Anistia Internacional recebe relatório da CPI das Milícias e promete pressionar autoridades

Júlio Trindade
Do UOL Notícias
No Rio de Janeiro

A Anistia Internacional, por meio de seu representante para o Brasil, o inglês Tim Cahill, recebeu nesta sexta-feira (21) das mãos do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), presidente da CPI das Milícias, o relatório final produzido pela comissão ao longo dos últimos cinco meses. O encontro foi realizado no Instituto de Estudos da Religião, na Glória, zona sul do Rio de Janeiro.
  • Júlio

    À esquerda, o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), presidente da CPI das Milícias, entrega o relatório para o inglês Tim Cahill, representante da Anistia Internacional


No documento, que contém 226 indiciados, entre eles, policiais civis e militares, bombeiros e políticos, a CPI propôs medidas como a desmilitarização dos bombeiros, a criação de uma Comissão de Ética na Câmara dos Vereadores e a criminalização de currais eleitorais.

"Cabe agora ao Ministério Público, à Polícia Federal e a outros órgãos responsáveis darem prosseguimento ao trabalho feito pela CPI. A sociedade civil também tem papel importante neste processo de cobrança às autoridades", disse Freixo.

Segundo Tim Cahill, com a internacionalização do caso, o governo brasileiro se sentirá mais impelido a tomar atitudes efetivas contra as milícias. Por isso, a importância da Anistia Internacional entrar na questão.

"Infelizmente, só quando tomam dimensões internacionais é que as autoridades sentem-se pressionadas a fazer algo mais concreto. Têm medo de sujar a imagem do Brasil no exterior. A Anistia Internacional cobrará a implementação das medidas propostas na CPI", disse.

O inglês também mostrou à imprensa uma revista produzida pela Anistia, intitulada Challenging BrazilŽs milicias (Desafiando as milícias do Brasil), que será distribuída nos 70 países em que o órgão atua. A revista contém reportagens sobre Freixo e os outros deputados que participaram da CPI e cobra proteção aos parlamentares.

O deputado do PSOL reconheceu que convive com riscos à sua integridade. "Há informações das Polícias Federal e Civil que indicam ameaças contra nós. Mas não pode haver interrupção do trabalho. É isso que eles querem, mas não terão", concluiu.

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