Detentos mantêm quase 300 reféns em penitenciária da Bahia

Heliana Frazão
Especial para o UOL Notícias
Em Salvador (BA)

Na maior penitenciária da Bahia, 294 pessoas - entre as quais 51 crianças - são mantidas como reféns por cerca de 850 detentos desde as 13h de domingo (6). Além dos familiares dos presos, que estão impedidos de deixar as dependências da Penitenciária Lemos Brito, no bairro da Mata Escura, em Salvador, outros dois funcionários da instituição, os agentes Avelino Silva e João Almeida, também estão entre os reféns.

Na noite de domingo, os amotinados esfaquearam três acusados de estupro e ameaçaram matar os dois agentes. Eles reivindicam o retorno de 12 internos que foram transferidos na semana passada para a Unidade Especial Disciplinar. Entre os detentos que os amotinados querem de volta à penitenciária estão André Francisco, o Bilu, e Edson Conceição, caracterizados como 'líderes positivos'.

Os presos também exigem o afastamento do novo diretor da penitenciária, Isidoro Orge Rodrigues, definido como linha dura, e que estaria no comando das negociações. Em determinado trecho de uma carta os presos descrevem o diretor como "um homem arrogante, truculento, que não dá a menor importância para os internos". Segundo os presos, Orge Rodrigues teria suspendido alguns benefícios como um maior tempo dos internos com os seus familiares no período entre os festejos do Natal e Ano Novo.

"Alguém precisa fazer alguma coisa. O que os presos estão fazendo é um pedido de socorro, diante das péssimas condições em que estão vivendo. Esse diretor só faz oprimir", disse a mulher de um dos detentos, que pediu para não ser identificada. Do lado de fora do Complexo Penitenciário, elas conversam com os parentes por aparelhos celulares.

As negociações foram interrompidas por volta das 19 horas do domingo. A polícia tentou desligar a água e a luz, mas os detentos ameaçaram matar uma dos reféns. Avelino Silva teria sido amarrado e ameaçado caso a polícia insistisse na tática.

Na manhã desta segunda-feira (8), as negociações foram retomadas, com a chegada à penitenciária do juiz Cláudio Tautro e do promotor Edmundo Reis, da vara de execuções penais. O movimento é intenso na penitenciaria. Além de parentes dos detentos, o Batalhão de Choque da Polícia Militar, soldados do Corpo de Bombeiros e ambulâncias cercam o local.

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