educação. Ou seja, podemos promover um enorme aumento de competitividade da economia. Basta a sociedade brasileira se focar nessa direção" disse Matijascic.

Ele acredita, no entanto, que os dados brasileiros mostram que o país se encontra em uma posição de relativa estabilidade e que pode, inclusive, tirar proveito da crise financeira global. "Talvez seja um bom momento para o Brasil alcançar as nações mais desenvolvidas. Porque se encontra numa posição de relativa estabilidade, não enfrenta grandes dificuldades, o seu crescimento é fundamentalmente baseado no mercado interno e isso pode significar um grande dinamismo para que o Brasil recupere em parte o atraso" disse ele.

*Com Piero Locatelli, do UOL Notícias, em Brasília

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