Chuvas devem diminuir, mas Santa Catarina mantém estado de alerta no Vale do Itajaí

Do UOL Notícias
Em São Paulo*

O tempo no Vale do Itajaí, região catarinense mais afetada pelas chuvas dos últimos dias, deve melhorar nos próximos dias, com abertura de sol e pancadas de chuva isoladas. Mas o risco de novos alagamentos e desabamentos em decorrência dos temporais do fim de semana fez a Secretaria Nacional de Defesa Civil (Sedec) manter o estado de alerta na região. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

"A preocupação é mais pela situação da região do que pelo que vai acontecer", disse o meteorologista Olívio Bahia do Sacramento Neto, do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). "A área está crítica, com muitos locais alagados. As encostas também estão encharcadas. O padrão do alerta foi mantido para que a população não volte para as áreas de risco."

A previsão do CPTEC, que alimenta a Sedec com dados de todo o Brasil, é de sol entre nuvens e chuvas isoladas na região de Santa Catarina para os próximos três dias. "Ainda tem muita umidade vindo do oceano e na atmosfera, mas a tendência é entrar no padrão que a gente chama de normal, com chuvas isoladas".

19 pessoas ainda estão desaparecidas
Bombeiros continuam hoje as buscas por 19 pessoas que estão desaparecidas no Estado. Até a manhã de hoje, a Defesa Civil do Estado contava 97 mortos. Ao todo são 78.656 desalojados e desabrigados, sendo 27.404 desabrigados e 51.252 desalojados. Cerca de 64 mil imóveis estão sem energia elétrica. Entre os mortos, oito são crianças com menos de 10 anos.

Ontem, o governo federal editou uma medida provisória que destina R$ 1,6 bilhão para os Estados atingidos por enchentes. Os recursos serão destinados para os Estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo. Lula sobrevoou o Vale do Itajaí e o litoral de Santa Catarina, acompanhado do ministro da Defesa, Nelson Jobim, e do governador do Estado, Luiz Henrique da Silveira (PMDB).







A secretaria Estadual de Infra-Estrutra de Santa Catarina já divulgou que serão necessários cerca de R$ 250 milhões para recuperar os estragos causados pelas chuvas no setor de infra-estrutura do Estado, como, por exemplo, portos e estradas.

Pela manhã, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, anunciou medidas para socorrer os atingidos pelas chuvas em Santa Catarina. O ministério disponibilizará R$ 100 milhões para medidas preventivas contra doenças endêmicas relacionadas a enchentes - hepatite e leptospirose, por exemplo -, 17 toneladas de medicamentos para atender uma demanda de 90 mil pessoas por um período de três meses e um hospital de campanha - em local ainda não definido - para atuar como centro de triagem.

Segundo levantamento do site Contas Abertas, a União gastou apenas 26% das verbas destinadas ao programa de prevenção e preparação para emergências e desastres com prevenção. O governo federal repassou, em 2008, R$ 2,4 milhões para serem usados em obras preventivas, como contenção de encostas e canalização de córregos, para Santa Catarina, enquanto mais de R$ 7,4 milhões, por exemplo, foram encaminhados por meio do programa de "resposta aos desastres" para o Estado, ou seja, o triplo de recursos para remediar, e não prevenir (leia íntegra do levantamento).



Casas vazias são assaltadas em Itajaí
Há dois dias, a família de Alcendino Pereira, de 84 anos, dorme preocupada com o medo de saques. À meia-noite, homens de barco começaram a rondar a sua casa, em Itajaí, ainda com quase 1 metro debaixo d"água por causa das enchentes. Muita coisa foi perdida, mas outro tanto pode ser salvo no andar superior. Os saqueadores sabem disso e estão aproveitando as casas vazias para furtar o que podem.

"Eles começavam a falar qualquer coisa para ver se tem gente na casa", lembra Ricardo Arno Bitencourt, de 57 anos, genro de Pereira. "A gente respondeu, sem nem abrir a janela. Então eles disseram: "Vocês não dormem cedo?" Eles queriam entrar." Por toda Itajaí e Navegantes, cidades em que as águas ainda encobrem bairros inteiros e abandonados, moradores estão ilhados para defender seus bens. "Ninguém do resgate veio para cá, só vocês (repórteres)", diz Pereira.

