Mohammed D'Ali confirma, em juízo, assassinato e esquartejamento de inglesa

Sebastião Montalvão
Do UOL Notícias
Em Goiânia

  • Reprodução

    A inglesa Cara Marie Burke, 17, foi morta em julho em Goiânia


Mohammed D'Ali Carvalho dos Santos confirmou, em juízo, ter assassinado, esquartejado e ocultado o cadáver da estudante inglesa Cara Marie Burke, de 17 anos, morta em 26 de julho deste ano em Goiânia. Em audiência presidida pelo juiz Jesseir Coelho de Alcântara, na 1ª Vara Criminal de Goiânia, ele relatou os detalhes do crime.

Na semana passada, o juiz já havia interrogado testemunhas de defesa e acusação. Mohammed também seria ouvido, mas a o juiz interrompeu a audiência, reiniciada hoje, no Tribunal de Justiça. Agora, o juiz aguardará apenas realização dos exames de sanidade mental (já autorizados pelo magistrado) para só depois decidir se o acusado vai ou não a júri popular.

"Agora é aguardar os exames para saber se o réu é passível de punição, se é inimputável ou semi-imputável. E isso só a junta médica do Tribunal é que pode informar. Agora o processo fica paralisado até que tenhamos o resultado", informou o juiz, reafirmando a previsão de que em fevereiro já tenha os resultados para retomar o andamento do processo.

E são nesses exames que a defesa joga todas as suas cartas. De acordo com o advogado do acusado, Carlos Trajano, a expectativa é que seja considerado semi-imputável, o que provocaria redução de pena. A aposta do defensor é que sejam diagnosticados nos exames seqüelas de trauma de infância (semi-imputabilidade) e também dependência química.

"Acreditamos que ele tem doença toxicológica e isso pode levar à semi-imputabilidade. Tem ainda os traumas manifestados ao longo de toda sua vida", disse o defensor. Os traumas seriam conseqüências da morte brutal do pai de Mohammed, que era policial quando foi assassinado. Ele teve os olhos e órgãos genitais arrancados. O crime aconteceu há 18 anos e até hoje não teve solução.

Pelos crimes de homicídio qualificado (motivo fútil e utilizando-se de emboscada), destruição e ocultação de cadáver e corrupção ativa (ele confessou ter oferecido R$ 70 mil de propina aos policiais para que o deixassem livre), Mohammed pode ser condenado a 45 anos de prisão, caso seja diagnosticado normal.

Se for considerado semi-inimputável, pode ter sua pena reduzida de 1/3 a 2/3, conforme a legislação. Já se for inimputável, é automaticamente absolvido e encaminhado para tratamento psicológico.

Na audiência, que durou pouco menos de duas horas, Mohammed pareceu lúcido e tranqüilo. Cabisbaixo, respondeu a todas as perguntas e confirmou tudo que havia sido apurado. Ele confessou ter matado Cara Burke a facadas, esquartejado o corpo e jogado as partes em lugares diferentes.

Contou que agiu sozinho, apenas pegou o carro de um amigo emprestado, e justificou o crime pelo fato de estar se drogando há quatro dias seguidos. "Se não tivesse muito doido, não teria feito isso não. A gente se dava bem. Não sabia o que estava fazendo", disse ao juiz.

Ele contou que, depois de ter matado a estudante inglesa, continuou se drogando numa festa e mesmo depois, quando esquartejava a garota. "Cada parte que eu cortava, ia ao quarto, cheirar cocaína. Estava desesperado, precisava me livrar do corpo", relatou.

Mohammed está preso no complexo prisional de Aparecida de Goiânia. Ele ainda é mantido em isolamento, devido à necessidade de garantir a sua integridade física. A data do possível julgamento não foi confirmada. "Não sabemos ainda, mas esperamos que até abril tudo esteja resolvido", disse o juiz.

Memória
De acordo com a denúncia do Ministério Público, Mohammed matou a facadas a inglesa Cara Marie Burke no dia 26 de julho, às 17h30, em um apartamento no Setor Universitário. Ele arrastou o corpo até o banheiro do apartamento e o deixou lá a noite toda, enquanto participava de uma festa. No dia seguinte, ele esquartejou o cadáver e, no carro emprestado de um amigo, ocultado as partes do corpo.

Primeiro ele levou uma mala com a cabeça e membros da vítima. As partes foram acondicionadas em sacos de lixo e jogadas no Ribeirão Sozinha, no município de Bonfinópolis (33 km de Goiânia), na tarde do dia seguinte ao homicídio.

O tronco foi colocado em uma mala e jogado à noite, às margens do Rio Meia Ponte, região leste de Goiânia. O corpo foi encontrado no dia 29 de julho e os membros apenas nos 3 e 4 de agosto.

Mohammed foi preso na madrugada do dia de 31 de julho e, no dia 21 de agosto, Jesseir Coelho de Alcântara converteu sua prisão de temporária para preventiva. No mês passado teve a primeira audiência na Justiça, quando ganhou o direito de fazer o exame de sanidade mental.

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