Índios fazem protesto e invadem sede da Funasa em Manaus

Especial para o UOL Notícias
Em Manaus (AM)

Aproximadamente 350 indígenas de diversas etnias invadiram, na manhã desta segunda-feira (24) a sede da Funasa (Fundação Nacional de Saúde) em Manaus (AM). Eles reivindicam melhorias nos serviços de saúde indígena, maior participação na escolha dos coordenadores regionais da entidade e a manutenção da ONG Saúde Sem Fronteiras na prestação de serviços médicos no Amazonas. Esta é a segunda vez no ano que a sede da Funasa é invadida em Manaus.
  • Euzivaldo Queiroz/A Crítica/AE

    A ocupação começou por volta das 10h. Centenas de indígenas chegaram de ônibus vindos de municípios próximos a Manaus


A ocupação começou por volta das 10h. Centenas de indígenas chegaram de ônibus vindos de municípios próximos a Manaus. A maior parte dos invasores é composta de índios da etnia Mura, Sateré-Mawé, Apurinã e Kanamary. Nenhum funcionário do órgão foi tomado como refém. Eles foram liberados pelos índios assim que a invasão começou. Entre os invasores há mulheres, idosos e até crianças.

De acordo com um dos líderes da ocupação, o cacique Raimundo Alves, da etnia Mura, os índios só deixarão a sede da Funasa após conversarem com o coordenador regional do órgão no Amazonas, Pedro Paulo de Siqueira, nomeado há pouco mais de um mês.

"Nós temos que conversar com ele. Queremos que melhorem as condições da Casai (Casa de Saúde Indígena), porque é pra lá que vão os nossos parentes. Também queremos saber o que vai acontecer com a 'Saúde Sem Fronteiras', porque ela vinha prestando um bom serviço", afirma Raimundo.

Em agosto, a Justiça Federal do Amazonas ordenou que a Funasa assumisse dois convênios mantidos com a associação por conta de irregularidades nas prestações de contas da entidade. Pelos convênios, a associação deveria prestar atendimento no Dsei (Distrito Sanitário Especial Indígena) de Manaus e na Casai da capital, para onde os índios do interior que precisam de atendimento médico são enviados.

Segundo a assessoria de comunicação da Fundação em Brasília, a manutenção da Saúde Sem Fronteiras está fora de cogitação. O órgão, inclusive, já fez convocação para a escolha de uma nova entidade para executar as ações de Saúde Indígena.

O coordenador da Funasa no Amazonas, Pedro Paulo de Siqueira, está no Rio de Janeiro e deverá embarcar para Manaus até o início desta noite. Na terça-feira (25), pela manhã, ele deverá se encontrar com os indígenas.

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