Índios do CIR prometem não acatar eventual decisão do STF em favor de arrozeiros

Marco Antonio Soalheiro
Enviado Especial da Agência Brasil
Em Boa Vista (RR)

Na véspera da retomada do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) da constitucionalidade da demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol em faixa contínua, o clima entre as lideranças do Conselho Indígena de Roraima (CIR) oscila entre o otimismo e o inconformismo com o risco de uma decisão que permita a permanência de produtores de arroz e agricultores brancos na reserva. Eles prometem não acatar pacificamente uma eventual decisão em favor dos arrozeiros.

"Vamos gritar ao mundo inteiro e aí vamos tirar à força mesmo. Se é para brincar com lei, vamos brincar. Aí não dá não. Vamos recorrer e depois ver a outra situação", respondeu o coordenador geral do CIR, Dionito José de Souza, quando questionado pela Agência Brasil sobre a possibilidade de uma decisão favorável aos produtores que pretendem se manter em propriedades ocupadas há algumas décadas.

"Se o respeito à Constituição for olhado com carinho e com amor, a Raposa Serra do Sol vai ficar em área contínua", acrescentou Dionito.

Caso o STF confirme a área de 1,7 milhão de hectares como de uso exclusivo indígena, o discurso do líder muda. "Somos educados e vamos esperar a PF [Polícia Federal] e a Força Nacional retirarem os invasores."

A prevalecer o voto do relator, ministro Carlos Ayres Britto, que determinou a saída de todos os não-índios da reserva, o CIR planeja buscar parcerias para investir em projetos de desenvolvimento sustentável nas comunidades que complementem a renda proporcionada por cerca de 35 mil cabeças de gado já existentes.

"Queremos trabalhar com grandes projetos de castanha e fazer doce de caju. A caça e a pesca estão muito fracas", argumentou Dionito.

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