Santa Catarina tem 12 cidades em calamidade pública; chuvas contabilizam 99 mortes

Do UOL Notícias*
Em São Paulo

Atualizada às 20h03

Doze cidades tiveram decretado estado de calamidade pública em Santa Catarina, onde chuvas fortes atingem cerca de 1,5 milhão de pessoas desde a semana passada e já contabilizam 99 mortes, segundo o último boletim da Defesa Civil do Estado.

Está definido o local onde será instalado o hospital de campanha, estrutura disponibilizada pelos ministérios da Saúde e da Defesa, que funcionará a partir deste sábado no trevo entre Itajaí e Ilhota. A rede de atendimento será reforçada com profissionais enviados por órgãos públicos e grupos empresariais de todo o país.

A Defesa Civil de Santa Catarina divulgou nesta quinta-feira (27) lista parcial com os nomes dos mortos na tragédia.

A Polícia Militar de Itajaí recomenda que os moradores não saiam de suas casas após as 22h. O objetivo é não atrapalhar a logística de distribuição de alimentos, medicamentos e roupas para os desabrigados pelas enchentes.

O governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira (PMDB), afirmou nesta quinta-feira (27), após uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deverá levar um mês a reconstrução das estradas após os estragos.

Continuam as buscas por 19 pessoas desaparecidas. Na manhã desta quinta-feira (27), o nível da água baixou em várias áreas inundadas, permitindo às equipes de resgate acesso a pontos isolados.

O Ministério da Justiça deixou de prontidão 150 homens da Força Nacional de Segurança, que poderão ser deslocados para Santa Catarina para ajudar nas buscas.

Ao todo, são 78.707 desalojados e desabrigados, sendo 27.410 desabrigados e 51.297 desalojados. Cerca de 64 mil imóveis estão sem energia elétrica. Entre os mortos, oito são crianças com menos de 10 anos. O governo do Estado decretou luto oficial de três dias.

A Secretaria de Saúde do Estado garantiu que nenhum ferido com a enxurrada ficará sem atendimento. Apesar dos abalos em postos e hospitais, a estrutura não afetada e os repasses do governo federal, que editou medida provisória que destina R$ 1,6 bilhão para os Estados atingidos por enchentes, devem ser suficientes para dar suporte aos desalojados e desabrigados, segundo o órgão. A secretaria Estadual de Infra-Estrutura divulgou que serão necessários cerca de R$ 250 milhões para recuperar os estragos.

O desastre repercutiu na imprensa internacional. O Washington Post (EUA) cita os saques ocorridos no Estado, o Fairplay (Reino Unido) avalia os danos provocados pela chuva. Veículos como Hindustan Times (Índia), OhmyNews International (Coréia do Sul), Xinhua (China) e Al Jazira (Qatar) também publicaram notícias sobre as chuvas.

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Segundo levantamento do site Contas Abertas, a União gastou apenas 26% das verbas destinadas ao programa de prevenção e preparação para emergências e desastres com prevenção. O governo federal repassou, em 2008, R$ 2,4 milhões para serem usados em obras preventivas, como contenção de encostas e canalização de córregos, para Santa Catarina, enquanto mais de R$ 7,4 milhões, por exemplo, foram encaminhados por meio do programa de "resposta aos desastres" para o Estado, ou seja, o triplo de recursos para remediar, e não prevenir (leia íntegra do levantamento).

Veja a situação de cada município (para mais informações, passe o mouse sobre a cidade)







Situação dos municípios
O governador do Estado, Luiz Henrique (PMDB), declarou estado de calamidade pública em 12 municípios: Blumenau, Gaspar, Rio dos Cedros, Nova Trento, Camboriú, Benedito Novo, Pomerode, Luis Alves, Itajaí, Rodeio, Brusque e Itapoá.

Apenas 5% da população de Blumenau tem acesso à água potável por conta das enchentes, informa o Diário Catarinense. A previsão é de que o serviço só seja normalizado em 5 de dezembro. Por enquanto, a prefeitura atende aos bairros prejudicados com 25 caminhões-pipa.
Blumenau, com 293 mil habitantes, ficou sem água devido ao rompimento da adutora que retira água do Rio Itajaí-Açu. Mesmo após o problema ter sido resolvido, o abastecimento não voltou ao normal porque estações de tratamento de água foram prejudicadas pela falta de energia elétrica, alagamentos e isolamento em razão de deslizamentos de terra.

