Mortos chegam a 86 em SC, mas podem passar de cem, diz Defesa Civil

Do UOL Notícias*
Em São Paulo (SP)

Atualizada às 17h55

A Defesa Civil de Santa Catarina estima em mais de cem os mortos em decorrência das chuvas no Estado. Até as 17h10 desta quarta-feira, foram contabilizadas 86 mortes e 30 pessoas estavam desaparecidas. Pelo balanço oficial, há 78.656 desalojados e desabrigados, sendo 27.404 desabrigados e 51.252 desalojados. Cerca de 80 mil imóveis do Estado estão sem energia elétrica.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinará nesta quarta-feira (26) a medida provisória que destina R$ 1,6 bilhão para os Estados atingidos por enchentes. Os recursos serão destinados para os Estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo. Lula sobrevoou o Vale do Itajaí e o litoral de Santa Catarina, acompanhado do ministro da Defesa, Nelson Jobim, e do governador do Estado, Luiz Henrique da Silveira (PMDB).

Pela manhã, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, anunciou medidas para socorrer os atingidos pelas chuvas em Santa Catarina. O ministério disponibilizará R$ 100 milhões para medidas preventivas contra doenças endêmicas relacionadas a enchentes - hepatite e leptospirose, por exemplo -, 17 toneladas de medicamentos para atender uma demanda de 90 mil pessoas por um período de três meses e um hospital de campanha - em local ainda não definido - para atuar como centro de triagem.

Segundo levantamento do site Contas Abertas, a União gastou apenas 26% das verbas destinadas ao programa de prevenção e preparação para emergências e desastres com prevenção. O governo federal repassou, em 2008, R$ 2,4 milhões para serem usados em obras preventivas, como contenção de encostas e canalização de córregos, para Santa Catarina, enquanto mais de R$ 7,4 milhões, por exemplo, foram encaminhados por meio do programa de "resposta aos desastres" para o Estado, ou seja, o triplo de recursos para remediar, e não prevenir (leia íntegra do levantamento).

Situação dos municípios
Sete municípios permanecem isolados - São Bonifácio, Luiz Alves, São João Batista, Rio dos Cedros, Garuva, Itapoa e Benedito Novo. Em nove, os prefeitos declararam Estado de Calamidade Pública - Gaspar, Rio dos Cedros, Nova Trento, Camboriú, Benedito Novo, Pomerode, Luis Alves, Itajaí e Rodeio.

Embora não conste da lista da Defesa Civil, o prefeito de Blumenau, João Paulo Kleinübing (DEM), afirmou que decretou estado de calamidade pública no município.

O conselho diretor do Banco do Brasil aprovou hoje uma série de medidas emergenciais para apoio aos moradores das regiões atingidas pelas enchentes em Santa Catarina.


Estragos
O prefeito de Blumenau, uma das cidades mais atingidas, afirmou que irá levar comida e mantimentos de helicóptero para as vítimas das enchentes. Itajaí amanheceu nesta terça-feira (25) com 90% de sua extensão inundada. Em apenas um dos bairros - o Fazenda - a água não invadiu as casas. Pelo menos duas pessoas morreram - uma por afogamento e outra eletrocutada. Cerca de mil estão desabrigados e dois mil estão desalojados.

Cerca de 400 turistas que estavam ilhados em um parque aquático no município de Gaspar, uma das cidades mais atingidas, se recusaram a entrar em dois helicópteros do Corpo de Bombeiros e seguiram, na tarde desta terça-feira, para o centro da cidade à pé, por uma trilha na mata aberta, escoltados por bombeiros.

O governo federal anunciou que vai liberar cerca de R$ 40 milhões para a recuperação das rodovias federais danificadas. No Paraná, um novo deslizamento impede a liberação da BR-376.

Veja a situação das cidades mais afetadas pela chuva (passe o mouse sobre a cidade para mais informações)





Na madrugada de ontem, segundo a Defesa Civil de Santa Catarina, as chuvas foram menos intensas. Choveu principalmente no litoral, mas os índices pluviométricos não passavam de 1 milímetro por hora, o que é uma chuva considerada de intensidade pequena. Os índices mais preocupantes são aqueles que passam dos 10 milímetros por hora, segundo a Defesa Civil.

O Exército deslocou 500 militares para prestar socorro às vítimas das enchentes em Blumenau e trabalha com o auxílio de quatro aeronaves, 17 caminhões e 12 barcos para recolher grupos isolados em vários pontos da cidade. Um deslizamento de terra no começo da manhã de hoje atrapalhou os trabalhos de reparo na rede elétrica. A recomendação do Exército é de que as pessoas evitem sair às ruas. Uma pessoa também morreu em Guaratuba, cidade do Paraná.

