RS sofre com falta de abastecimento de gás após chuvas em SC

Flávio Ilha
Especial para o UOL Notícias
Em Porto Alegre (RS)

O fornecimento de gás natural no Rio Grande do Sul está limitado desde a tarde de segunda-feira a 1% do volume disponibilizado normalmente pela Sulgás, companhia responsável pelo abastecimento comercial em todo o Estado. Segundo informações da empresa, só estão recebendo o produto hospitais e alguns estabelecimentos comerciais.

O volume de abastecimento diário caiu de 1,4 milhão de metros cúbicos para 15 mil metros em função de um acidente com a tubulação da TBG (Transportadora Brasileira Gasoduto S.A.) no município de Gaspar, em função das chuvas que assolam Santa Catarina. Num comunicado à imprensa, a companhia de gás disse que não há previsão para a retomada do abastecimento.

Postos de combustíveis nas maiores cidades do Estado, como Porto Alegre e Caxias do Sul, estão sem o produto desde a noite passada, prejudicando especialmente a frota de táxis. Só na região metropolitana de Porto Alegre são 36 postos de abastecimento. Na região da serra, outros 10. Todos estão sem o produto.

O sindicato dos taxistas já pediu à prefeitura da capital um a autorização para utilizar bandeira 2 enquanto durar a interrupção no fornecimento. Isso acarretará um acréscimo de 30% da tarifa final paga pelos usuários.

No caso das indústrias que geram energia com gás, a solução foi trocar a matriz pelo óleo diesel ou pela energia elétrica. Os custos de abastecimento, segundo a Fiergs (Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul), podem ter impacto entre 15% e 30% sobre o preço do gás.

A Siderúrgica Gerdau informou que reduziu as atividades industriais nas unidades de Charqueadas e Sapucaia do Sul. Cerca de 75% do gás distribuído pela Sulgás são consumidos pela indústria gaúcha.

O diretor-técnico da companhia, Flávio Ricardo Soares, disse que um trecho de 200 metros da tubulação se rompeu em várias partes, obrigando a construção de um desvio. A TBG, que administra o transporte do gás, informou que o conserto vai exigir 21 dias de trabalho. Durante esse período, as empresas envolvidas no fornecimento para RS e SC elaboraram um plano de contingência que prevê o fornecimento de 30 mil metros cúbicos diários de gás natural comprimido. Será usado combustível retido no duto depois da interrupção.

Não existe alternativa para o Rio Grande do Sul ao gás que vem de Santa Catarina através do gasoduto rompido. "Quando terminar nas tubulações, vai faltar", lamentou o secretário de Infra-estrutura do Estado, Daniel de Andrade. O secretário criticou o desinteresse do governo federal em construir um gasoduto que abastecesse o Rio Grande do Sul com produto argentino. "Isso poderia nos livrar da dependência do gás boliviano", disse.

Cerca de 100 pessoas estão envolvidas na operação de reparo ao dano, segundo informou a TBG. Serão utilizados helicópteros, escavadeiras, geradores, carretas de iluminação, tubos, máquinas de solda, bombas de sucção e outros equipamentos. Trabalham no local 50 pessoas da TBG e outras 50 de empresas fornecedoras e profissionais do sistema Petrobras. O conserto será executado continuamente em turnos de 12 horas.

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