Recurso equatoriano contra pagamento do BNDES 'surpreendeu', diz embaixador

Roberta Lopes
Da Agência Brasil
Em Brasília

O embaixador do Brasil no Equador, Antonino Marques Porto e Santos, disse hoje (25), em audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, que o governo brasileiro viu com "desconforto e perplexidade" a atitude do governo equatoriano de entrar com recurso na Corte Internacional de Comércio de Paris para deixar de pagar a dívida com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social).

O Equador contraiu empréstimo com o BNDES para a construção da hidrelétrica de San Francisco e agora, um ano depois, alega que há problemas na obra. "Não fomos avisados, não esperávamos", disse o embaixador sobre o recurso.

Equador nega ter pedido empréstimo ao BNDES para comprar aviões da Embraer

O ministro de Defesa equatoriano, Javier Ponce, assegurou hoje que o país não pediu crédito ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para comprar 24 aviões Supertucanos da Embraer, já que planeja pagá-los "com dinheiro"

Ele afirmou, ainda, que, nesse momento, o governo brasileiro está analisando todos os aspectos jurídicos do contrato para a construção da hidrelétrica e outros contratos em vigor entre Brasil e Equador. "O que estamos fazendo é reavaliar todo o processo de cooperação entre os dois países", explicou.

Antonino informou que o valor atual da dívida é de US$ 462 milhões e que ainda não teve acesso aos documentos que o governo equatoriano apresentou à corte internacional. Segundo ele, o governo só soube do fato por meio de um comunicado à imprensa pelo Equador, feito na semana passada.

"Sabemos que se trata do questionamento do contrato de financiamento, mas em que termos, o que se está pedindo, ainda não sabemos", disse.

A obra da hidrelétrica de San Francisco ficou por conta de um consórcio em que participaram uma empresa equatoriana e a brasileira Norberto Odebrecht. O consórcio recebeu financiamento do BNDES, mas o governo equatoriano se recusa a pagar a dívida, alegando que houve problemas no funcionamento da hidrelétrica. O valor do empréstimo à época foi de US$ 243 milhões.

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