Ministério Público entra com recurso contra absolvição de PM na morte de João Roberto

Do UOL Notícias*
Em São Paulo (SP)

O Ministério Público do Rio de Janeiro entrou com recurso contra a absolvição do policial militar William de Paula, acusado de matar o menino João Roberto, de 3 anos, em julho deste ano, após uma perseguição policial na capital fluminense. O MP alega que a decisão do júri foi contrária à prova dos autos.

Decisão revolta família do menino


O cabo foi absolvido na madrugada de hoje (11) da acusação de homicídio duplamente qualificado. Ele ficará detido em regime aberto por sete meses por lesão corporal leve contra a mãe de João Roberto, Alessandra Amorim Soares e o irmão Vinicius Amorim (na época com 9 meses).

João Roberto foi morto em julho, na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro, quando o carro em que estava com a mãe e o irmão foi alvejado 17 vezes por policiais militares. Os policias disseram que confundiram o carro com o de bandidos, durante perseguição.

A mãe de João Roberto contou que chegou a jogar uma bolsa de criança para fora do carro como forma de indicar que havia inocentes no veículo, mas o filho já havia sido atingido por um projétil.

A juíza concedeu o pagamento de tratamento psiquiátrico para os pais, o irmão e os avós da criança assassinada.

Novo julgamento
João Tancredo, advogado da família do João Roberto, afirmou que tem receio que a polícia interprete a ação do cabo "como salvo-conduto para sair matando".

"A gente prestigia o recurso do promotor. [A decisão de ontem] foi uma decisão diametralmente oposta à prova dos autos. Ele [o PM] agiu de forma inteiramente ilegal e o júri diz que ele agiu dentro da lei", disse.

Tancredo afirmou que, caso haja um novo julgamento, a sentença do acusado pode chegar a 70 anos de prisão - pelo homicídio duplamente qualificado e pelas duas tentativas de homicídio (contra a mãe e o irmão de João Roberto).

O advogado não acredita que a decisão de ontem do júri influencie no resultado do julgamento do outro PM, também acusado pelo crime. "Não quer dizer absolutamente nada, pois cada conselho é diferente".

Defesa do PM
O advogado do cabo William de Paula, Maurício Neville, elogiou o promotor do caso, Paulo Rangel, mas afirmou que "ele vai numa linha que o jurado não vai entender nunca". Segundo o advogado, o promotor quis mostrar ao júri que o cabo tinha intenção de matar João Roberto e a família. Se ele sustentasse a tese de que o policial não tinha a intenção de cometer o crime, afirmou Neville, poderia ter mais sucesso.

O advogado discordou da acusação por lesão corporal. "Se os jurados absolveram, a decisão seria a mesma". Ele disse que a pena de 6 meses de prestação de serviço já foi cumprida, uma vez que o cabo ficou preso durante cinco meses. "A tese de defesa é que ele está no estrito cumprimento do dever legal. Ele não cometeu ilícito nenhum, então não tem pena".

*Com informações da Agência Brasil

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