Índios prometem resistir à ação da PF em Manaus

Do UOL Notícias
Em Manaus (AM)

Os mais de 500 indígenas que invadiram a sede da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) em Manaus há dois dias prometem resistir à ação de reintegração de posse concedida pela Justiça Federal na tarde desta quarta-feira (26). De acordo com o líder do grupo, o cacique da etnia Mura, Raimundo Alves, os 'guerreiros' indígenas já estão se preparando para um possível confronto. "Vamos às últimas conseqüências se for preciso", diz. Os índios estão armados com arcos, flechas e tacapes.

Nesta quarta-feira, a Justiça Federal do Amazonas concedeu liminar favorável à Funasa que pedia a reintegração de posse do prédio, invadido na última segunda-feira (24) por um grupo de 350 indígenas. O delegado regional executivo da Polícia Federal (PF) no Amazonas, Geraldo Scarpellini, disse ainda não ter sido notificado da decisão judicial. Segundo ele, a PF deverá solicitar ajuda da Polícia Militar para executar a reintegração de posse. "Ações envolvendo indígenas são sempre complicadas. Ainda estamos traçando nossa estratégia", disse Scarpellini.

De acordo com Raimundo Alves, os indígenas só deixarão o prédio após conversarem com o coordenador regional da Funasa no Amazonas, Pedro Paulo Coutinho, que já comunicou, por meio da assessoria de imprensa, que só aceita dialogar após a liberação do prédio. "A gente não vai sair. Se for preciso, a gente põe fogo no prédio todo. Não estamos dispostos a recuar. Nossos guerreiros estão se armando pra ação da Policia Federal", afirma.

Ainda segundo o cacique, representantes do movimento indígena foram comunicados por emissários da Funasa de que um representante do órgão em Brasília irá a Manaus negociar com as lideranças da invasão. "Estamos aguardando. Queremos o diálogo, mas se não for possível, vamos pro combate", afirma. A Funasa, contudo, não confirmou o envio de nenhum negociador a Manaus.

Na última segunda-feira (24), um grupo de 350 indígenas de 25 etnias diferentes invadiu o prédio da Funasa em Manaus. Nos últimos dias, o número de invasores chegou a mais de 500. Eles cobram maior participação na escolha dos coordenadores regionais do órgão, melhorias na prestação do atendimento médico nas aldeias e a manutenção dos convênios da ONG Associação Saúde sem Fronteiras, que presta serviços em Manaus. A Funasa, por sua vez, diz que não há como manter os convênios porque a ONG teve sua prestação de contas considerada irregular pela Justiça.

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