Aumenta a violência sexual contra meninos no país, diz psicóloga

Da Agência Brasil
Em Brasília (DF)

O 3° Congresso Mundial de Enfrentamento da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes começou hoje (25), no Rio de Janeiro, com duas constatações: é crescente o número de meninos violentados no Brasil e é cada vez menor a idade de crianças vítimas desses abusos. A informação foi dada pela psicóloga e gerente de projetos sociais da ONG Terra dos Homens, Valéria Brahim, em entrevista à Rádio Nacional. O evento reúne delegações de 114 países para discutir o tema.

No Brasil, revelou a psicóloga, a idade das vítimas de abuso e de exploração sexual é cada vez menor. "A idade tem diminuído: crianças de 9 a 12 anos já são vítimas da prática ilícita. A partir dos 12, 15 anos, a incidência é maior." Ainda segundo Valéria, o número de meninos violentados também é crescente. "Existe um contingente cada vez maior de meninos entrando nessa relação comercial com o sexo."

O abuso e a exploração sexual infantil, afirmou Valéria, devem ser tratados de maneira diferenciada. "Uma coisa é a família que tem uma situação de abuso sexual. Neste caso, trabalhamos no fortalecimento da família, qual o significado do abuso no meio familiar. Outra coisa é a exploração sexual, que leva a uma rede maior, inclusive de pessoas muitas vezes influentes, que estão nessa relação comercial com o corpo da criança."

A cultura existente no país também é um dos fatores que interferem na violência sexual contra as crianças e adolescentes. Valéria destacou que a zona rural é uma das áreas de maior incidência de abuso sexual por causa da banalização do sexo. "Em algumas comunidades, há a cultura de que a criança deve ser iniciada pelo seu progenitor."

Os caminhoneiros também são um dos públicos alvos da conscientização sobre o assunto. "O que a gente percebe é que os caminhoneiros ainda são muito alheios a essa questão. Há uma cultura muito machista no nosso país", disse a psicóloga.

Segundo a gerente de projetos sociais da ONG Terra dos Homens, as denúncias de exploração e abuso sexual estão crescendo. "A questão é saber se o numero de casos está aumentando ou se é a conscientização das pessoas que faz com que a denúncia surja."

Para combater esse tipo de violência, a ONG trabalha há 12 anos com crianças e adolescentes em situação de rua, abrigo e exploração sexual. "Fazemos um atendimento psicossocial para que essa criança seja reinserida na família e na sua comunidade". Os municípios fluminenses de São João do Meriti, Duque de Caxias, Rio de Janeiro, São Gonçalo e Belford Roxo são beneficiados pelas atividades desenvolvidas pela ONG.

Além disso, a organização não-governamental também capacita profissionais que trabalham com esse público em outros locais do país. "A capacitação traz o tema para o debate para que psicólogos, assistentes sociais e Juizados possam se envolver nessa temática e otimizar os serviços em prol das crianças e do adolescente", comentou Valéria.

Ela lembrou ainda que o Brasil pune pouco os casos de abuso e exploração sexual. "Temos poucos exemplos mostrando que há, de fato, uma conseqüência. Isso é muito cultural. Precisamos fazer com que a sociedade tenha uma idéia clara de que isso é crime e que o maior de idade que explora criança e adolescente precisa ser punido."

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