CEF libera R$ 1,5 bilhão para vítimas das enchentes de SC; Defesa Civil alerta para risco de mais deslizamentos

Do UOL Notícias
Em São Paulo*

Atualizada às 15h42

A CEF (Caixa Econômica Federal) anunciou nesta sexta-feira (28) que vai disponibilizar R$ 1,5 bilhão, por meio de várias ações e operações de crédito, para as famílias que sofreram com as chuvas nos municípios de Santa Catarina. Os recursos serão utilizados pelas linhas de compra de material de construção (Construcard, Producard), eletrodomésticos e empréstimos para pessoa física e jurídica, no segmento comercial e habitacional.

A Defesa Civil confirmou mais uma vítima fatal em Blumenau, e a tragédia agora contabiliza 100 mortes. As doações em dinheiro para as vítimas já chegam a R$ 3 milhões.

Quatorze cidades decretaram estado de calamidade pública: Gaspar, Rio dos Cedros, Nova Trento, Camboriú, Benedito Novo, Blumenau, Luis Alves, Itajaí, Rodeio, Itapoá, Brusque, Ilhota, Pomerode e Timbó.

Na manhã desta sexta-feira, a Defesa Civil do Estado alertou para o risco de novos deslizamentos de terra em toda a região do Vale do Itajaí. O nível do Rio Itajaí-Açu chegou a 4,66 metros, o que praticamente descartou nova enchente nos municípios do Vale do Itajaí e do Litoral de Santa Catarina, mas essa baixa do nível das águas pode ocasionar novos deslizamentos de terra.

O alerta é reforçado por técnicos do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) de São Paulo, que vistoriam a região desde quarta-feira. "A estabilização do solo em Blumenau, pelo que analisamos, está muito precária, ou seja, qualquer chuva a mais poderá provocar novos deslizamentos", afirmou o tecnólogo Luiz Antônio Gomes, em nota divulgada pelo governo do Estado. Nesta sexta (28) e nos próximos dias, a equipe estará em Jaraguá do Sul, Luis Alves e de volta a Blumenau, considerada por eles a região mais prejudicada devido à maior concentração populacional e ao grande volume de chuva no sábado (22) e domingo (23). Entre outros problemas, ainda há 22 mil imóveis sem energia elétrica no município.

De acordo com Epagri/Ciram (Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia de Santa Catarina), à medida que as águas das chuvas começam a baixar, as pedras das encostas tendem a se soltar, provocando novos deslizamentos. O instituto também destaca que o relevo íngreme da região favorece os novos deslizamentos.

O índice do Rio Itajaí-Açu foi medido às 19h desta quinta (27). Pelos próximos dias, segundo a Defesa Civil, é difícil que a área sofra novas cheias. As fortes chuvas que caíram sobre o Estado nas últimas semanas atingiram cerca de 1,5 milhão de pessoas, segundo o último boletim.

A previsão é do operador do Centro de Operações da Defesa Civil em Santa Catarina, Carlos Rocha. Segundo o técnico em meteorologia, a cota de alerta do Itajaí-Açu é de seis metros, mas uma nova cheia somente deve ocorrer se o nível chegar a 9 ou 10 metros. Quando houve inundação das casas na região, o índice passou de 11 metros. "Para encher o rio, seria necessário cair cem milímetros de chuva, mas a previsão é de 30 a 40mm nas próximas 24 horas", explica.

Segundo ele, na quinta-feira (27), choveu 24,6 mm em Blumenau, da meia-noite às 17 horas. Em Balneário Camboriú, no mesmo período, o índice foi de 30,7 mm. "Está dentro da previsão esperada. Não deve haver tanta pluviosidade", analisa. Para Rocha, apesar de não haver tendência de alagamentos, o alerta é necessário em razão dos possíveis deslizamentos.

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A Defesa Civil de Santa Catarina divulgou na quinta lista parcial com os nomes dos mortos na tragédia e a Polícia Militar de Itajaí continua recomendando que os moradores não saiam de suas casas após as 22h para não atrapalhar a logística de distribuição de alimentos, medicamentos e roupas para os desabrigados pelas enchentes.

Nove rodovias do Estado - duas federais e sete estaduais - permaneciam com trechos totalmente bloqueados em razão da queda de barreiras ou deslizamentos de terra na manhã desta sexta-feira (28).

Apoio financeiro
Até a noite de ontem, as doações feitas em contas bancárias para auxiliar as regiões atingidas haviam ultrapassado R$ 2 milhões. A secretaria Estadual de Infra-Estrutura divulgou que serão necessários cerca de R$ 250 milhões para recuperar os estragos.

O governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira (PMDB), se reuniu ontem com o o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou, após o encontro, que deverá levar um mês a reconstrução das estradas atingidas pelos estragos.

Para dar suporte aos desalojados e desabrigados, o governo federal estima que R$ 1,6 bilhão, destinado aos Estados atingidos por enchentes, sejam suficientes.

Com a diminuição das chuvas, o trabalho de buscas pelas 19 pessoas que ainda estão desaparecidas, de acordo com a Defesa Civil, deve ser facilitado nesta sexta-feira. A água baixou em vários pontos do Estado. O Ministério da Justiça deixou de prontidão 150 homens da Força Nacional de Segurança, que poderão ser deslocados para Santa Catarina para ajudar nas buscas.

