SC conta 65 mortes e 8 municípios isolados; 4 cidades decretam estado de calamidade

Do UOL Notícias*
Em São Paulo

Atualizada às 10h30

A Defesa Civil de Santa Catarina registrou, até a manhã de hoje (25), 52.319 desalojados e desabrigados devido às chuvas que atingem o Estado, sendo 22.776 desabrigados e 29.543 desalojados. No momento, estão confirmadas 65 mortes e o Estado avalia que mais de 1,5 milhão de pessoas foram afetadas. Oito municípios estão isolados: São Bonifácio, Luiz Alves, São João Batista, Rio dos Cedros, Garuva, Pomerode, Itapoá e Benedito Novo.

Quatro municípios decretaram estado de calamidade pública: Gaspar, Rio dos Cedros, Nova Trento e Camboriú. Em estado de emergência estão Balneário de Piçarras, Canelinha, Indaial, Penha, Paulo Lopes, Presidente Getúlio e Rancho Queimado.

Enchentes provocam destruição e mortes em várias cidades de Santa Catarina


O prefeito de Blumenau, João Paulo Kleinübing (DEM), afirmou ontem (24) que decretou estado de calamidade pública no município, mas, de acordo com a Defesa Civil de Santa Catarina, o decreto ainda não foi assinado provavelmente porque Kleinübing não teve tempo.

O Exército deslocou 500 militares para prestar socorro às vítimas das enchentes em Blumenau e está trabalhando com o auxílio de quatro aeronaves, 17 caminhões e 12 barcos recolhendo grupos isolados em vários pontos de Blumenau. A recomendação do Exército é que as pessoas evitem sair às ruas, pois isso prejudica a ação dos que estão trabalhando na recuperação da cidade.

A Defesa Civil divulgou boletim informando que o nível do Rio Itajaí-Açu atingiu a marca de 8,28 metros às 7 horas desta terça-feira (25), no centro de Blumenau. Ontem, o nível chegou a mais de 9 metros.

Blumenau, uma das cidades mais atingidas, contabiliza 13 mortes. Ilhota tem 15 mortes confirmadas, Jaraguá do Sul tem 12, Gaspar, 10, Luiz Alves, 4, Rodeio, 4, Rancho Queimado, 2, e Benedito Novo, 2. Outras três mortes foram registradas nas cidades de Pomerode, Brusque e Bom Jardim da Serra. Uma pessoa também morreu em Guaratuba, cidade do Paraná.

Chuva dificulta tráfego

Nesta madrugada, segundo a Defesa Civil de Santa Catarina, as chuvas foram menos intensas. Choveu principalmente no litoral, mas os índices pluviométricos não passavam de 1 milímetro por hora, o que é uma chuva considerada de intensidade pequena. Os índices mais preocupantes são aqueles que passam dos 10 milímetros por hora, segundo a Defesa Civil.

Aproximadamente 160 mil pessoas ficaram sem luz ontem e outras seis cidades tiveram o abastecimento de água cortado. De acordo com a Defesa Civil de Santa Catarina, as chuvas devem continuar até esta quarta (26). Para o coordenador do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (Cptec/Inpe), o fenômeno das chuvas em SC "é anômalo, mas natural".

Segundo a Defesa Civil, em Balneário Camboriú, o hospital Santa Inês foi atingido por um desmoronamento de barranco. Os pacientes foram removidos para outros setores do próprio hospital, que não recebe mais pessoas. Em Ilhota são 2.000 estão desabrigados e 25 mil pessoas afetadas.

Cidades mais atingidas pelas chuvas em Santa Catarina

  • Arte UOL


Joinville conta 500 mil pessoas afetadas e 1.000 residências danificadas. Em Brusque, 100 casas foram interditadas por deslizamentos. Em Itajaí, deslizamentos, alagamentos e malha viária danificada deixam 1.200 desabrigados e 2.000 desalojados. O secretário da Infra-Estrutura de Santa Catarina, Romualdo Theophanes França, informou que as chuvas irão atrasar obras do PAC no Estado.

Confira a situação dos demais municípios

O gerente de Operações da Defesa Civil, major Emerson Neri, acredita que a situação deve piorar nos próximos dias porque as chuvas vão continuar. "Está chovendo ininterruptamente há quase dois meses e, infelizmente, a expectativa da meteorologia é de que o clima não mude nos próximos dias. Praticamente todos os municípios do litoral, de norte a sul, foram afetados. E ainda não temos informações consolidadas de todas as cidades", afirmou.

