"Já me acostumei", diz, resignada, moradora de Biguaçu

Luiz Nunes
Especial para o UOL Notícias
de Florianópolis (SC)

Mariana Mondini, 26 anos, sofreu com mais uma enchente, mas pode dizer que aprendeu com o tempo. Ela vive em Biguaçu, na Grande Florianópolis. Como em todas as vezes em que chove demasiadamente na região, a casa dela novamente foi invadida por uma lâmina de 40 cm de água por duas vezes.

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"Depois da chuva e da inundação de sábado, limpamos tudo domingo pela manhã, mas a casa voltou a inundar", conta. O terreno da residência em que mora fica sobre um aterro, onde, há 50 anos, era área de mangue. O aterro foi feito pelo pai, já falecido, para que o imóvel ficasse da altura da rua.

Desde criança, ela convive com a água invadindo o local em que vive com a mãe de 62 anos. A estrutura da rua em que moram ganhou um duto há quatro anos. Assim, a água da rua não entra em casa. O problema é que, por ser antiga área de mangue, o solo cede e a água brotou pelos azulejos sábado e domingo, mesmo depois de ter tapado os ralos com cimento.

Com a experiência, sua mãe projetou móveis suspensos por estruturas de madeira para que, quando houver enchentes, ambas não percam tudo como anteriormente. Sofá, estante e rack ficam a dois palmos do chão. Em 1996, elas viram as águas levar roupas, comidas e móveis. "Viramos a noite. Pouca coisa deu para recuperar. Dormíamos no chão", recorda.

Mariana diz que, depois daquela situação, ficou mais fácil lidar com as cheias constantes. "Já me acostumei. Pior é quem perdeu tudo. Meu jardineiro viu a água aqui em casa e ficou apavorado. Para a gente, é só tirar os tapetes", simplifica.

Há dez anos, ela e a mãe construíram uma nova parte na casa, mais alta, onde ficam os quartos. É para lá que vão os eletrodomésticos quando a casa sofre com as cheias. No futuro, Mariana não pretende se mudar. A mãe gosta da casa e do terreno grande. Mas, para amenizar os estragos, já pensam em erguer um segundo andar na parte alta da residência.

Desespero
Não bastassem as residências danificadas, em Florianópolis, o acesso pela SC-401 - que liga a área central ao Norte da Ilha - segue interrompido até, pelo menos, quinta-feira.

A queda de uma barreira bloqueou as quatro pistas e uma montanha de barro tomou cerca de 70 metros da rodovia. O desmoronamento de cinco mil metros cúbicos de terra e vegetação assustou motoristas e moradores.

A agente de saúde da prefeitura Silvana Sanford, que mora a 200 metros do local da queda, levou um susto ao ouvir o barulho, domingo. Ela estava em casa com o marido e os cinco filhos e conta que uma de suas filhas quase entrou em choque.

"Chegamos a ver o morro desabando e as pessoas passando de carro, gritando por ajuda", recorda. Ela diz que chegou a ver algo soterrado nos escombros, mas não conseguiu identificar o que era. "Foi bem preocupante. Vimos a pedra desmoronar."

Até ontem à noite, o Corpo de Bombeiros de Santa Catarina trabalhava com a hipótese de que um veículo esteja embaixo do monte de barro e vegetação que se formou sobre a SC-401. Um caminhão também ficou parcialmente coberto.

A porta estava aberta e o motorista não foi localizado, nem houve registro de atendimento por ambulâncias ou entrada em hospitais da região. Cogita-se que ele tenha conseguido sair do caminhão, mas morrido soterrado.

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