Segundo o último boletim da Defesa Civil, divulgado às 7h desta sexta-feira, o Estado tem 78.707 desalojados e desabrigados, sendo 27.410 desabrigados e 51.297 desalojados. O governo do Estado decretou na quarta-feira luto oficial de três dias.

Ontem (27), o Estado definiu a instalação de um hospital de campanha com estrutura disponibilizada pelos ministérios da Saúde e da Defesa, no trevo entre Itajaí e Ilhota. Inicialmente prevista para sábado, a instalação do hospital foi adiada para segunda-feira.

A Secretaria de Saúde do Estado garantiu que nenhum ferido com a enxurrada ficará sem atendimento. Apesar dos abalos em postos e hospitais, a estrutura não afetada.

O desastre repercutiu na imprensa internacional. O Washington Post (EUA) cita os saques ocorridos no Estado, o Fairplay (Reino Unido) avalia os danos provocados pela chuva. Veículos como Hindustan Times (Índia), OhmyNews International (Coréia do Sul), Xinhua (China) e Al Jazira (Qatar) também publicaram notícias sobre as chuvas.

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Prejuízos econômicos
Além das mortes e das milhares de pessoas desabrigadas, as chuvas também trouxeram prejuízos econômicos ao Estado. O setor de turismo e transporte já foram afetados.

O porto de Itajaí amarga um prejuízo diário de pelo menos US$ 35 milhões. Itajaí é o porto com maior movimentação de carne refrigerada do Brasil, principalmente de frango, e o segundo maior no fluxo de cargas em contêineres. A administração afirma que 4% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro passa por este porto.



Com as interdições, o acesso a Balneário Camboriú, um dos principais destinos turísticos do Estado, já ficou prejudicado, gerando prejuízo principalmente na rede hoteleira.

Moradores saquearam supermercados e residências e a polícia teve que reforçar a segurança nas cidades mais afetadas pela chuva.

Doações
Cestas básicas, colchões, cobertores e kits de higiene estão sendo entregues às famílias atingidas pela chuva. A Defesa Civil distribui alimentos, água potável e medicamentos. Em Florianópolis, doações podem ser feitas no Portal do Turismo, Assembléia Legislativa e Procon. No interior do Estado, os produtos devem ser encaminhados aos abrigos, Defesa Civil e prefeituras. O governo pede prioridade à doação de água potável para as cidades atingidas, como Itajaí, onde a falta de água é crítica.

A Cruz Vermelha Brasileira e a Comdec (Coordenadoria Municipal da Defesa Civil-SP) também anunciaram a criação de postos para arrecadar doações para as vítimas das chuvas que atingem Santa Catarina. A arrecadação vai funcionar 24 horas na sede da Comdec, na rua Afonso Pena, 130, no bairro Bom Retiro, e na sede da Cruz Vermelha Brasileira, na avenida Moreira Guimarães, 699, no bairro Saúde. As defesas civis das subprefeituras receberão doações em horário comercial.

A recomendação é de que produtos de limpeza não sejam misturados com alimentos e roupa. Os alimentos devem estar dentro da validade, de preferência não perecíveis e com a embalagem em boas condições.

Segundo informações da Agência Brasil, a partir desta quinta-feira (27), as escolas técnicas federais recebem recebem doações. Os interessados em oferecer água potável e doar agasalhos, cobertores e alimentos não-perecíveis devem ligar para o telefone 0800 616161. O endereço das escolas técnicas está disponível no site do Ministério da Educação (MEC).

A Campanha Nacional de Solidariedade é promovida pela Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec) do MEC. De acordo com o ministério, a Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica reúne 214 unidades de ensino em todo o país.

Para quem deseja ajudar as vítimas com doações em dinheiro, a Defesa Civil disponibilizou três contas correntes: no Banco do Brasil, a agência é 3582-3, conta corrente 80.000-7; no Besc, agência 068-0, conta corrente 80.000-0; e no Bradesco S/A - 237, agência 0348-4, conta corrente 160.000-1. O nome da pessoa jurídica é Fundo Estadual da Defesa Civil, CNPJ - 04.426.883/0001-57.

Caminhoneiros passam fome com estradas bloqueadas


Sem abastecimento de gás
As chuvas também causaram desabastecimento de gás natural no Estado: houve redução de 72% devido a três acidentes em Gaspar, Blumenau e São Pedro de Alcântara.

Com as interrupções, o fornecimento ao Rio Grande do Sul também está prejudicado desde a tarde de segunda-feira. Apenas 1% do volume disponibilizado normalmente pela Sulgás (companhia responsável pelo abastecimento comercial em todo o Estado) está chegando à população. Segundo informações da empresa, só estão recebendo o produto hospitais e alguns estabelecimentos comerciais.

Em Santa Catarina, apenas estão recebendo o produto os municípios da região norte. A ruptura mais grave aconteceu no distrito de Belchior, em Blumenau, no gasoduto Brasil-Bolívia (Gasbol). O conserto deve levar pelo menos 20 dias em razão das dificuldades de acesso ao local. Não há estradas e será necessário construir um desvio de 300 metros na rede, pois o morro em que a estrutura passava não oferece segurança.

*Com Luiz Nunes, especial para o UOL Notícias, em Florianópolis, agências Estado e Brasil e Folha Online

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