Diversos trechos de rodovias estaduais e federais estão interditados por causa de deslizamentos e queda de barreiras. Ainda há risco de outros deslizamentos, por isso, a Defesa Civil orienta a população a usar seus veículos apenas em casos de emergência.

Prejuízos econômicos
Além das mortes e das milhares de pessoas desabrigadas, as chuvas também trouxeram prejuízos econômicos ao Estado. O setor de turismo e transporte
já foram afetados. O porto de Itajaí, o maior do Estado, está fechado desde a última quinta-feira (20).

Com as interdições o acesso a Balneário Camboriú, um dos principais destinos turísticos do Estado, já ficou prejudicado, gerando prejuízo principalmente na rede hoteleira.


Ajuda de outros Estados e doações
Seis helicópteros foram enviados ao Estado. Os governos dos Estados de São Paulo e Minas Gerais encaminharam na tarde desta segunda (24) quatro unidades para auxiliar nos trabalhos de resgates as comunidades catarinenses. O Exército Nacional desloca duas unidades.

O ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, aproveitou a reunião ministerial com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para acertar os termos de medida provisória que vai destinar recursos federais ao socorro das vítimas das enchentes e à recuperação da infra-estrutura do Estado. Além de Geddel, Lula já enviou outros ministros para Santa Catarina.

Cestas básicas, colchões, cobertores e kits de higiene estão sendo entregues às famílias atingidas pela chuva. O governo de Santa Catarina fez contato no domingo (23) com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para reforçar o pedido de auxílio à região de Blumenau, principalmente com helicópteros nas áreas isoladas da cidade. Ao presidente, o governador disse que o maior problema na região é a chuva constante.

Também foram procurados os governadores do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), e do Paraná, Roberto Requião (PMDB), para pedir apoio na atuação junto à Defesa Civil. O Estado do Paraná autorizou na tarde de ontem o envio de 140 bombeiros militares, 16 viaturas, 15 barcos, dois helicópteros e um avião para auxiliar às vítimas de Santa Catarina.

A Defesa Civil distribui alimentos, água potável e medicamentos. Em Florianópolis, doações podem ser feitas no Portal do Turismo, Assembléia Legislativa e Procon. No interior do Estado, os produtos devem ser encaminhados aos abrigos, Defesa Civil e prefeituras.

A recomendação é de que produtos de limpeza não sejam misturados com alimentos e roupa. Os alimentos devem estar dentro da validade, de preferência não perecíveis e com a embalagem em boas condições.

Chuvas em Santa Catarina danificam gasoduto Brasil-Bolívia
O abastecimento de gás entre o município de Guaramirim, em Santa Catarina, até o Rio Grande do Sul, foi interrompido na noite de ontem por causa das chuvas, segundo nota divulgada pela Transportadora Brasileira Gasoduto Brasil-Bolívia.

Deslizamento é fator mais dramático em SC, afirma governador

Luiz Henrique Silveira (PMDB), governador de Santa Catarina, disse hoje (24) que os deslizamentos de terra são o fator mais dramático das chuvas que atingem o Estado. "Quatro meses de chuva batida, sem parar, estão dissolvendo a terra e as casas estão desabando. Temos 7.300 desabrigados em alojamentos públicos. Essa é a maior que já ocorreu em todos os tempos em Santa Catarina"


De acordo com a nota da TBG, a interrupção se deu por conta de um acidente no duto, seguido de fogo e ruído elevado, no trecho do gasoduto Brasil-Bolívia, na localidade de Belchior, em Blumenau, em Santa Catarina.

Não há registro de vítimas ou danos a edificações, de acordo com a empresa, e o vazamento e o fogo foram debelados após o fechamento das válvulas de segurança do gasoduto próximas ao local do vazamento.

No sábado (22), outro duto foi rompido em Santa Catarina. De acordo com a SC Gás, a queda de uma parte do leito da pista da rodovia BR 470, na altura do km 41,5, pressionou a tubulação do duto, o que ocasionou o vazamento do gás, bloqueio imediato das válvulas e incêndio no local. Por causa do acidente, as cidades de Blumenau, Gaspar, Pomerode, Timbó e Indaial estão sem abastecimento de gás.

Os acidentes ocorreram por conta das fortes chuvas e inundações ocorridas na região de Santa Catarina. Tanto a TBG quanto a SC Gás acionaram imediatamente seus planos de contingência, com a mobilização de equipamentos, materiais e recursos humanos para efetuar o reparo dos gasodutos.

* Com informações da Folha Online e das agências Estado e Brasil

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