Presos encerram rebelião em penitenciária de Salvador (BA)

Heliana Frazão
Especial para o UOL Notícias
Em Salvador (BA)

Após 29 horas de tensão, chegou ao fim por volta das 16h30 desta segunda-feira (8) a rebelião dos cerca de 850 presos que ocupam os pavilhões 2 e 5 da Penitenciária Lemos Brito, de Salvador. Após receberem garantias de que dois dos 12 presos transferidos na semana passada para a Unidade Especial Disciplinar, retornariam à penitenciária, os amotinados liberaram o grupo de cerca de 120 reféns que ainda mantinham no pavilhão 5. São todos parentes dos detentos que visitavam os presos no domingo (7), quando foi deflagrada a rebelião. Ninguém saiu ferido.
  • Arestides Batista/AE

    Esposa de um detento fala ao celular em frente à penitenciária Lemos Brito, em Salvador, durante a rebelião


O superintendente de Assuntos Penais, da Secretaria Estadual de Justiça e Direitos Humanos, Coronel Leite, informou que, a partir da liberação dos reféns, a situação foi normalizada no presídio. Um juiz e um promotor do Ministério Público se comprometeram a rever os processos dos presos, André Francisco, o Bilu, e Edson Conceição. Eles foram transferidos na semana passada para a Unidade Especial Disciplinar, mas os amotinados exigem o retorno dos dois, caracterizados como 'líderes'.

Quanto à outra exigência dos presos, relacionada à exoneração do novo diretor de disciplina da Lemos Brito, Izidoro Orge Domingues, o coronel descartou qualquer hipótese de atender a reivindicação.

Em carta divulgada na tarde de domingo à imprensa, os rebelados classificaram o diretor da penitenciária como um homem "arrogante, truculento". Os presos afirmam que ele extinguiu a possibilidade de passar mais tempo com familiares durante o Natal e Ano Novo e reduziu o período do banho de sol.

Os presos iniciaram a rebelião no final da manhã de domingo, fazendo reféns 300 pessoas - entre as quais 51 crianças - e dois funcionários da instituição - os agentes Avelino Silva e João Almeida, que é pastor evangélico, estava em férias, mas teria ido à penitenciária para fazer pregação. João Almeida foi mantido amarrado às grades de uma cela, sob permanente ameaça de morte.

Os dois agentes penitenciários foram liberados no início da tarde de hoje. Em seguida, os presos soltaram um grupo de cerca de 280 familiares que estava no bloco 2. Ao final do motim, o grupo que ainda permanecia no pavilhão 5 também deixou a unidade prisional.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos