Sobe para 114 o número de mortos em Santa Catarina

Luiz Nunes
Especial para o UOL Notícias
De Florianópolis

Subiu para 114 o número de mortos devido a alagamentos e deslizamentos de terra que ocorrem desde o final de semana passado em Santa Catarina.

A informação foi divulgada às 20h27 do domingo (30). Segundo a Defesa Civil do Estado, a tragédia deixou 27.410 pessoas desabrigadas e 51.297 desalojadas. Dezenove pessoas continuam desaparecidas.

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Até o final da noite deste domingo (30), segundo a Defesa Civil, mais de 800 toneladas de alimentos foram entregues nos abrigos instalados em municípios atingidos pelas enchentes. Além de alimentos, foram distribuídos cerca de um milhão de litros de água, 60 toneladas de roupas, brinquedos e materiais de limpeza e higiene pessoal.

O governador de Santa Catarina, Luiz Henrique, afirmou que é preciso "rezar" para que as chuvas cessem. Segundo ele, após quatro meses de chuva contínua, o solo não suporta mais novas chuvas.

Na tarde de domingo, um novo desabamento no Morro do Baú soterrou um trator e um veículo e atingiu as equipes de resgate. Um soldado da Força Nacional ficou ferido gravemente quando tentava remover trabalhadores que insistiam em permanecer em suas casas.

Segundo informações da Defesa Civil, o estado dele era grave, com afundamento do tórax, fratura no fêmur e no maxilar. Ele foi resgatado de helicóptero para um hospital de Itajaí, mas não corre risco de morte.

Outros sete soldados, um deles com ferimentos medianos, foram levados para o posto avançado do Samu, em Luiz Alves.

No sábado, devido a novas chuvas e deslizamentos, foram registrados incidentes graves nas cidades de Brusque, de Benedito Novo e de Luís Alves, na região do Vale do Itajaí.

Em Luís Alves, sete casas desabaram. Uma pessoa gravemente ferida foi encaminhada ao Hospital Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí. Há suspeita de que outras pessoas tenham morrido no deslizamento. Os trabalhos de remoção dos escombros seriam reiniciados neste domingo.

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Assim como em Ilhota, onde o prefeito baixou um decreto permitindo que a polícia e o corpo de bombeiros retirem à força pessoas que resistem em sair de área de risco, em Benedito Novo e em Luís Alves foi adotada a mesma estratégia. "O local onde houve o deslizamento, neste sábado, já havia sido mapeado como área de risco e as pessoas insistiram em permanecer no local", conta o sargento da Polícia Militar, Maureci Sales, que coordena a Defesa Civil no município.

O acesso ao município também é difícil. A SC-413 possui bloqueio parcial no quilômetro 92 e total no 8. Na SCT-477, no quilômetro 157, entre Doutor Pedrinho e Benedito Novo, o trecho está totalmente interrompido e somente o trânsito local é permitido.

Benedito Novo corre o risco de isolamento. O deslizamento de terra de sábado represou o Ribeirão Cunha, na localidade de Rio Cunha. Na cidade, 800 pessoas estão fora de suas casas - 600 delas, em casas de parentes.

Em Brusque, 300 pessoas tiveram que ser conduzidas para abrigos, depois que o nível do rio Itajaí-Mirim subiu, neste sábado. O índice está 4,2 metros acima do normal. Se chegar a 7,4 metros, outros pontos da cidade podem alagar.

Na noite de sábado, desembarcaram no aeroporto de Navegantes equipes da Cruz Vermelha, bombeiros militares de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, com quatro cães farejadores.

Juntamente com equipes do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e bombeiros voluntários locais, este grupo atua no sistema de comando de incidência em Ilhota. O objetivo é centralizar as informações para melhor atender as necessidades de cada município da região.

Defesa Civil e Cruz Vermelha se mobilizam

  • A Defesa Civil e a Cruz Vermelha de São Paulo se reuniram para montar postos de arrecadação


Prejuízos econômicos
A Secretaria da Fazenda de Santa Catarina projeta perdas significativas na arrecadação dos municípios atingidos pelas chuvas e deslizamentos no Estado.

Em média, a arrecadação estadual é de R$ 700 milhões por mês e, segundo o secretário Sérgio Alves, a diminuição mensal será de aproximadamente R$ 100 milhões pelo menos até março, nos municípios do Vale do Itajaí, Joinville e Jaraguá do Sul, que juntos representam cerca de 40% da arrecadação estadual de ICMS.

Para Blumenau, especificamente, são projetadas perdas de 10% já na arrecadação de novembro, por conta da paralisação de grandes indústrias.

A Fiesc (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina) estima em R$ 358,3 milhões as perdas econômicas com os impactos. O cálculo da entidade leva em conta o PIB (Produto Interno Bruto) da região, mas não inclui danos à infra-estrutura, às residências ou ao parque fabril.

O Sintex (Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem e do Vestuário de Blumenau e Região), estima perdas que chegam a R$ 50 milhões com a paralisação de produção da indústria têxtil e estragos às instalações das empresas.



Doações
Para quem deseja ajudar as vítimas com doações em dinheiro, a Defesa Civil disponibilizou as seguintes contas correntes:
Banco/SICOOB SC - 756 - Agência 1005, Conta Corrente 2008-7; Caixa Econômica Federal - Agência 1877, operação 006, conta 80.000-8; Banco do Brasil - Agência 3582-3, Conta Corrente 80.000-7; Besc - Agência 068-0, Conta Corrente 80.000-0; Bradesco S/A - 237 Agência 0348-4, Conta Corrente 160.000-1; Itaú S/A - 341, Agência 0289, Conta Corrência 69971-2; Sicredi - 748, Agência 2603, Conta Corrente 3500-9; Santander - 033, Agência 1227, Conta Corrente 430000052.

A Defesa Civil de Santa Catarina alertou para o fato de que e-mails têm circulado com números falsos na Web. Informações oficias sobre a tragédia e sobre as doações podem ser acessadas no site http://desastre.sc.gov.br/.

*Com agências Estado e Brasil e Folha Online

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