Atendimentos de emergência diminuem demanda em hospitais de SC

Luiz Nunes
Especial para o UOL Notícias
em Florianópolis (SC)

O número de atendimentos diminuiu nos hospitais do Vale do Itajaí e litoral catarinense durante e após as fortes chuvas que atingiram o Estado nas últimas semanas. Entre as explicações, estão o isolamento de algumas unidades e a triagem feita por atendimentos básicos em postos improvisados e órgãos como o Corpo de Bombeiros e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). O hospital de campanha montado em Itajaí não é relatado como causa da queda da demanda.

As enchentes já mataram 120 pessoas em Santa Catarina. Mais de 32 mil moradores estão desalojados e desabrigados.

Nas regiões da Grande Florianópolis, da foz do rio Itajaí-açu e do norte e nordeste do Estado, o Samu realizou 2.500 assistências médicas, desde o dia 22 de novembro até a última quarta-feira (3) - média diária de 208 atendimentos. Nos dois primeiros dias (22 e 23) de fortes chuvas, foram registradas apenas 70 ocorrências.

Somente no Morro do Baú, o serviço atendeu a 250 pessoas em 12 dias. "No início, por urgência, atendemos vítimas de soterramentos e deslizamentos. Depois, aumentou o número de ocorrências de patologia crônica, com hipertensos, diabéticos e cardiopatas, cujos quadros se tornaram mais agudos pela falta de medicamento", explica a gerente do Samu em Santa Catarina, Cristina Vieira.

Com a baixa da demanda em razão da ação de outros órgãos e mutirões de saúde, no Hospital Santa Isabel, em Blumenau, foram realizados 1.269 atendimentos entre 22 de novembro e 2 de dezembro. O local chegou a ficar isolado, mas não teve danos em sua estrutura. A média durante o período foi de 125 assistências por dia e está abaixo da faixa de 140, em situação de normalidade.

Para Thiago Floriano, assessor da unidade, os números são justificados pelas dificuldades de acesso da população ao local e pelas pequenas bases de atendimento montadas de forma improvisada pela Secretaria de Saúde. "Houve triagem e atendimentos ambulatoriais antes de chegarem aqui. Só casos mais emergenciais vieram ao Santa Isabel", explica.

Entre os dias 22 e 25 de novembro, foram suspensas as cirurgias eletivas e ocorreram apenas 284 assistências - uma média de 71 por dia. No auge do desastre, entre 23 e 24, o hospital ficou ilhado e o acesso somente era possível por barco ou helicóptero. Segundo Floriano, não há nem houve falta de medicamentos na unidade filantrópica.

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O mesmo aconteceu com a Fundação Hospitalar de Blumenau. Com média semanal de atendimentos entre 1.200 a 1.300 - incluindo "não emergenciais", que nem deveriam ser atendidos em pronto socorro - o local recebeu 807 pacientes entre 23 e 29 de novembro.

Durante as cheias, o atendimento se manteve estável, por vários motivos. Primeiro, somente conseguiram chegar à unidade os casos mais graves, trazidos por helicóptero e ambulâncias, em razão dos bloqueios nas vias por quedas de barreiras. "Segundo, os segmentos de saúde como Samu, Bombeiros e outros filtraram os atendimentos, prestando socorro aos casos menos emergenciais", esclarece Clarissa Bittencourt, assessora da Fundação.

Segundo ela, não há como prever quais foram os atendimentos mais solicitados, pois o sistema não permite a numeração dos casos de acordo com o diagnóstico. "Mas a maioria dos casos era relacionada a vítimas de soterramento. Muitos deles foram encaminhados para cirurgia - o centro cirúrgico ficou somente à disposição de emergências", detalha, lembrando que todas as cirurgias eletivas foram canceladas na semana da enchente e deslizamentos de terra.

Na Fundação Hospitalar de Blumenau, não houve diminuição no estoque de medicamentos e materiais e nem danos ou prejuízos em equipamentos ou estrutura. "Alguns remédios demoraram em ser entregues em razão das quedas de barreiras, mas temos um estoque de medicamentos e materiais bastante controlado e conseguimos contornar o problema."

O que faltou foram funcionários - alguns ilhados ou que tiveram problemas na estrutura das moradias. Por ora, a unidade não deve receber novos recursos financeiros, além dos já previstos, apenas doações de mantimentos aos próprios empregados.

No Hospital Santa Inês, em Balneário Camboriú, em razão das chuvas, houve redução da capacidade de atendimento em 50%, de acordo com o diretor administrativo e financeiro do hospital, Valério Serafim. Um desmoronamento comprometeu parte da estrutura do hospital. Deixaram de funcionar a ala de isolamento (para pacientes soropositivos ou tuberculosos), a ala masculina, o setor de ortopedia e o de pediatria e metade da ala feminina. Foi necessário realocar ainda a pediatria e a ortopedia para outras áreas.

Cerca de 90% dos atendimentos no local são feitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A unidade é particular, mas sofre intervenção municipal desde maio, que deve durar até o dia 31 deste mês, em razão de irregularidades constatadas na gestão, como cortes nos atendimentos pelo SUS e pelo descumprimento de um Termo de Ajustamento de Conduta proposto pelo Ministério Público, em 2005, para melhorar a qualidade do atendimento.

A maternidade foi reaberta na última quarta-feira. Na próxima semana, a estrutura onde ficava a pediatria deve estar pronta. Segundo Serafim, a maior demanda por atendimentos foi na área de pediatria e neo-natal. "Para a gente, o atendimento nos postos ajudou, pois não temos capacidade de atender todos os que nos procuram", diz, avaliando que a abertura do hospital de campanha não teve impacto sobre a demanda.

O Hospital Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí, chegou a ficar com o primeiro piso inundado e teve que cancelar atendimentos em raio-x. No entanto, houve pequena queda no número de atendimentos.

Entre janeiro e outubro, a média de atendimentos mensal na emergência era de 207. Após as fortes chuvas, o índice caiu para 196. A maior parte das assistências pós-enchente, 75%, foram relacionados a suturas.

De acordo com o departamento jurídico da unidade, a abertura do hospital de campanha não reduziu a demanda. A queda no movimento está relacionada à dificuldade de acesso e ao cancelamento de serviços nos primeiros dias de inundação.

Houve retenção no envio de medicamentos em razão das dificuldades de entrega, nos primeiros dias de alagamento. Atualmente, mesmo com as chuvas, os estoques são considerados normais.

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