SC calcula prejuízo de R$ 250 mi só com infra-estrutura; governo federal libera quase R$ 2 bi

Do UOL Notícias*
Em São Paulo (SP)

A secretaria estadual de Infra-Estrutura de Santa Catarina divulgou nesta quarta-feira (26) que serão necessários cerca de R$ 250 milhões para recuperar os estragos causados pelas chuvas no setor de infra-estrutura do Estado, como, por exemplo, portos e estradas.

O valor estimado do prejuízo foi divulgado pelo governador do Estado, Luiz Henrique (PMDB), em entrevista concedida pela manhã. "O Brasil está solidário com Santa Catarina e vamos reconstruir o que for necessário para receber os turistas na temporada de verão", disse Luiz Henrique.


Uma medida provisória editada pelo Palácio do Planalto nesta quarta-feira destina R$ 1,6 bilhão para os Estados atingidos por enchentes. Os recursos serão enviados para os Estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo.

Desse montante, R$ 720 milhões serão destinados à Defesa Civil, R$ 350 milhões à recuperação de portos, R$ 280 milhões à recuperação de estradas, R$ 150 milhões a ações das Forças Armadas e R$ 100 milhões a ações de saúde.

Santa Catarina ficará com o total previsto para as áreas de saúde e de portos. Dos R$ 280 milhões voltados para a recuperação de estradas, R$ 129 milhões irão também para o Estado, e a estimativa preliminar do Ministério da Integração Nacional é de que Santa Catarina receba R$ 100 milhões da parte destinada à Defesa Civil.

Na área da saúde, o ministro José Gomes Temporão afirmou que vai destinar R$ 100 milhões para recuperar postos e hospitais. Para a infra-estrutura viária, foram garantidos pelo menos R$ 300 milhões. "Há recursos suficientes. Felizmente, a União está atendendo à população de imediato", avalia o vice-governador, Leonel Pavan.

Segundo ele, até o meio-dia desta quarta-feira (26), 15 toneladas de mantimentos foram entregues. Até o fim de estado de emergência, serão 200 toneladas, de acordo com Pavan.

Além dos recursos que virão por meio de medida provisória (R$ 1,6 bilhão), o Ministério da Fazenda está fazendo aporte específico de R$ 370 milhões para o governo do Estado de Santa Catarina, por meio de títulos públicos.

Segundo a assessoria de imprensa do governo estadual, Santa Catarina espera receber R$ 340 milhões do governo federal já nos próximos dias.

Sobrevôo
Nesta quarta, Lula sobrevoou o Vale do Itajaí e o litoral de Santa Catarina, acompanhado do ministro da Defesa, Nelson Jobim, e do governador Luiz Henrique.

O trajeto incluiu uma vistoria nos municípios de Ilhota, Gaspar, Blumenau, Luiz Alves e Itajaí. Nesses locais, morreram, respectivamente, 18, 15, 20, cinco e duas pessoas. No total, 86 mortes foram confirmadas no Estado, mas a Defesa Civil estima que o número passe de cem.

Após o sobrevôo, o presidente disse que ficou impressionado ao ouvir do governador do Estado que o nível da água que invadiu as casas baixou. "Passei por locais totalmente cheios de água. Fiquei sabendo que terça-feira não se via nem parte dos telhados", surpreendeu-se.

Segundo Lula, esta é uma das maiores tragédias acontecidas no país. Ele relembrou enchentes que viveu quando morou na periferia de São Paulo. "Já acordei meia-noite com água batendo no colchão e ajudei gente de madrugada, mas nunca vi uma situação como essa", contou.

Polícia protege alimentos para vítimas

  • Ouça o relato de locutor de rádio de Itajaí

O presidente alertou ainda para a necessidade em se aparelhar as defesas civis estaduais e municipais. "Quando compramos um helicóptero, perguntam para quê gastar dinheiro com isso. Quando os governadores colocam seus helicópteros aqui é que tomamos consciência de que é importante estar prevenido. Muitas vezes a gente não coloca o recurso suficiente na Defesa Civil porque estamos sempre pensando que vai acontecer na cidade ou no Estado dos outros, e não na nossa casa", provocou.

Temendo pelo constrangimento, o governador do Estado afirmou que o órgão é bem estruturado em Santa Catarina. "O que acontece é que foram 30 municípios em estado de emergência, ao longo de um território que compreende 1 milhão e quinhentas mil pessoas. Temos muitos desabrigados e todos receberam cuidados, exceto aqueles que estão em pontos isolados", fez questão de esclarecer. Diante da possível saia justa, o presidente reconheceu que, mesmo estando preparado, seria "humanamente impossível" evitar uma catástrofe com tais proporções.

Devido ao mau tempo, o presidente não conseguiu desembarcar em Blumenau, mas prometeu visitar todos os municípios afetados em breve. O presidente lembrou que o Banco do Brasil deve conceder empréstimos a empresários e agricultores que tiverem sofrido perdas com a enxurrada.

Segundo Lula, a precaução no momento é salvar quem está isolado e afastar o risco de contaminações. Ele disse que, às 7 horas desta quinta-feira, uma aeronave Hércules com dez toneladas de medicamentos deve pousar em solo catarinense. No Estado, o presidente afirmou ainda que o Ministério da Defesa está planejando a criação de um batalhão de defesa civil.

Logo no início da coletiva, Lula aproveitou para alfinetar os governos que não assinaram o Protocolo de Kyoto. "A gente um dia vai ter a noção de como num momento como esses acontece, uma catástrofe como essa. Certamente, eu acredito que essas coisas que acontecem no mundo estão ligadas a questão de mudanças climáticas, detectada em tantos lugares", disse.

*Com informações da Agência Estado e de Luiz Nunes, colaborador de Florianópolis

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