Presos rebelados na penitenciária de Salvador liberam agentes penitenciários

Heliana Frazão
Especial para o UOL Notícias
Em Salvador (BA)

Após receberem garantias de que dois dos 12 presos transferidos na semana passada à Unidade Especial Disciplinar retornariam à penitenciária, os presos amotinados em Salvador (BA) decidiram liberar, no início da tarde desta segunda-feira (8), os dois agentes carcerários mantidos reféns desde o final da manhã de domingo (7), quando teve início a rebelião na Penitenciária Lemos Brito.
  • Arestides Batista/AE

    Esposa de um detento fala ao celular em frente à penitenciária Lemos Brito, em Salvador


Devem retornar à penitenciária os presos André Francisco, o Bilu, e Edson Conceição. Representantes do Ministério Público Estadual também se comprometeram a dar celeridade à revisão dos processos.

Agora, os agentes Avelino Silva e João Almeida vão realizar exames médicos. Durante cerca de 27 horas, João Almeida foi mantido amarrado às grades de uma cela e sob constante ameaça de morte. Por telefone, o agente contou à imprensa que a noite foi muito tensa. "Eles me agrediram muito. Senti muito medo", disse.

Outras 180 pessoas, familiares dos detentos, mantidas no interior de um dos dois pavilhões onde ocorre o motim, também já deixaram a unidade prisional. Agora, cerca de 120 permanecem no pavilhão 5.

Além do retorno dos presos transferidos, os detentos exigem a exoneração do atual diretor da penitenciária, Isidoro Orge Rodrigues, definido como linha dura, e que estaria no comando das negociações.

Os presos descrevem o diretor como "um homem arrogante, truculento, que não dá a menor importância para os internos". Segundo os presos, Orge Rodrigues teria suspendido alguns benefícios como um maior tempo dos internos com os seus familiares no período entre os festejos do Natal e Ano Novo.

Durante a manhã, a polícia suspendeu o fornecimento de água, energia elétrica e alimentação. Houve momentos de tensão e os amotinados ameaçaram não só matar os agentes carcerários como também incendiar os pavilhões ateando fogo a três galões contendo produtos inflamáveis, próximos a uma pilha de colchões e lençóis.

As negociações interrompidas por volta das 19 horas do domingo, foram retomadas na manhã de hoje, com a chegada à penitenciária do juiz Cláudio Tautro e do promotor Edmundo Reis, da vara de execuções penais.

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