Desemprego e conflito familiar levam pessoas a morar na rua, diz pesquisa no Rio

Juliana Castro
Do UOL Notícias
No Rio de Janeiro

Atualizada às 20h

A Secretaria Municipal de Assistência Social traçou, pelo terceiro ano consecutivo, o perfil dos moradores de rua do município do Rio de Janeiro. No total, a pesquisa mostra que 1.906 pessoas vivem nas ruas da capital fluminense atualmente, contra 1.932, em 2007, e 1.682, em 2006.

A pesquisa procurou saber também os motivos que levaram estas pessoas às ruas e, desde 2006, a resposta apontada pela maioria é o desemprego - 20,67% (2008), 27%,(2007); 30,24% (2006). Em todos os anos, o segundo motivo mais apontado por aqueles que dormem embaixo das marquises e viadutos da cidade é o conflito familiar - 18,78% (2008), 17% (2007) e 24,36% (2006).

O levantamento revelou ainda que 79,64% desta população é composta por homens. Em 2007, 78% das pessoas que viviam nestas condições eram do sexo masculino e, em 2006, essa porcentagem era de 80,30%. Mesmo com as variações, a média se mantém e todos os levantamentos apontaram que há quatro vezes mais homens nas ruas que mulheres.

Durante cinco meses, o secretário municipal de Assistência Social, Marcelo Garcia, se revezou com uma equipe de 150 pessoas na ida às ruas após as 21h. De acordo com ele, a presença do homem nas ruas sempre foi mais constante. Ainda assim, a quantidade de mulheres nas ruas (328) ainda é considerada alta. "Isso acontece principalmente por conta da violência doméstica", explicou.

A violência na comunidade foi a resposta de 2,47% dos entrevistados na pesquisa de 2008, mas segundo o secretário, em Santa cruz (zona oeste) este quesito foi apontado por 13% dos moradores de rua como motivo para abandonar suas casas. "A gente viu essa diferença nesta área que é dominada por milícia", afirmou o secretário, explicando que este pode ser o motivo da distinção deste item entre Santa Cruz e outras áreas.

A análise da faixa etária nesta pesquisa revelou ainda que os adultos são maioria entre esta população (73,77%), seguidos por jovens de 18 a 24 anos (8,18%), adolescentes de 12 a 17 anos (7,06%), idosos (3,57%) e crianças de até 11 anos (3,46%) - 3,93% não informaram a idade. Os adultos sempre foram maioria desde que o levantamento foi iniciado. Em 2007, eles representavam 64% dos moradores de rua e, em 2006, 63,53%.

Na pesquisa, muitas perguntas tiveram alto índice de "não informado". Como por exemplo os motivos que levaram esta população a abandonarem suas casas (38,14%), a cidade de origem (33,42%) e o tempo em que vivem nas ruas (43%). "Muita gente não quer prestar informação porque tem medo do que a gente vai fazer com ela", explicou Garcia.

Quando o assunto é o tempo em que estão na rua, não há muita variação: 13% estão há seis meses, 12% de 6 meses há 2 anos, 9% de 2 há 5 anos, 11% de 5 há 10 anos, e 12% há mais de 10 anos.

Geografia
Além destes dados, o estudo buscou saber a distribuição da população de rua nos bairros do Rio de Janeiro.

O centro da cidade é o local onde há mais moradores de rua (25,29%), seguido pela Tijuca, na zona norte (12,54%). A região formada pelo Flamengo, Catete, Largo do Machado, Glória Laranjeiras e Botafogo (zona sul) tem 11,96% de moradores nestas condições.

BAIRROSMORADORES DE RUA
Madureira163
Barra e Recreio20
Campo Grande75
Copacabana109
Flamengo, Catete, Lgo do Machado, Glória, Laranjeiras, Botafogo228
Grande Centro482
Jacarepaguá12
Leblon, Ipanema, Humaitá, Lagoa, Gávea, Jardim Botânico109
Méier64
Parque do Flamengo13
Penha, Bonsucesso e Ramos53
Presidente Vargas188
Rio Comprido e São Cristovão85
Santa Cruz17
Tijuca239
Zona Portuária49
TOTAL1.906


Futuro secretário
Ao ser anunciado pelo prefeito eleito do Rio, Eduardo Paes, no dia 7 de novembro deste ano como futuro secretário de Assistência Social, Fernando William (PMN) afirmou, na ocasião, que pretende construir novos abrigos e outras unidades de atendimento para a população de rua.

"Certamente será necessária a criação de novos abrigos, com a ajuda de recursos dos governos federal e estadual, para aumentar o atendimento a estas pessoas", disse. Atualmente, cerca de duas mil pessoas vivem em abrigos da prefeitura do Rio.

Fernando disse ainda que o Centro e a zona sul são os lugares de maior atração destas pessoas, por serem estes os principais pólos de concentração de renda da cidade e que, por este motivo, estas regiões receberão maior atenção.

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