Cidades afetadas pela chuva em SC começam a se reerguer

Luiz Nunes
Especial para o UOL Notícias
Em Florianópolis (SC)

Passados os primeiros efeitos das fortes chuvas, moradores, empresários e administradores das cidades afetadas pelas cheias e deslizamentos em Santa Catarina tentam retomar a rotina. Em Blumenau, Ilhota e Itajaí, os prefeitos se mobilizam para não deixar o drama social se abater sobre a economia.

O grande desafio em Itajaí é fornecer moradia às 160 pessoas que estão em abrigos e a outras 3.000 hospedadas em casas de parentes e amigos. Pelos cálculos da prefeitura, 600 casas estão comprometidas pelas cheias que chegaram a tomar cerca de 80% da área total do município.

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Outra grande dificuldade está em retirar a sujeira trazida pela chuva. O prefeito Volnei Morastoni (PT) diz que faltam máquinas e caminhões para realizar as coletas e clama por apoios de empresários e de outros prefeitos. "O esforço é colocar a cidade em dia, desde o recolhimento de animais e o tratamento do mau cheiro à remoção dos entulhos", diz, contando que móveis e eletrodomésticos estragados pela água ainda jazem pelas calçadas e vias da cidade.

A estimativa é de que a limpeza dure mais dez dias. Mesmo com as dificuldades, a idéia é garantir que a economia siga funcionando. Dia 15, será inaugurada a programação de Natal, para incentivar o comércio.

Nesta terça-feira, o porto de Itajaí recebe a drenagem em seu canal. A previsão é que, em 20 dias, o terminal já aporte navios com calados superiores a sete metros. "Em 30 dias, estará funcionando com 70% da capacidade", estima Morastoni.

O local possui três berços. Um ficou intacto, outro parcialmente destruído e um terceiro foi totalmente inutilizado. Outra plataforma já estava em construção e deve ser entregue em 20 dias. A normalidade do atendimento deve levar um ano, segundo o prefeito. "Precisamos dar a volta por cima e vencer os desafios à frente. Uma catástrofe como essa não vai nos derrotar nunca. Nós já voltamos a plantar flores", poetiza.

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A partir da próxima semana, está previsto que a Caixa Econômica Federal abra pontos de consulta à população. Os guichês serão montados para orientar sobre linhas de crédito disponíveis e a disposição do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).

Em Blumenau, cidade onde 24 pessoas morreram em decorrência da chuva, a retomada dos serviços de energia elétrica, água e telefone já dão clima de normalidade. As vias também estão desobstruídas desde a última semana e o comércio se prepara para o Natal. "Queremos mostrar mais uma vez o espírito de superação do catarinense e do blumenauense, que vai tirar devidas lições de tudo o que aconteceu, mas que já está com o ânimo renovado", diz o prefeito João Paulo Kleinubing (DEM).

Até o dia 12, técnicos da Defesa Civil devem avaliar todas as residências que ainda podem ser recuperadas. As encostas também são inspecionadas. Somente com o relatório será possível apresentar um cronograma de reestruturação da cidade ao governo federal e solicitar a provisão de recursos.

Em vistoria há uma semana, pesquisadores do Instituto de Pesquisas Tecnológicas constataram que 60% das residências avaliadas estão condenadas. A cidade teve pelo menos 70 moradias destruídas e outras 18 mil danificadas.

Por ora, não está programado o lançamento de qualquer nova atração para reerguer a auto-estima dos moradores e a economia local - a exemplo da enchente de 1983, quando foi criada a Oktoberfest. Domingo, está marcado um culto ecumênico na catedral São Paulo Apóstolo. "Não queremos que ninguém deixe de vir a Blumenau. Além das doações, vir aqui é uma forma de contribuir e de mostrar apoio neste momento", pede Kleinubing.

Outro prefeito receoso com o impacto que o desastre pode ter sobre o turismo é o de Ilhota, Ademar Felisky (PMDB). O município registrou o maior número de mortes. Pelo menos 38 pessoas morreram em razão de deslizamentos e enchentes.

Mesmo com os acessos ainda problemáticos, a principal atividade econômica - a produção de lingeries e trajes de banho - já volta a operar. A preocupação está nos cancelamentos de pacotes e reservas turísticas, o que impactaria no movimento do comércio durante a temporada. "Se o turista não vier ao Litoral, não virá a Ilhota", lamenta Felisky.

O alerta econômico é relacionado à cadeia de produção, que depende do índice de vendas. "Tememos pelo desemprego. Parte dos desalojados, nos primeiros elos da cadeia, serão afetados se o comércio não se normalizar", preocupa-se, lembrando que a atividade, na área central, funciona normalmente.


Veja a situação de cada município (para mais informações, passe o mouse sobre a cidade)



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