Desmatamento na Amazônia apresenta "viés de baixa", diz Minc

Claudia Andrade
Do UOL Notícias
Em Brasília

Apesar do crescimento de 3,8% no desmatamento anual da Amazônia, medido entre agosto de 2007 e julho de 2008, a tendência é de queda, na avaliação do ministro Carlos Minc (Meio Ambiente). Ele analisou os números do Prodes (Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal) divulgados nesta sexta-feira (28) pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e disse que o resultado poderia ter sido pior.

Pará foi o campeão de desmatamento em 2008

O Pará foi o campeão de desmatamento em 2008, com 5.180 quilômetros quadrados, mais de 43% do total. Mato Grosso vem em seguida, com 3.259 quilômetros quadrados de devastação, 27,2%, e em terceiro lugar, o Maranhão, com 1.081 quilômetros de desmate no período, 9% do total. Apesar de pertencer à Região Nordeste, o Maranhão é um dos nove estados da Amazônia Lega

"A expectativa era de aumento de 30% a 40% no Prodes, se achava que ele ia explodir, mas acabou apresentando esses 3,8%, uma quase estabilidade. E, nos últimos cinco meses, os dados do Inpe mostram queda de 23%, por isso, a tendência é que se passe de um viés de alta para um viés de baixa", acredita.

A redução citada pelo ministro refere-se aos dados do sistema Deter (Detecção de Desmatamento em Tempo Real), utilizado pelo Inpe para medir mensalmente a taxa de desmatamento da Amazônia. Os dados de outubro ainda não foram divulgados, mas o ministro antecipou que eles vão apontar uma queda de 10% em relação a setembro.

Para Minc, ações como a aprovação da Lei de Crimes Ambientais, o bloqueio de crédito a produtores que desmatam ilegalmente e a fiscalização reforçada em 36 municípios com os maiores índices de desmatamento evitaram um crescimento maior no índice do Prodes e justificam o otimismo em relação ao futuro.

"Dos 20 municípios que apresentam os piores índices, apenas dois tiveram alta no desmatamento: Juara, no Mato Grosso, e Novo Repartimento, no Pará", citou.

Ele disse ainda que as medidas de fiscalização e combate serão acentuadas. "Nós não comemoramos esse número (3,8% de aumento), mas acreditamos que ele vai cair violentamente", previu.

O desmatamento em áreas de reservas indígenas e de áreas de conservação ambiental passou de 15% para 10% do total identificado pelo Prodes. "Essas são áreas de responsabilidade do governo, então tinha que cair mesmo. Mas, ainda assim, eu acho esse número (10% do total) inadmissível e acho que tem que baixar", ressaltou o ministro.

Alertas
O ministro do Meio Ambiente destacou os Estados que merecem mais atenção dos fiscais por não terem reduzido ou por terem aumentado seus índices de desmatamento, indo na contramão da tendência prevista pelo ministério.

Um deles é o Maranhão, que apresentou uma área de 2,6 mil km2 de desmatamento em 2007 e, em 2008, passou para 3,2 mil. O Pará tem reduzido lentamente sua área de desmatamento nos últimos quatro anos, passando de 5,7 mil, em 2005, para 5,1 mil, em 2008. A manutenção do número na casa dos 5 mil, contudo, desagrada Carlos Minc.

"O Maranhão é um dos casos mais preocupantes e vai exigir um esforço especial para inverter esse aumento, identificado principalmente na parte oeste do Estado, por causa da expansão da soja e do carvão", disse.

"O ruim no caso do Pará é que há quatro anos o Estado permanece na faixa dos 5 mil ", completou. "A situação em Roraima também é preocupante, porque passou de 300 mil para 570 mil (km2)".

No total, a área desmatada nos Estados da Amazônia Legal entre agosto de 2007 e julho de 2008 ficou em 11.968, contra 11.532 registrados no período anterior.

Metas
O ministro destacou ainda o lançamento, programado para o dia 1º de dezembro, do Plano Nacional de Mudanças Climáticas. "O Brasil nunca teve metas, mas agora vai ter. Elas serão progressivas e precisarão da atuação, não apenas do governo federal, mas também dos Estados, municípios", ressaltou.

Depois de anunciar as medidas do Plano de Mudanças Climáticas, o presidente Lula também deverá se reunir com os prefeitos dos 36 municípios que mais desmatam no país, para oferecer apoio para a regularização fundiária e para ações de manejo florestal. A reunião deverá ocorrer no final de fevereiro.

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