Conselho indígena pode processar governador de Roraima

Marco Antônio Soalheiro
Enviado Especial
Roraima (RR)

A declaração dada segunda-feira (8) pelo governador de Roraima, José de Anchieta Júnior, que disse ser "fácil comandar índio", pode gerar uma ação judicial a ser movida pelo Conselho Indígena de Roraima (CIR). Os índios não gostaram de o governador ter declarado, mais uma vez, mas com palavras mais fortes, que eles seriam manipulados para atender a interesses internacionais.

"Ele [o governador] tem que matar a cobra e mostrar o pau. Tem que provar. Posso até colocar um processo. Vou ver isso, porque é discriminação", afirmou o coordenador do CIR, Dionito José de Souza, em entrevista à Agência Brasil. "Nós somos gente. Temos corpo, alma e pensamento coletivo. Conversamos com todo mundo, como ele [o governador] também conversa", acrescentou Dionito, para quem os únicos índios comandados em Roraima são os que apóiam a permanência dos arrozeiros na reserva, ligados à Sociedade dos Índios Unidos em Defesa de Roraima (Sodiu-RR). A reportagem tentou contato com essa associação, mas não obteve sucesso.

O líder indígena disse ainda que Anchieta Júnior "não faz mais do que sua obrigação" ao investir recursos do estado na prestação de serviços para as comunidades da Raposa Serra do Sol. "Não é favor. Ele está no governo para isso", afirmou. O governo estadual alega, entretanto, que por se tratar de área de jurisdição federal, não teria a responsabilidade de investir, apesar de fazê-lo.

Segundo Dionito, apesar da propaganda feita pelo governo estadual de bons serviços prestados aos índios, há "muitas [estradas] vicinais que precisam ser arrumadas", e o governador "só arruma o coração das cidades".

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