Médicos fazem nova paralisação no maior pronto-socorro de Minas Gerais

Rayder Bragon
Especial para o UOL Notícias
Em Belo Horizonte (MG)

Os médicos de plantão do hospital João 23, o maior pronto-socorro do Estado de Minas Gerais, fazem nesta terça-feira (9), nova paralisação de advertência por 24 horas, com promessa de estendê-la até as 7h desta quarta-feira (10). Somente os casos mais graves estão sendo atendidos no local.

Eles reivindicam reajuste salarial e melhoria nas condições de trabalho, além de reposição de profissionais nas equipes que prestam plantão no pronto-socorro.

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No dia 27 do mês passado, os profissionais já haviam cruzado os braços por um dia no centro de emergência, que realiza cerca de 400 atendimentos diários à população de Belo Horizonte e de outras cidades mineiras.

Hoje, os médicos fizeram a triagem de pacientes na porta do hospital. Quem não necessitava de cuidados emergenciais era aconselhado a procurar atendimento em outra unidade pública da rede hospitalar da capital.

O presidente do Sinmed-MG (Sindicato dos Médicos do Estado de Minas Gerais), Cristiano da Matta Machado, alega que a questão salarial continua sendo a principal queixa dos médicos, além de falta de medicamentos e equipamentos.

"Nós não obtivemos, desde a última paralisação, nenhuma resposta do governo no que se refere à questão salarial, basicamente. Não houve nenhuma proposta oficial nesse sentido", disse.

O governo do Estado, em nota, havia afirmado ter concedido, desde setembro de 2005, reajuste médio de 20,65% aos profissionais da área de saúde do hospital. Em junho de 2006 foi dado mais 5% e, em janeiro deste ano, mais 3%, que renderia ao trabalhador salário médio de R$ 4 mil.

Para Machado, essa remuneração só é alcançada por profissionais mais antigos. "Na verdade, se você procurar a lei, o salário-base pago pelo Estado para 24h (plantões de 12h, duas vezes por semana) é R$ 2.400", revelou.

Direção do hospital
O diretor do hospital João 23, Antônio Carlos de Barros Martins, alega que a paralisação dos médicos não está prejudicando quem procura o atendimento médico no local.

"Os pacientes (em estado) grave estão entrando normalmente", garantiu Martins.

Em relação aos valores pagos pelo Estado ao profissional da área de saúde do hospital, Martins garante não ser somente o piso. Segundo ele, os médicos, mesmo os novatos, recebem abono que eleva o salário para R$ 2.900, além de gratificação por eficiência, o que incorpora mais R$ 100 ao vencimento.

"A gente ainda tem uma gratificação de serviço de emergência que gira em torno de R$ 850 a R$ 1 mil. Então, incorporado ao salário, o médico poderá ganhar até R$ 4.100", disse o diretor.

Martins garante que há apenas um enfoque diferenciado, por parte do sindicato dos médicos, em relação às remunerações. "Quando a gente trabalha com rendimento, temos que ver o rendimento final (com abonos e gratificações). O sindicato trabalha (apenas) com o salário-base, de R$ 2.400. O profissional mais antigo, com 20 anos de trabalho aqui, tem rendimento em torno de R$ 5,5 mil a R$ 6 mil", avaliou Martins.

O diretor afiançou que, além disso, as Secretarias de Estado da Saúde e do Planejamento analisam as reivindicações da classe e, em caráter emergencial, há estudo para elevar o abono emergencial (atualmente o valor é de R$ 850 a R$ 1 mil) pago aos médicos do hospital.

"Isso está sendo estudado (majoração do abono), ele poderia passar para R$ 1.500. Não tem nada definido ainda, mas é uma coisa que está em estudo", disse.

Ele garantiu que o hospital tem uma cobertura de 95% de oferta de medicamentos, além de a unidade contar com equipamentos modernos. "O hospital teve um investimento de R$ 25 milhões somente no ano passado. Então ele não pode ser um hospital sucateado. Ele está aberto à imprensa para que vocês presenciem se existe caso de sucateamento", concluiu o diretor da unidade.

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