Mortos chegam a 97 em Santa Catarina; 19 estão desaparecidos

Do UOL Notícias*
Em São Paulo (SP)

Atualizada às 22h44

A Defesa Civil de Santa Catarina já contabilizou 97 mortes em decorrência das chuvas que atingiram o Estado. O órgão, que havia divulgado a morte de 99 pessoas, informou que dois óbitos foram equivocadamente repassados pela Prefeitura de Luis Alves. Pelo balanço oficial, 19 pessoas ainda estão desaparecidas. Ao todo são 78.656 desalojados e desabrigados, sendo 27.404 desabrigados e 51.252 desalojados. Cerca de 80 mil imóveis do Estado estão sem energia elétrica.

O governo federal editou uma medida provisória que destina R$ 1,6 bilhão para os Estados atingidos por enchentes. Os recursos serão destinados para os Estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo. Lula sobrevoou o Vale do Itajaí e o litoral de Santa Catarina, acompanhado do ministro da Defesa, Nelson Jobim, e do governador do Estado, Luiz Henrique da Silveira (PMDB).

A secretaria Estadual de Infra-Estrutra de Santa Catarina já divulgou que serão necessários cerca de R$ 250 milhões para recuperar os estragos causados pelas chuvas no setor de infra-estrutura do Estado, como, por exemplo, portos e estradas.

Pela manhã, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, anunciou medidas para socorrer os atingidos pelas chuvas em Santa Catarina. O ministério disponibilizará R$ 100 milhões para medidas preventivas contra doenças endêmicas relacionadas a enchentes - hepatite e leptospirose, por exemplo -, 17 toneladas de medicamentos para atender uma demanda de 90 mil pessoas por um período de três meses e um hospital de campanha - em local ainda não definido - para atuar como centro de triagem.

Segundo levantamento do site Contas Abertas, a União gastou apenas 26% das verbas destinadas ao programa de prevenção e preparação para emergências e desastres com prevenção. O governo federal repassou, em 2008, R$ 2,4 milhões para serem usados em obras preventivas, como contenção de encostas e canalização de córregos, para Santa Catarina, enquanto mais de R$ 7,4 milhões, por exemplo, foram encaminhados por meio do programa de "resposta aos desastres" para o Estado, ou seja, o triplo de recursos para remediar, e não prevenir (leia íntegra do levantamento).

Situação dos municípios
A cidade que concentra mais mortes é Ilhota, com 29 casos, em seguida está Blumenau, com 20 mortes. Gaspar contabiliza 15 vítimas; Jaraguá do Sul, 13; Luis Alves, cinco; Rodeio, quatro; Rancho Queimado, Benedito Novo e Itajaí, duas mortes cada; e Brusque, Pomerode, Bom Jardim da Serra, São Pedro de Alcântara e Florianópolis têm uma morte cada.

Seis municípios permanecem isolados - São Bonifácio, São João Batista, Rio dos Cedros, Garuva, Itapoa e Benedito Novo. Segundo a Defesa Civil, Luis Alves saiu do estado de isolamento. Em nove, os prefeitos declararam Estado de Calamidade Pública - Gaspar, Rio dos Cedros, Nova Trento, Camboriú, Benedito Novo, Pomerode, Luis Alves, Itajaí e Rodeio. Embora não conste da lista da Defesa Civil, o prefeito de Blumenau, João Paulo Kleinübing (DEM), afirmou que decretou estado de calamidade pública no município.

O conselho diretor do Banco do Brasil aprovou hoje uma série de medidas emergenciais para apoio aos moradores das regiões atingidas pelas enchentes em Santa Catarina.


Estragos
O prefeito de Blumenau, uma das cidades mais atingidas, afirmou que irá levar comida e mantimentos de helicóptero para as vítimas das enchentes. Segundo a Defesa Civil, mais de 18 mil residências estão danificadas e 150 mil pessoas estão sem energia elétrica.

O Exército deslocou 500 militares para prestar socorro às vítimas das enchentes em Blumenau. Um deslizamento de terra no começo da manhã de hoje atrapalhou os trabalhos de reparo na rede elétrica.

