"Alvo dos tiros era o meu carro", afirma a mãe de João Roberto durante julgamento de PM

Do UOL Notícias
Em São Paulo

Atualizado às 16h48

A mãe do menino João Roberto Amorim Soares, morto em julho deste ano durante uma ação policial, na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro, foi uma das testemunhas de acusação a falar nesta quarta-feira (10) durante julgamento do policial militar Willian de Paula, um dos acusados de matar seu filho. O julgamento acontece desde às 10h40 no 2º Tribunal do Júri do Rio, no centro da cidade. O PM é julgado por homicídio duplamente qualificado e tentativa de homicídio contra a mãe e o irmão de João Roberto.
  • Reprodução/Folha Imagem

    O carro onde estava o menino João Roberto Amorim, 3 (foto), foi atingido por cerca de 17 disparos feitos por policiais militares na noite do dia 6 de julho. Ele estava acompanhado da mãe, Alessandra Amorim, e do irmão, na época com nove meses


"Quando entrei na rua Espírito Santo Cardoso, já na Tijuca, passou por mim um carro de cor escura em alta velocidade, que acabou batendo em outro carro que estava parado no sinal. Vi pelo retrovisor que uma viatura da polícia se aproximava também em alta velocidade", afirmou Alessandra Amorim Soares durante relato sobre o dia do crime. "Então, eu liguei a seta e encostei o carro para dar passagem à polícia. Virei para trás e pedi para o João Roberto se abaixar e também me abaixei com meu outro filho, Vinicius", relata.

"O João se levantou e perguntou 'porque, mamãe?' e eu gritei 'abaixa, abaixa', porque tinha começado a ouvir tiros, mas quando olhei para trás de novo ele já havia sido baleado", conta Alessandra, segundo nota do Tribunal de Justiça.

"Abri, então, a porta do lado do carona e joguei uma bolsa de criança para fora, para mostrar que havia crianças no carro, pois naquela hora eu já tinha percebido que o alvo dos tiros era o meu carro", continuou a mãe.

Alessandra afirmou ao júri que quando saiu do carro, um policial empunhando uma arma - que a testemunha reconheceu como o PM julgado - se aproximou perguntando "cadê o cara? Cadê o cara?". Então a mãe teria respondido que não havia "cara nenhum" e que seu filho estava baleado.

O policial acusado afirmou durante o julgamento que "evitou o pior". Ele negou ter atirado contra o menino e disse que deu apenas tiros de advertência contra o pneu e o porta-malas do veículo.

Histórico
O menino João Roberto Amorim, 3, foi atingido por cerca de 17 disparos feitos por policiais militares na noite do dia 6 de julho. Ele estava acompanhado da mãe, Alessandra Amorim, e do irmão, na época com nove meses.

Os responsáveis pelos tiros foram o cabo William de Paula e o soldado Elias Gonçalvez da Costa Neto, que afirmaram ter confundido o veículo da família com o carro de bandidos que perseguiam.

Em entrevista coletiva dois dias depois do crime, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, chamou os policiais de "débeis mentais" e classificou a ação como uma atrocidade.

João Roberto teve morte cerebral e a família autorizou a doação dos órgãos. Um menino de 13 anos recebeu suas córneas.

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