Indústrias de SC estimam perdas de R$ 358 milhões

Luiz Nunes
Especial para o UOL Notícias
De Florianópolis (SC)

A Fiesc (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina) estima em R$ 358,3 milhões as perdas econômicas com os impactos da chuva no Vale do Itajaí. O cálculo da entidade leva em conta o PIB (Produto Interno Bruto) da região, mas não inclui danos à infra-estrutura, às residências ou ao parque fabril. De acordo com uma pesquisa com 111 empresas, 67% tiveram dificuldades em escoar a produção.

Entre os pontos analisados, estão as folgas concedidas aos empregados, o corte no fornecimento de gás natural e a pausa nos trabalhos no porto de Itajaí. Segundo a Fiesc, só um terço do gás natural está sendo distribuído. Com a falta do produto, a indústria cerâmica e sua cadeia de fornecedores colocaram 8.000 funcionários em licença remunerada.

A entidade calcula que a ausência de atividades no porto de Itajaí, por dia, deixa de movimentar US$ 34 milhões. Tendo em vista que o terminal está sem funcionar há uma semana - com três de seus quatro berços destruídos e o cais ruindo - as perdas são de cerca de US$ 240 milhões.

"É difícil mensurar prejuízo total. Pegamos o PIB da região e calculamos por uma semana em estagnação", explica o diretor de relações industriais, Henry Quaresma. A participação da região no PIB estadual é de 21,8%.

Segundo ele, o prejuízo não está fechado. Há que se contabilizar como ficará a situação pelos próximos dias. Mesmo com a paralisação no porto de Itajaí, os empresários do Estado buscaram alternativas de escoamento e recebimento da produção e matérias-primas pelos terminais de Imbituba, São Francisco do Sul e Paranaguá (PR). "O de Itajaí deve voltar a funcionar em 40% de sua capacidade em dez dias", estima.

Quaresma destaca que a abertura do terminal de Navegantes, em pouco mais de uma semana, também deve aliviar o fluxo de mercadorias. É necessária a reconstrução do cais e a realização de uma dragagem no local, para o retorno às operações. Mesmo com as alternativas, o diretor de relações industriais da Fiesc lembra que a situação não estará normalizada. "Ainda vai haver dificuldade do ponto de vista da carga afetada em Itajaí, que precisa ser vistoriada e liberada para comercialização", registra.

Chuva dá trégua, mas deve voltar na terça

Sobre o gás natural, Quaresma lamenta que todos os consumidores do produto foram afetados de alguma forma, principalmente a indústria de cerâmica do sul do Estado. "As empresas do setor, que estão abaixo de Blumenau, tiveram prejuízo R$ 7 milhões", aponta, lembrando que os impactos devem ser amenizados, caso sejam atendidos pedidos feitos ao governo federal durante a visita do presidente, quarta-feira, a Santa Catarina.

Lula se encarregou de levar ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, a proposta de liberação do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) aos trabalhadores que terão de readquirir o que perderam, a postergação da cobrança de tributos estaduais e federais e a abertura de linhas de financiamento para empresários e agricultores.

A Fiesc também finalizou nesta sexta-feira um balanço de consulta - iniciado segunda-feira (24) - sobre as dificuldades encontradas pelas 111 principais empresas com a falta de estrutura em decorrência das chuvas. Do total de empresas participantes, 28% são do Vale do Itajaí e 72% das demais regiões. Confira abaixo as respostas:

  • 67% - escoamento da produção

  • 64% - recebimento matérias-primas

  • 47% - não comparecimento de funcionários

  • 43% - acesso aos portos

  • 22% - não foram afetadas
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