PM determina retirada à força de pessoas de áreas atingidas em Ilhota (SC)

Luiz Nunes
Especial para o UOL Notícias
De Florianópolis (SC)

Atualizada às 18h52

A situação de Ilhota, no Vale do Itajaí (SC), onde 29 pessoas morreram, é cada vez pior. Essa é a avaliação do prefeito da cidade, Ademar Felisky. Com medo de que as pessoas se recusem a sair de residências em áreas de risco, ele baixou um decreto dando poderes à Polícia Militar e ao Exército para que se tire à força os moradores que se negarem a abandonar os pontos críticos.

Três helicópteros do Comando Geral de Operações Aéreas da Defesa Civil patrulham os municípios de Itajaí, Balneário Camboriú e Camboriú, devido aos saques registrados.

A Defesa Civil confirmou mais uma vítima fatal em Blumenau, e a tragédia agora contabiliza 100 mortes. Na cidade, depois de uma breve chuva, o sol forte ajudou a secar a lama. A temperatura chegou quase aos 30ºC, e a previsão meteorológica divulgada pela Defesa Civil é de tempo nublado até domingo (30).

O governo de Santa Catarina anunciou a liberação imediata de recursos para três hospitais do município, uma das cidades mais atingidas, num total de R$ 2,1 milhões. A CEF (Caixa Econômica Federal) anunciou que vai disponibilizar R$ 1,5 bilhão, por meio de várias ações e operações de crédito, para as famílias.

As doações em dinheiro para as vítimas já chegam a R$ 3 milhões. Até o final da tarde, foram recebidos mais de 412 mil litros de água potável e cerca 18 toneladas de alimentos doados.

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Nesta sexta-feira, o prefeito de Ilhota foi informado de que quatro pessoas de uma mesma família morreram soterradas após um deslizamento no município. O Corpo de Bombeiros já havia retirado os moradores, que preferiram retornar ao local onde moravam. Na cidade, cerca de 40 pessoas estão desaparecidas, segundo ele.

Os bairros mais afetados são Braço do Baú, Alto do Baú e Baú Seco. "Existem localidades que foram totalmente dizimadas. Não se sabe mais onde era a estrada, onde passava o ribeirão e onde as pessoas residiam, tamanho foi o deslizamento e o volume de terra que desceu", lamenta. Segundo o prefeito, a reestruturação dos três bairros, dependendo da disponibilidade de recursos e maquinário, deve levar mais de um ano.

No Morro do Baú, as pessoas que estavam abrigadas em três igrejas devem ser novamente transferidas. Após avaliação geológica, foi constatado que o local está condenado. "Estamos conduzindo-as para o centro da cidade para proporcionar o mínimo de conforto e o mínimo de tranqüilidade, mas o máximo de segurança."

Saldo das chuvas
Quatorze cidades decretaram estado de calamidade pública: Gaspar, Rio dos Cedros, Nova Trento, Camboriú, Benedito Novo, Blumenau, Luis Alves, Itajaí, Rodeio, Itapoá, Brusque, Ilhota, Pomerode e Timbó.

Trechos das rodovias estaduais e federais que cortam Santa Catarina continuam bloqueados, mas algumas vias foram liberadas, informam a Defesa Civil e a Polícia Rodoviária Federal.

A Defesa Civil de Santa Catarina divulgou na quinta lista parcial com os nomes dos mortos na tragédia.


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Prejuízos econômicos
O porto de Itajaí amarga um prejuízo diário de pelo menos US$ 35 milhões. Itajaí é o porto com maior movimentação de carne refrigerada do Brasil, principalmente de frango, e o segundo maior no fluxo de cargas em contêineres. A administração afirma que 4% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro passa por este porto.

A Fiesc ( Federação das indústrias do Estado de Santa Catarina) estima em R$ 358,3 milhões as perdas econômicas com os impactos. O cálculo da entidade leva em conta o PIB (Produto Interno Bruto) da região, mas não inclui danos à infra-estrutura, às residências ou ao parque fabril.

O Sintex (Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem e do Vestuário de Blumenau e Região), estima perdas que chegam a R$ 50 milhões com a paralisação de produção da indústria têxtil e estragos às instalações das empresas.



Moradores saquearam supermercados e residências e a polícia teve que reforçar a segurança nas cidades mais afetadas pela chuva.

Doações
Cestas básicas, colchões, cobertores e kits de higiene estão sendo entregues às famílias atingidas pela chuva. A Defesa Civil distribui alimentos, água potável e medicamentos. Em Florianópolis, doações podem ser feitas no Portal do Turismo, Assembléia Legislativa e Procon. No interior do Estado, os produtos devem ser encaminhados aos abrigos, Defesa Civil e prefeituras. O governo pede prioridade à doação de água potável para as cidades atingidas, como Itajaí, onde a falta de água é crítica.

A Cruz Vermelha Brasileira e a Comdec (Coordenadoria Municipal da Defesa Civil-SP) também anunciaram a criação de postos para arrecadar doações para as vítimas das chuvas que atingem Santa Catarina. A arrecadação vai funcionar 24 horas na sede da Comdec, na rua Afonso Pena, 130, no bairro Bom Retiro, e na sede da Cruz Vermelha Brasileira, na avenida Moreira Guimarães, 699, no bairro Saúde. As defesas civis das subprefeituras receberão doações em horário comercial.

A recomendação é de que produtos de limpeza não sejam misturados com alimentos e roupa. Os alimentos devem estar dentro da validade, de preferência não perecíveis e com a embalagem em boas condições.

Segundo informações da Agência Brasil, a partir desta quinta-feira (27), as escolas técnicas federais recebem recebem doações. Os interessados em oferecer água potável e doar agasalhos, cobertores e alimentos não-perecíveis devem ligar para o telefone 0800 616161. O endereço das escolas técnicas está disponível no site do Ministério da Educação (MEC).

A Campanha Nacional de Solidariedade é promovida pela Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec) do MEC. De acordo com o ministério, a Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica reúne 214 unidades de ensino em todo o país.

Para quem deseja ajudar as vítimas com doações em dinheiro, a Defesa Civil disponibilizou três contas correntes: no Banco do Brasil, a agência é 3582-3, conta corrente 80.000-7; no Besc, agência 068-0, conta corrente 80.000-0; e no Bradesco S/A - 237, agência 0348-4, conta corrente 160.000-1. O nome da pessoa jurídica é Fundo Estadual da Defesa Civil, CNPJ - 04.426.883/0001-57.

*Com agências Estado e Brasil e Folha Online

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