Em Itajaí, deslizamentos, alagamentos e malha viária danificada deixam 1.200 desabrigados e 2.000 desalojados. A cidade contabiliza duas mortes nesta terça. O secretário da Infra-Estrutura de Santa Catarina, Romualdo Theophanes França, informou que as chuvas irão atrasar obras do PAC no Estado.

Confira a situação dos demais municípios

Diversos trechos de rodovias estaduais e federais estão interditados por causa de deslizamentos e queda de barreiras. Ainda há risco de aciedentes, por isso, a Defesa Civil orienta a população a usar seus veículos apenas em casos de emergência.

Prejuízos econômicos
Além das mortes e das milhares de pessoas desabrigadas, as chuvas também trouxeram prejuízos econômicos ao Estado. O setor de turismo e transporte já foram afetados. O porto de Itajaí, o maior do Estado, está fechado desde a última quinta-feira (20).

Com as interdições o acesso a Balneário Camboriú, um dos principais destinos turísticos do Estado, já ficou prejudicando, gerando prejuízo principalmente na rede hoteleira.

Moradores começaram a saquear supermercados e residências e a polícia teve que reforçar a segurança nas cidades mais afetadas pela chuva. Segundo o secretário de Segurança, Ronaldo Benedet, os furtos não se referem somente a objetos de necessidade, como alimentos e roupas, mas a produtos sem utilidade para a situação, como eletrodomésticos.

Ajuda de outros Estados e doações
Diversos Estados enviaram reforços e ajuda para Santa Catarina. Os governos de São Paulo e Minas Gerais encaminharam na tarde de segunda (24) quatro unidades para auxiliar nos trabalhos de resgate. Na tarde desta terça, São Paulo enviou mais um helicóptero para auxiliar nas buscas por vítimas. O governo federal enviou ministros, como José Gomes Temporão (Saúde), ao Estado.

Cestas básicas, colchões, cobertores e kits de higiene estão sendo entregues às famílias atingidas pela chuva. A Defesa Civil distribui alimentos, água potável e medicamentos. Em Florianópolis, doações podem ser feitas no Portal do Turismo, Assembléia Legislativa e Procon. No interior do Estado, os produtos devem ser encaminhados aos abrigos, Defesa Civil e prefeituras. O governo pede prioridade à doação de água potável para as cidades atingidas, como Itajaí, onde a falta de água é crítica.

A Cruz Vermelha Brasileira e a Comdec (Coordenadoria Municipal da Defesa Civil-SP) também anunciaram a criação de postos para arrecadar doações para as vítimas das chuvas que atingem Santa Catarina. A arrecadação vai funcionar 24 horas na sede da Comdec, na rua Afonso Pena, 130, no bairro Bom Retiro, e na sede da Cruz Vermelha Brasileira, na avenida Moreira Guimarães, 699, no bairro Saúde. As defesas civis das subprefeituras receberão doações em horário comercial

A recomendação é de que produtos de limpeza não sejam misturados com alimentos e roupa. Os alimentos devem estar dentro da validade, de preferência não perecíveis e com a embalagem em boas condições.

Para quem deseja ajudar as vítimas com doações em dinheiro, a Defesa Civil disponibilizou três contas correntes: no Banco do Brasil, a agência é 3582-3, conta corrente 80.000-7; no Besc, agência 068-0, conta corrente 80.000-0; e no Bradesco S/A - 237, agência 0348-4, conta corrente 160.000-1. O nome da pessoa jurídica é Fundo Estadual da Defesa Civil, CNPJ - 04.426.883/0001-57.

Sem abastecimento de gás
As chuvas também causaram desabastecimento de gás natural no Estado: houve redução de 72% devido a três acidentes em Gaspar, Blumenau e São Pedro de Alcântara. Com as interrupções, não há fornecimento também para o Rio Grande do Sul.

Apenas estão recebendo o produto os municípios do Norte de Santa Catarina. A ruptura mais grave aconteceu no distrito de Belchior, em Blumenau, no gasoduto Brasil-Bolívia (Gasbol). O conserto deve levar pelo menos 20 dias em razão das dificuldades de acesso ao local. Não há estradas e será necessário construir um desvio de 300 metros na rede, pois o morro em que a estrutura passava não oferece segurança.

*Com agências Estado e Brasil e Folha Online

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