Indiferente a julgamento no Supremo, comunidade mantém rotina em Roraima

Marco Antônio Saolheiro
Enviado especial da Agência Brasil
Em Roraima

A comunidade do Contão, a 30 quilômetros da Vila Surumu na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, não mudou sua rotina por causa do julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal) que irá decidir sobre a constitucionalidade da demarcação da reserva em faixa contínua. A reportagem da Agência Brasil procurou pelo tuxaua (cacique) local e foi informada de que ele tinha ido pescar e não tinha hora para voltar.

Alguns indígenas demonstraram não saber que o julgamento estava acontecendo em Brasília. Em uma casa onde a televisão estava ligada, jovens assistiam um filme em DVD alheios à disputa fundiária.

A esposa do tuxaua, Rosa Macuxi, demonstrou indiferença em relação à futura decisão do Supremo. "Para nós não faz diferença esses arrozeiros ficarem ou saírem. Nunca ajudaram a gente mesmo."

Apesar da queixa da indígena, a comunidade do Contão é ligada à Sociedade dos Índios Unidos em Defesa de Roraima (Sodiu-RR), entidade cujas lideranças apóiam a permanência dos produtores de arroz em parte da reserva.

No percurso entre a Vila Surumu e a comunidade Contão está o local onde, em maio, índios foram baleados por funcionários do produtor Paulo César Quartiero quando tentavam construir malocas nos limites da propriedade do arrozeiro. Ainda há no local alguns barracões, mas não há nenhuma concentração de indígenas. Em uma das entradas da fazenda, há apenas um trator do produtor.

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