"São décadas de negligência das autoridades", diz membro da Anistia sobre milícias do Rio

Júlio Trindade
Do UOL Notícias
No Rio de Janeiro

Tim Cahill nasceu em São Paulo, mas o português "enrolado" denuncia: "Sou um falso gringo", diz. Cahill mora em Londres (Reino Unido) desde os 11 anos. É na capital inglesa que desenvolve o seu trabalho como representante para o Brasil na Anistia Internacional, organização não-governamental que atua na defesa dos direitos humanos pelo mundo.
  • Júlio

    Á esquerda, o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), presidente da CPI das Milícias, entrega o relatório para o inglês Tim Cahill, representante da Anistia Internacional


Em visita ao Rio de Janeiro nesta sexta-feira (21), Cahill recebeu das mãos do deputado estadual Marcelo Freixo o relatório final sobre a CPI das Milícias e falou com exclusividade ao UOL.

UOL Notícias: Qual a importância da participação da Anistia Internacional na questão das milícias?
Tim Cahill: A Anistia acredita que o final da CPI não é o final de um trabalho. Queremos reforçar isso. O Estado tem de combater o crescimento destas organizações criminosas. A partir deste relatório, a Anistia irá cobrar dos órgãos responsáveis medidas efetivas contra as milícias.

Como a questão das milícias é vista no exterior? Como o próprio Rio de Janeiro é visto lá fora quanto aos direitos humanos e à segurança pública?
Acho que só agora outros países têm tomado noção exata do que são as milícias no Rio de Janeiro. [O New York Times publicou no dia 13 de junho deste ano o artigo "Milícia armada substitui gangue de traficantes]). Acho que a violência aqui ainda é vista de forma muito estereotipada no exterior. Mas esta visibilidade internacional é importante, pois força ainda mais as autoridades a tomarem atitudes contra as milícias.

Como você se mantém informado sobre a situação das milícias no Rio morando em Londres?
Leio muito pela Internet. Também sempre estou em contato com autoridades brasileiras que trabalham nesta questão das milícias.

A milícia é mesmo uma peculiaridade do Rio de Janeiro ou você já teve conhecimento de algo similar mundo afora?
Aqui mesmo no Brasil tivemos no Espírito Santo quadrilhas que tinham membros nos poderes Legislativos e Judiciário. Lembro, que à época, cogitou-se intervenção federal no estado. Acho que a Colômbia, com as FARCs [Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia], tem algum tipo de similaridade às milícias.

A que você atribui o surgimento das milícias e o que mais lhe preocupa nestas organizações?
São décadas de negligência das autoridades públicas neste sentido. O mais preocupante das milícias é que elas têm membros na política e na polícia. Isso fere o Estado de Direito.

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