Para chegar às casas ainda submersas, é preciso ir de barco. Há propriedades aparentemente vazias, mas ao menor sinal de aproximação aparece alguém. Quem pode vai tentando limpar tudo aos poucos e recuperar o que as cheias não estragaram. Na casa de Pereira, guarda-roupas, armários, pia e colchões se perderam. Para o andar de cima foram levados televisores, geladeiras, fogões e até computadores dos vizinhos.

Em Luiz Alves, solidariedade
Mesmo com prazos de entrega apertados, a camisaria da família da empresária Sônia Hess, a Dudalina, a maior da América Latina, suspendeu as atividades em Luiz Alves e emprestou o gerador de energia elétrica para manter o funcionamento do hospital da cidade.

A pequena Luiz Alves - com cerca de 10 mil habitantes no Vale do Itajaí - não sofreu com as inundações, mas os desmoronamentos de terra mataram pelo menos quatro pessoas e deixaram a cidade isolada até o fim da tarde de ontem. Também houve corte no abastecimento de água e energia elétrica.

Por causa do empréstimo do gerador, o hospital conseguiu manter refrigerados alimentos para os pacientes e supriu toda a aparelhagem médica em funcionamento. "Nós vamos dar um jeito para honrar nossos compromissos, fazendo hora extra, transferindo a demanda para outras fábricas, mas não podíamos fazer nada diferente disso", explica Sônia.

Situação dos municípios
A cidade que concentra mais mortes é Ilhota, com 29 casos, em seguida está Blumenau, com 20 mortes. Gaspar contabiliza 15 vítimas; Jaraguá do Sul, 13; Luis Alves, cinco; Rodeio, quatro; Rancho Queimado, Benedito Novo e Itajaí, duas mortes cada; e Brusque, Pomerode, Bom Jardim da Serra, São Pedro de Alcântara e Florianópolis têm uma morte cada.

Seis municípios permanecem isolados - São Bonifácio, São João Batista, Rio dos Cedros, Garuva, Itapoa e Benedito Novo. Segundo a Defesa Civil, Luis Alves saiu do estado de isolamento. Em nove, os prefeitos declararam Estado de Calamidade Pública - Gaspar, Rio dos Cedros, Nova Trento, Camboriú, Benedito Novo, Pomerode, Luis Alves, Itajaí e Rodeio. Embora não conste da lista da Defesa Civil, o prefeito de Blumenau, João Paulo Kleinübing (DEM), afirmou que decretou estado de calamidade pública no município.

Confira a situação de todos os municípios

Doações
Cestas básicas, colchões, cobertores e kits de higiene estão sendo entregues às famílias atingidas pela chuva. A Defesa Civil distribui alimentos, água potável e medicamentos. Em Florianópolis, doações podem ser feitas no Portal do Turismo, Assembléia Legislativa e Procon. No interior do Estado, os produtos devem ser encaminhados aos abrigos, Defesa Civil e prefeituras. O governo pede prioridade à doação de água potável para as cidades atingidas, como Itajaí, onde a falta de água é crítica.

A Cruz Vermelha Brasileira e a Comdec (Coordenadoria Municipal da Defesa Civil-SP) também anunciaram a criação de postos para arrecadar doações para as vítimas das chuvas que atingem Santa Catarina. A arrecadação vai funcionar 24 horas na sede da Comdec, na rua Afonso Pena, 130, no bairro Bom Retiro, e na sede da Cruz Vermelha Brasileira, na avenida Moreira Guimarães, 699, no bairro Saúde. As defesas civis das subprefeituras receberão doações em horário comercial

A recomendação é de que produtos de limpeza não sejam misturados com alimentos e roupa. Os alimentos devem estar dentro da validade, de preferência não perecíveis e com a embalagem em boas condições.

Para quem deseja ajudar as vítimas com doações em dinheiro, a Defesa Civil disponibilizou três contas correntes: no Banco do Brasil, a agência é 3582-3, conta corrente 80.000-7; no Besc, agência 068-0, conta corrente 80.000-0; e no Bradesco S/A - 237, agência 0348-4, conta corrente 160.000-1. O nome da pessoa jurídica é Fundo Estadual da Defesa Civil, CNPJ - 04.426.883/0001-57.

*Com agências Estado e Brasil e Folha Online

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