Quase 10 mil moradores de SC já retornaram às suas casas após enchentes; mortos chegam a 117

Do UOL Notícias*
Em São Paulo

Uma pancada forte de chuva no fim da tarde de ontem provocou novas inundações na região do Vale do Itajaí, em Santa Catarina, segundo informações da Defesa Civil do Estado. A tempestade durou pouco mais de uma hora e, devido ao encharcamento do solo, provocou alagamentos em algumas ruas, principalmente nos municípios de Itajaí e Blumenau. No fim da noite, a situação já estava normalizada.

Segundo a Defesa Civil, a quantidade de chuvas nas cidades atingiu 35 mm em Itajaí, 30 mm em Blumenau, 22mm em Balneário Camboriú, 20 mm em São Francisco e 17 mm em São José.

Em Itajaí, uma das cidades que mais sofreram com as enchentes, e em Blumenau algumas ruas foram alagadas, mas não houve registros de deslizamentos de terra ou de feridos, segundo a Defesa Civil. Hoje, o tempo segue com sol e uma frente fria e seca proporciona uma tendência de melhora no tempo, de acordo com a Defesa Civil do Estado.

Volta para casa
Os moradores de Santa Catarina aos poucos começam a voltar para suas residências após as enchentes. De acordo com o último boletim divulgado pela Defesa Civil, quase 10 mil pessoas já retornaram. O número de desalojados e desabrigados que ultrapassava os 78 mil ainda nesta terça-feira (2) chegou a 69.114 por volta das 21h30 de hoje, sendo 21.219 desabrigados e 47.895 desalojados.
  • Rogério da Silva/Agência RBS

    A queda de uma grande barreira na manhã desta terça-feira interrompeu o tráfego na pista no sentido sul no km 663 da BR-376


Um novo alerta de deslizamento de terra na noite desta terça fez com que ao menos 40 famílias deixassem suas casas na capital Florianópolis. Segundo a Defesa Civil, uma fenda no morro da Costa de Cima, no bairro do Pântano do Sul, colocou a área sob alerta de perigo.

Até o momento, a Defesa Civil contabiliza 117 mortes e 32 pessoas desaparecidas devido às chuvas no Estado. Mas, em uma contagem extra-oficial, o município de Ilhota - um dos mais afetados pelas enchentes- aponta 40 desaparecidos apenas na cidade.

As doações às vítimas das chuvas já chegam a mais de R$ 12 milhões devido aos depósitos efetuados por meio das nove contas bancárias abertas pela Defesa Civil.

Saiba como e o que doar

O governador de Santa Catarina afirmou nesta terça que o Estado deve ter um prejuízo de 15% na arrecadação neste mês devido aos abalos na economia. A estimativa é de que o Executivo deixe de arrecadar R$ 100 milhões, segundo o próprio governador, Luiz Henrique da Silveira.

De acordo com Luiz Henrique, dezenas de indústrias deixaram de operar. "Em Luís Alves, as três grandes empresas locais estão paradas por falta de energia", afirma.

Também nesta terça, a Comissão Externa da Câmara dos Deputados defendeu a moratória de dívidas e tributos federais, para Estados, municípios e empresas que tiveram prejuízos com as enchentes. Os parlamentares também pediram acesso integral aos recursos do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) aos que perderam suas casas por conta das chuvas.

Veja a situação de cada município (para mais informações, passe o mouse sobre a cidade)





A 117ª vítima era da cidade de Timbó. Um corpo está no IML de Itajaí, e ainda não foi identificada a cidade de procedência do mesmo

Plano de ação em SC
Paralelamente aos problemas econômicos, o governo trabalha com um plano de ação para atender às vítimas de deslizamentos de terra e enchentes em Santa Catarina. São quatro as prioridades em nível hierárquico: atender às vítimas, prevenir surtos de doenças, limpar e desobstruir as vias e reconstruir a estrutura em água, luz e estradas. Todas as quatro etapas serão integradas.

Em relação à primeira prioridade, o objetivo é atender, abrigar e dar condição de subsistência às vítimas, além de marcar áreas ameaçadas.

A segunda prioridade visa prevenir surtos de doenças, como a leptospirose. Onze casos de suspeita de contaminação já foram registrados.

A terceira etapa compreende a limpeza e a desobstrução das vias das cidades, o que está previsto para ser concluído até o fim da semana. Segundo o governador do Estado, a medida envolve o repasse de recursos de emergência aos municípios, para que adquiram máquinas e realizem contratações temporárias.

A quarta etapa se refere à reconstrução da estrutura básica. Essa é a que deve levar mais tempo, com a recuperação de linhas de transmissão de energia elétrica, de redes de água e esgoto em curto prazo e do sistema viário em médio prazo.

* Com informações da Agência Estado e de Luiz Nunes, em Florianópolis (SC)

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