Índios aliados de arrozeiros mudam discurso e já estudam alternativas de trabalho

Marco Antonio Soalheiro
Enviado especial da Agência Brasil
No Distrito de Surumu (RR)

Indígenas aliados aos produtores de arroz da Terra Indígena Raposa Serra do Sol (RR) já adotam um discurso mais ameno diante da possibilidade de não-índios terem que deixar a reserva por uma eventual decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo lideranças desse grupo, os indígenas já estudam alternativas econômicas para o trabalho nessas comunidades.

"Já plantamos feijão, milho, e mandioca e acreditamos que podemos produzir também o arroz, com parceria. É viável", afirmou José Brazão, coordenador da Aliança de Integração e Desenvolvimento das Comunidades indígenas de Roraima (Alidici).

A entidade representa, juntamente com a Sociedade dos Índios Unidos em Defesa de Roraima (Sodiurr), os indígenas que acreditam que é possível a convivência pacífica com os produtores de arroz na área de 1,7 milhão de hectares.

Diferentemente de alguns meses atrás - quando havia troca de ameaças constantes entre índios favoráveis e contrários aos arrozeiros -, o clima na Vila Surumu, onde os grupos estão divididos por apenas uma rua, está mais tranqüilo.

"Confronto da nossa parte não vai existir mais. Já mostramos ao Brasil a realidade dessa área de fronteira, e a nossa preocupação com a questão econômica na reserva", disse Brazão.

Segundo o líder, muitos índios trabalham nas fazendas de arroz e a parceria da sua entidade com os produtores "realmente é muito grande". Tanto a Alidici quanto a Sodiurr passarão nos próximos meses por processo de renovação das diretorias.

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