Reconstrução de estradas levará um mês, diz governador de Santa Catarina

Claudia Andrade
Do UOL Notícias*
Em Brasília

Atualizada às 20h03

O governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira (PMDB), afirmou nesta quinta-feira (27), após uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deverá levar um mês a reconstrução das estradas após os estragos provocados pelas chuvas que atingem o Estado. Em janeiro de 2009, segundo Luiz Henrique, os trechos destruídos estarão reconstruídos ou serão feitos desvios que permitam aos veículos trafegar nas rodovias.

Doze cidades tiveram decretado estado de calamidade pública em Santa Catarina, onde chuvas fortes atingem cerca de 1,5 milhão de pessoas desde a semana passada e já contabilizam 99 mortes, segundo o último boletim.

A Defesa Civil divulgou nesta quinta-feira (27) lista parcial com os nomes dos mortos na tragédia.

A Polícia Militar de Itajaí recomenda que os moradores não saiam de suas casas após as 22h. O objetivo é não atrapalhar a logística de distribuição de alimentos, medicamentos e roupas para os desabrigados pelas enchentes.

"Até o final de dezembro teremos desobstruído e recuperado as estradas que foram danificadas, para permitir a sua trafegabilidade. Vamos reconstruir o leito que foi danificado ou através de desvios de emergência", afirmou o governador.

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Ao longo dos últimos 40 anos, mais de 400 pessoas morreram em Santa Catarina vítimas de desabamentos, deslizamentos de terra e inundações decorrentes de fenômenos climáticos



Para o governador, é importante manter a entrada de recursos no Estado na temporada de verão. "Já em janeiro, na temporada de verão, teremos todas as condições de trafegabilidade das estradas, porque estamos trabalhando nisso desde já, para bem receber todos aqueles que vão procurar Santa Catarina, para gerar emprego e renda para nossa gente e não termos um desaquecimento da economia", avaliou.

Durante a reunião no Palácio do Planalto, o governador também falou com o presidente Lula sobre a possibilidade de criação de uma linha de crédito emergencial para as vítimas das enchentes. "Está sendo estudada uma linha de crédito para aquelas pessoas que, comprovadamente, perderam seus bens durante esse trágico evento", disse Luiz Henrique.

O governador destacou que a reconstrução das áreas destruídas pelas chuvas será possível graças aos recursos liberados pelo governo federal, por meio da medida provisória editada nesta quarta-feira (que destinou R$ 1,6 bilhão a todos os Estados atingidos por enchentes), e também pela "solidariedade das comunidades", por meio de doações.

"Com isso, nós vamos rapidamente reconstruir as partes que foram destruídas do nosso território, sejam estradas, escolas, postos de saúde, prédios públicos. Seja o porto de Itajaí, que sofreu grave avaria, ou o gasoduto da Petrobras, que interrompeu o fornecimento de dois terços do Estado de Santa Catarina e de todo o Estado do RS", enumerou.

Questionado sobre quais medidas poderiam ser tomadas para evitar novos problemas com chuvas no futuro, o governador ressaltou que o problema atual é inédito. "Essa é uma situação absolutamente inédita, como foi o furacão tropical Catarina, o único que ocorreu no continente sul-americano", comparou. O furacão atingiu o Estado em março de 2004, deixando 35 mil desabrigados.

"Na enchente passada, as pessoas morreram por afogamento. Nesta, as pessoas morreram por soterramento que ocorreram em regiões densamente cobertas por vegetação, por árvores e, em muitos lugares, por vegetação primária. Esse é um fenômeno que ocorreu face à continuidade das chuvas durante quatro meses. Inclusive, agora voltou a chover também", completou.

Saldo das chuvas
Está definido o local onde será instalado o hospital de campanha, estrutura disponibilizada pelos ministérios da Saúde e da Defesa, que funcionará a partir deste sábado no trevo entre Itajaí e Ilhota. A rede de atendimento será reforçada com profissionais enviados por órgãos públicos e grupos empresariais de todo o país.

Continuam as buscas por 19 pessoas desaparecidas. Na manhã desta quinta-feira (27), o nível da água baixou em várias áreas inundadas, permitindo às equipes de resgate acesso a pontos isolados.

O Ministério da Justiça deixou de prontidão 150 homens da Força Nacional de Segurança, que poderão ser deslocados para Santa Catarina para ajudar nas buscas.

Ao todo, são 78.707 desalojados e desabrigados, sendo 27.410 desabrigados e 51.297 desalojados. Cerca de 64 mil imóveis estão sem energia elétrica. Entre os mortos, oito são crianças com menos de 10 anos. O governo do Estado decretou luto oficial de três dias.

A Secretaria de Saúde do Estado garantiu que nenhum ferido com a enxurrada ficará sem atendimento. Apesar dos abalos em postos e hospitais, a estrutura não afetada e os repasses do governo federal, que editou medida provisória que destina R$ 1,6 bilhão para os Estados atingidos por enchentes, devem ser suficientes para dar suporte aos desalojados e desabrigados, segundo o órgão. A secretaria Estadual de Infra-Estrutura divulgou que serão necessários cerca de R$ 250 milhões para recuperar os estragos.

