Extra-oficialmente, Ilhota tem cerca de 40 desaparecidos

Luiz Nunes
Especial para o UOL Notícias
Em Florianópolis (SC)

O município de Ilhota contabiliza números que divergem dos oficiais divulgados pela Defesa Civil de Santa Catarina. De acordo com a prefeitura, foram 33 mortes e 40 desaparecimentos na cidade. O órgão estadual aponta 37 e 14, respectivamente.
  • Wilson Dias/ABr

    Vista aérea do Morro do Baú, na cidade de Ilhota (SC)


Em todo o Estado, a Defesa Civil contabiliza 116 mortes e 31 pessoas desaparecidas. O número de desalojados e desabrigados começa a diminuir com a volta dos moradores para suas casas.

O prefeito Ademar Felisky justifica que o problema está em uma falha de caráter geográfico. O Morro do Baú - área isolada e uma das mais atingidas pelos desmoronamentos - fica entre os municípios de Ilhota, Gaspar e Luiz Alves. Segundo Felisky, houve confusão nos registros e quatro pessoas mortas na localidade de Belchior, em Gaspar, foram situadas como moradoras de Ilhota. Este foi um dos casos mais emblemáticos da tragédia em Santa Catarina: uma família que foi removida, retornou à área de risco, e acabou morta em um deslizamento.

O número de 40 desaparecidos também pode ser fruto de outro equívoco. Pelo menos 250 pessoas foram retiradas do Morro do Baú. Nesta segunda-feira, o prefeito descobriu que alguns moradores de localidades como Baú Seco, Alto Baú e Braço do Baú foram levados para abrigos em Blumenau. "Quem nos informa esses números são parentes de pessoas que foram levadas pelos deslizamentos", conta, explicando que, nesta quarta-feira (3), deve ser realizado um cruzamento de dados para esclarecer o número correto de pessoas que sumiram.

A assessoria da Defesa Civil informa que a instância municipal é que repassa os números e que a correção ainda não foi enviada. Geralmente, considera-se desaparecido quem não dá sinais de vida em 48 horas. Para haver mais exatidão, técnicos do órgão devem buscar em delegacias os números de desaparecidos.

Outro problema enfrentado pela Defesa Civil é o caso de famílias que enterraram parentes no quintal, por falta de acesso aos institutos médicos legais. Esses não entram na estatística.

Atualmente, Ilhota tem cerca de 1.500 moradores desalojados ou desabrigados. Desses, 700 estão em abrigos. "Os demais, ficam em casas de parentes, amigos e até desconhecidos solidários ao desastre", diz Felisky.

Ao longo desta terça-feira (2), o prefeito fez reuniões com geólogos do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo) e com técnicos da Defesa Civil. O chefe do Executivo aguarda a confecção de um laudo para saber quais casas correm risco de desabar. "Pelo que vi ao sobrevoar a área, ao menos 60 residências foram destruídas, sem contar as que estão condenadas", relata.

Felisky ainda não sabe como fará para, em médio prazo, garantir a moradia dos flagelados. Ele também afirma que não há como obter cálculos dos prejuízos econômicos relacionados ao desastre.

Porém, o prejuízo social foi possível mensurar de perto. Um dos relatos que ouviu foi o de um cidadão que perdeu as lavouras de banana, fumo e arroz, casa, tratores, máquinas e veículos. "Era um dos mais prósperos e me contou que dormiu rico, domingo, e acordou pobre, segunda-feira", lamenta, lembrando outro caso que o chocou: a retirada do corpo de uma criança de dois anos, encontrado preso a uma cerca de arame farpado.

A cidade de Ilhota é conhecida como pólo de lingeries e roupas de banho. O agronegócio é o segundo mais importante motor da economia. Felisky ainda não sabe o quanto receberá para reerguer o que foi abalado. Diz que depende de conversas entre os prefeitos e o governo estadual. Perguntado qual a prioridade a partir de quarta-feira, o prefeito responde que não sabe. "Preciso tentar dormir. Desde quando começou o desastre, parece que vivi um dia só."

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