Cerca de 400 turistas estavam ilhados em um parque aquático no município de Gaspar - que conta 2.500 pessoas desabrigadas. A recomendação do Exército é de que as pessoas evitem sair às ruas. Uma pessoa também morreu em Guaratuba, cidade do Paraná.

Confira a situação de todos os municípios

O governo federal anunciou que vai liberar cerca de R$ 40 milhões para a recuperação das rodovias federais danificadas. No Paraná, um novo deslizamento impede a liberação da BR-376.

Diversos trechos de rodovias estaduais e federais estão interditados por causa de deslizamentos e queda de barreiras. Ainda há risco de aciedentes, por isso, a Defesa Civil orienta a população a usar seus veículos apenas em casos de emergência.

Prejuízos econômicos
Além das mortes e das milhares de pessoas desabrigadas, as chuvas também trouxeram prejuízos econômicos ao Estado. O setor de turismo e transporte já foram afetados. O porto de Itajaí, o maior do Estado, está fechado desde a última quinta-feira (20).

Com as interdições o acesso a Balneário Camboriú, um dos principais destinos turísticos do Estado, já ficou prejudicando, gerando prejuízo principalmente na rede hoteleira.

Moradores saquearam supermercados e residências e a polícia teve que reforçar a segurança nas cidades mais afetadas pela chuva.

Doações
Cestas básicas, colchões, cobertores e kits de higiene estão sendo entregues às famílias atingidas pela chuva. A Defesa Civil distribui alimentos, água potável e medicamentos. Em Florianópolis, doações podem ser feitas no Portal do Turismo, Assembléia Legislativa e Procon. No interior do Estado, os produtos devem ser encaminhados aos abrigos, Defesa Civil e prefeituras. O governo pede prioridade à doação de água potável para as cidades atingidas, como Itajaí, onde a falta de água é crítica.

A Cruz Vermelha Brasileira e a Comdec (Coordenadoria Municipal da Defesa Civil-SP) também anunciaram a criação de postos para arrecadar doações para as vítimas das chuvas que atingem Santa Catarina. A arrecadação vai funcionar 24 horas na sede da Comdec, na rua Afonso Pena, 130, no bairro Bom Retiro, e na sede da Cruz Vermelha Brasileira, na avenida Moreira Guimarães, 699, no bairro Saúde. As defesas civis das subprefeituras receberão doações em horário comercial

A recomendação é de que produtos de limpeza não sejam misturados com alimentos e roupa. Os alimentos devem estar dentro da validade, de preferência não perecíveis e com a embalagem em boas condições.

Para quem deseja ajudar as vítimas com doações em dinheiro, a Defesa Civil disponibilizou três contas correntes: no Banco do Brasil, a agência é 3582-3, conta corrente 80.000-7; no Besc, agência 068-0, conta corrente 80.000-0; e no Bradesco S/A - 237, agência 0348-4, conta corrente 160.000-1. O nome da pessoa jurídica é Fundo Estadual da Defesa Civil, CNPJ - 04.426.883/0001-57.

Sem abastecimento de gás
As chuvas também causaram desabastecimento de gás natural no Estado: houve redução de 72% devido a três acidentes em Gaspar, Blumenau e São Pedro de Alcântara.

Com as interrupções, o fornecimento ao Rio Grande do Sul também está prejudicado desde a tarde de segunda-feira. Apenas 1% do volume disponibilizado normalmente pela Sulgás (companhia responsável pelo abastecimento comercial em todo o Estado) está chegando à população. Segundo informações da empresa, só estão recebendo o produto hospitais e alguns estabelecimentos comerciais.

Em Santa Catarina, apenas estão recebendo o produto os municípios da região norte. A ruptura mais grave aconteceu no distrito de Belchior, em Blumenau, no gasoduto Brasil-Bolívia (Gasbol). O conserto deve levar pelo menos 20 dias em razão das dificuldades de acesso ao local. Não há estradas e será necessário construir um desvio de 300 metros na rede, pois o morro em que a estrutura passava não oferece segurança.

*Com agências Estado e Brasil e Folha Online

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