Funasa pede reintegração de posse de prédio invadido por indígenas

Do UOL Notícias
Em Manaus (AM)

A Funasa (Fundação Nacional de Saúde) entrou, na terça-feira (25), com um pedido de reintegração de posse do prédio do órgão em Manaus (AM), invadido na última segunda-feira (24) por aproximadamente 350 indígenas de 25 etnias diferentes. De acordo com a direção da Funasa em Brasília, o coordenador regional, Pedro Paulo Coutinho, só irá se reunir com os indígenas quando o prédio for desocupado. Os índios, no entanto, dizem que só deixarão o prédio depois de serem recebidos por Pedro Paulo.

Os indígenas exigem melhorias na prestação de atendimento médico nas aldeias, a manutenção dos convênios da ONG Associação Saúde Sem Fronteiras e participação na escolha dos coordenadores regionais da Funasa.

Na terça-feira, a invasão da Funasa em Manaus completou 24 horas. De acordo com lideranças do movimento, o número de invasores pulou de 350 para 500. Os índios chegaram em dois ônibus fretados pelos movimentos sociais que dão sustentação à ocupação.

De acordo com o cacique Raimundo Alves, da etnia Mura, os índios têm feito 'cotas' para conseguir alimentos. "A gente está dando o nosso jeito. Estamos coletando dinheiro entre os nossos parentes para alimentar quem está aqui", diz o cacique. Entre os invasores há crianças e idosos.

Apesar do endurecimento da posição da Funasa, Raimundo mantém as reivindicações. "Nós só vamos sair daqui quando formos recebidos pelo coordenador. E também queremos que eles atendam as nossas reivindicações. É o nosso direito. O nosso povo está morrendo e ninguém está fazendo nada", diz o cacique.

Raimundo também denunciou que na Casai (Casa de Saúde Indígena) de Manaus - local para onde os índios enfermos aguardam tratamento - os indígenas recebem frutas e outros alimentos fora do prazo de validade.

Em nota publicada nesta terça-feira no site da Funasa (www.funasa.gov.br), a coordenação regional do órgão nega as denúncias feitas pelos invasores e deixa claro que a manutenção dos convênios da ONG Associação Saúde Sem Fronteiras não poderão ser mantidos. "tal solicitação não será possível, tendo em vista que a referida entidade nem sequer participou da seleção pública (...) celebrar novo convênio com a Associação Saúde Sem Fronteiras (...) seria ato lesivo aos interesses da administração pública", diz a nota.

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