Veja a situação de cada município (para mais informações, passe o mouse sobre a cidade)







Situação dos municípios
O governador do Estado, Luiz Henrique (PMDB), declarou estado de calamidade pública em 12 municípios: Blumenau, Gaspar, Rio dos Cedros, Nova Trento, Camboriú, Benedito Novo, Pomerode, Luis Alves, Itajaí, Rodeio, Brusque e Itapoá.

Apenas 5% da população de Blumenau tem acesso à água potável por conta das enchentes, informa o Diário Catarinense. A previsão é de que o serviço só seja normalizado em 5 de dezembro. Por enquanto, a prefeitura atende aos bairros prejudicados com 25 caminhões-pipa.
Blumenau, com 293 mil habitantes, ficou sem água devido ao rompimento da adutora que retira água do Rio Itajaí-Açu. Mesmo após o problema ter sido resolvido, o abastecimento não voltou ao normal porque estações de tratamento de água foram prejudicadas pela falta de energia elétrica, alagamentos e isolamento em razão de deslizamentos de terra.

O prefeito de Blumenau afirmou que irá levar comida e mantimentos de helicóptero para as vítimas das enchentes. De acordo com a prefeitura, o município já distribuiu 25 toneladas de alimentos arrecadados.

Confira a situação de todos os municípios

Prejuízos econômicos
Além das mortes e das milhares de pessoas desabrigadas, as chuvas também trouxeram prejuízos econômicos ao Estado. O setor de turismo e transporte já foram afetados.

O porto de Itajaí amarga um prejuízo diário de pelo menos US$ 35 milhões. Itajaí é o porto com maior movimentação de carne refrigerada do Brasil, principalmente de frango, e o segundo maior no fluxo de cargas em contêineres. A administração afirma que 4% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro passa por este porto.

Com as interdições, o acesso a Balneário Camboriú, um dos principais destinos turísticos do Estado, já ficou prejudicado, gerando prejuízo principalmente na rede hoteleira.

Moradores saquearam supermercados e residências e a polícia teve que reforçar a segurança nas cidades mais afetadas pela chuva.

Doações
Cestas básicas, colchões, cobertores e kits de higiene estão sendo entregues às famílias atingidas pela chuva. A Defesa Civil distribui alimentos, água potável e medicamentos. Em Florianópolis, doações podem ser feitas no Portal do Turismo, Assembléia Legislativa e Procon. No interior do Estado, os produtos devem ser encaminhados aos abrigos, Defesa Civil e prefeituras. O governo pede prioridade à doação de água potável para as cidades atingidas, como Itajaí, onde a falta de água é crítica.

A Cruz Vermelha Brasileira e a Comdec (Coordenadoria Municipal da Defesa Civil-SP) também anunciaram a criação de postos para arrecadar doações para as vítimas das chuvas que atingem Santa Catarina. A arrecadação vai funcionar 24 horas na sede da Comdec, na rua Afonso Pena, 130, no bairro Bom Retiro, e na sede da Cruz Vermelha Brasileira, na avenida Moreira Guimarães, 699, no bairro Saúde. As defesas civis das subprefeituras receberão doações em horário comercial.

A recomendação é de que produtos de limpeza não sejam misturados com alimentos e roupa. Os alimentos devem estar dentro da validade, de preferência não perecíveis e com a embalagem em boas condições.

Segundo informações da Agência Brasil, a partir desta quinta-feira (27), as escolas técnicas federais recebem recebem doações. Os interessados em oferecer água potável e doar agasalhos, cobertores e alimentos não-perecíveis devem ligar para o telefone 0800 616161. O endereço das escolas técnicas está disponível no site do Ministério da Educação (MEC).

A Campanha Nacional de Solidariedade é promovida pela Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec) do MEC. De acordo com o ministério, a Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica reúne 214 unidades de ensino em todo o país.

Para quem deseja ajudar as vítimas com doações em dinheiro, a Defesa Civil disponibilizou três contas correntes: no Banco do Brasil, a agência é 3582-3, conta corrente 80.000-7; no Besc, agência 068-0, conta corrente 80.000-0; e no Bradesco S/A - 237, agência 0348-4, conta corrente 160.000-1. O nome da pessoa jurídica é Fundo Estadual da Defesa Civil, CNPJ - 04.426.883/0001-57.

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Sem abastecimento de gás
As chuvas também causaram desabastecimento de gás natural no Estado: houve redução de 72% devido a três acidentes em Gaspar, Blumenau e São Pedro de Alcântara.

Com as interrupções, o fornecimento ao Rio Grande do Sul também está prejudicado desde a tarde de segunda-feira. Apenas 1% do volume disponibilizado normalmente pela Sulgás (companhia responsável pelo abastecimento comercial em todo o Estado) está chegando à população. Segundo informações da empresa, só estão recebendo o produto hospitais e alguns estabelecimentos comerciais.

Em Santa Catarina, apenas estão recebendo o produto os municípios da região norte. A ruptura mais grave aconteceu no distrito de Belchior, em Blumenau, no gasoduto Brasil-Bolívia (Gasbol). O conserto deve levar pelo menos 20 dias em razão das dificuldades de acesso ao local. Não há estradas e será necessário construir um desvio de 300 metros na rede, pois o morro em que a estrutura passava não oferece segurança.

*Com agências Estado e Brasil e Folha Online

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