O prefeito de Blumenau afirmou que irá levar comida e mantimentos de helicóptero para as vítimas das enchentes. De acordo com a prefeitura, o município já distribuiu 25 toneladas de alimentos arrecadados.

Confira a situação de todos os municípios

Prejuízos econômicos
Além das mortes e das milhares de pessoas desabrigadas, as chuvas também trouxeram prejuízos econômicos ao Estado. O setor de turismo e transporte já foram afetados.

O porto de Itajaí amarga um prejuízo diário de pelo menos US$ 35 milhões. Itajaí é o porto com maior movimentação de carne refrigerada do Brasil, principalmente de frango, e o segundo maior no fluxo de cargas em contêineres. A administração afirma que 4% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro passa por este porto.

Com as interdições, o acesso a Balneário Camboriú, um dos principais destinos turísticos do Estado, já ficou prejudicado, gerando prejuízo principalmente na rede hoteleira.

Moradores saquearam supermercados e residências e a polícia teve que reforçar a segurança nas cidades mais afetadas pela chuva.

Doações
Cestas básicas, colchões, cobertores e kits de higiene estão sendo entregues às famílias atingidas pela chuva. A Defesa Civil distribui alimentos, água potável e medicamentos. Em Florianópolis, doações podem ser feitas no Portal do Turismo, Assembléia Legislativa e Procon. No interior do Estado, os produtos devem ser encaminhados aos abrigos, Defesa Civil e prefeituras. O governo pede prioridade à doação de água potável para as cidades atingidas, como Itajaí, onde a falta de água é crítica.

A Cruz Vermelha Brasileira e a Comdec (Coordenadoria Municipal da Defesa Civil-SP) também anunciaram a criação de postos para arrecadar doações para as vítimas das chuvas que atingem Santa Catarina. A arrecadação vai funcionar 24 horas na sede da Comdec, na rua Afonso Pena, 130, no bairro Bom Retiro, e na sede da Cruz Vermelha Brasileira, na avenida Moreira Guimarães, 699, no bairro Saúde. As defesas civis das subprefeituras receberão doações em horário comercial.

A recomendação é de que produtos de limpeza não sejam misturados com alimentos e roupa. Os alimentos devem estar dentro da validade, de preferência não perecíveis e com a embalagem em boas condições.

Segundo informações da Agência Brasil, a partir desta quinta-feira (27), as escolas técnicas federais recebem recebem doações. Os interessados em oferecer água potável e doar agasalhos, cobertores e alimentos não-perecíveis devem ligar para o telefone 0800 616161. O endereço das escolas técnicas está disponível no site do Ministério da Educação (MEC).

A Campanha Nacional de Solidariedade é promovida pela Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec) do MEC. De acordo com o ministério, a Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica reúne 214 unidades de ensino em todo o país.

Para quem deseja ajudar as vítimas com doações em dinheiro, a Defesa Civil disponibilizou três contas correntes: no Banco do Brasil, a agência é 3582-3, conta corrente 80.000-7; no Besc, agência 068-0, conta corrente 80.000-0; e no Bradesco S/A - 237, agência 0348-4, conta corrente 160.000-1. O nome da pessoa jurídica é Fundo Estadual da Defesa Civil, CNPJ - 04.426.883/0001-57.

Chuva recomeça em Santa Catarina
e traz risco de novos deslizamentos

Sem abastecimento de gás
As chuvas também causaram desabastecimento de gás natural no Estado: houve redução de 72% devido a três acidentes em Gaspar, Blumenau e São Pedro de Alcântara.

Com as interrupções, o fornecimento ao Rio Grande do Sul também está prejudicado desde a tarde de segunda-feira. Apenas 1% do volume disponibilizado normalmente pela Sulgás (companhia responsável pelo abastecimento comercial em todo o Estado) está chegando à população. Segundo informações da empresa, só estão recebendo o produto hospitais e alguns estabelecimentos comerciais.

Em Santa Catarina, apenas estão recebendo o produto os municípios da região norte. A ruptura mais grave aconteceu no distrito de Belchior, em Blumenau, no gasoduto Brasil-Bolívia (Gasbol). O conserto deve levar pelo menos 20 dias em razão das dificuldades de acesso ao local. Não há estradas e será necessário construir um desvio de 300 metros na rede, pois o morro em que a estrutura passava não oferece segurança.

*Com agências Estado e Brasil e Folha Online

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