No Espírito Santo, chuvas em novembro batem recorde dos últimos 84 anos

Geraldo Ramos
Especial para o UOL Notícias
Em Vitória (ES)

O mês de novembro na região metropolitana de Vitória, no Espírito Santo, já acumula o maior volume de chuvas dos últimos 84 anos, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Em Vitória, para todo este mês, eram esperados, no máximo, 170 mm de chuva. Até ontem, choveu 574 mm. Cidades como São Mateus e Linhares, na região norte do Estado, também já registram percentuais entre 50% e 60% de chuva acima do esperado para o mês. No momento não chove no Espírito Santo, mas o tempo permanece fechado nos próximos dias, com risco de chuva forte na próxima sexta-feira, segundo a previsão.

Oito cidades decretaram situação de emergência por conta dos prejuízos causados pela chuva, em todas as regiões do Estado: Vila Velha, na região metropolitana; Marechal Floriano e Domingos Martins, na região serrana do Estado; Baixo Guandu e Pancas, na região norte; e Vargem Alta, Iconha e Itapemirim, na região sul.

Desde a última sexta-feira (21), os temporais já provocaram desabamentos de casas, deslizamentos de encostas sobre rodovias federais e estaduais, interdição de avenidas devido a alagamentos em centros urbanos, além de prejuízos na agricultura. Nas cidades do interior, houve prejuízo a estradas vicinais com deslizamento de barreiras, dificultando o escoamento da produção agrícola.

O levantamento oficial da Defesa Civil estadual mostra 410 desalojados e 336 desabrigados em todo o Espírito Santo, porém muitas famílias que se encontram em casas de parentes e amigos ainda não procuraram ou não receberam a visita das Defesas Civis municipais.

Serra é o município que têm mais registros oficiais de transtornos com 196 desabrigados ou desalojados. Mas dezenas de famílias também tiveram que deixar suas residências em Vila Velha, Vargem Alta e Viana. Os números das Defesas Civis dos municípios e de associações de moradores de bairros atingidos não são exatos sobre as pessoas que estão em casas de familiares e não constam nos relatórios.

Escolas, creches, igrejas e centros comunitários estão servindo de abrigos. As administrações municipais e estadual organizam a distribuição de cestas básicas, colchões, roupas, e lençóis para os desabrigados. Tratores também estão tentando recuperar estradas de terra nas cidades do interior, para permitir a circulação de veículos.

O governo do Estado, por meio da secretaria de Trabalho, Assistência e Desenvolvimento Social (Setades), está doando telhas, colchões, cobertores, cestas básicas. Foram beneficiadas aproximadamente 25 mil famílias em oito municípios.

Alagamentos
Até ontem, bairros inteiros de Vila Velha e da Serra ainda estavam alagados, apesar de a chuva ter diminuído.

"Quero saber como vão resolver esse problema. Onde estão as autoridades? Onde estão, meu Deus. Tem muita gente, aqui, que perdeu tudo o que tinha. Geladeiras, móveis. Como isso vai ficar?", reclamou a autônoma Regina Cláudia, moradora da Serra.

O pedreiro Maciel Rangel também reclamava da falta de assistência e pedia providências da Defesa Civil. "Toda a vez que chove aqui alaga, mas desse jeito nunca vi. Onde está a Defesa Civil?", questionou.

Em Vila Velha, até o Exército foi para as ruas, ontem, ajudar na transferências das pessoas desalojadas ou desabrigadas. Sete escolas foram preparadas para receber quem precisasse de lugar para ficar.

Mais chuva
Nesta quarta-feira, o Espírito Santo recebeu um novo alerta de risco de chuva forte até o próximo domingo. O aviso foi emitido pela Secretaria Nacional de Defesa Civil (Sedec), do Ministério da Integração Nacional, e inclui, também, os Estados do Rio de Janeiro e de São Paulo.

As análises do Centro de Estudos Climáticos e Previsão do Tempo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Cptec/Inpe) apontam para chuva forte na próxima sexta-feira e sábado.

Entre hoje e domingo, o total de chuva por dia pode superar os 60 milímetros.

A Sedec recomendou atenção especial nas áreas de encostas e morros porque o solo já está bastante encharcado. "Com o solo encharcado, há mais chances de ocorrerem deslizamentos e quedas de barreiras, e os locais de alagamento podem surgir mais facilmente, principalmente em áreas onde já houve esse tipo de problema", observou o coronel Álvaro Duarte, coordenador da Defesa Civil estadual.

No alerta emitido pela Sedec, em alguns momentos, a chuva forte pode ser acompanhada de descargas elétricas, exigindo mais atenção dos moradores e autoridades.

Meteorologista explica
Segundo o meteorologista Olivio Bahia do Sacramento Neto, do Cptec, a chuva que acontece no Espírito Santo está sendo provocada por um sistema meteorológico chamado Zona de Convergência do Atlântico Sul, quando há uma forte nebulosidade no Atlântico convergindo com o ar quente e úmido que vem da região norte do país. A zona de convergência deveria se deslocar, não fosse um bloqueio atmosférico na região sul do país, mantendo as chuvas na mesma região por muito tempo.

"A zona de convergência é um fenômeno normal e pode ocorrer de permanecer no mesmo lugar por muito tempo, como está acontecendo. Ontem e hoje, essa zona se desfez, mas ela deve se recompor de amanhã para sexta e provocar mais chuvas fortes", explicou Olivio.

Rodovias
A BR 101 Norte, no km 214, em Ibiraçu, ficou sete horas interditada por conta das péssimas condições da pista provocadas pelas chuvas dos últimos dias.

Motoristas passaram horas em um congestionamento que chegou até o centro da cidade. A interdição começou por volta do meio dia, e foi necessária para que o Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (Dnit) pudesse fazer o trabalho provisório na área.

Somente por volta das 19 horas desta quarta a via foi liberada. Este é o trecho mais crítico das rodovias federais de acordo com o Dnit, que ainda vai continuar a recuperação da pista depois que o tempo estabilizar.

Outros trechos da BR 101 norte estão recebendo serviços paleativos para tapar buracos em pontos críticos. O mesmo acontece em parte da BR 262.

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