Rio de Janeiro traça plano para impedir nova epidemia de dengue no verão

Rafaella Javoski
Do UOL Notícias
No Rio de Janeiro (RJ)

Investimentos do Ministério da Saúde, atuação de militares no combate à doença, gincana organizada pelo governo estadual e trabalho intenso do novo secretário municipal de Saúde para buscar soluções. Essa é a preparação das autoridades para evitar que uma nova epidemia de dengue atinja o Rio de Janeiro no próximo verão.

No último relatório da Secretaria de Saúde do Estado, divulgado no dia 28 de novembro, foram confirmadas 182 mortes, além de 144 casos sob investigação. Ao todo, 250.829 pessoas foram contaminadas pelo mosquito Aedes aegypti em todo o território fluminense.

Para o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, o combate deve ser amplo, com atuação em diversos setores. "Nenhum país do mundo enfrentou com sucesso a dengue sem um grande investimento em educação, formação e mobilização, além de um trabalho de prevenção, que tem que ser feito de forma integrada", afirmou Temporão.

O ministro participou na última sexta-feira (5) da 53ª reunião geral da Frente Nacional de Prefeitos, em Vitória, no Espírito Santo. Ele comentou os resultados do Levantamento de Infestação Rápida do Aedes aegypti (Liraa), no qual o Rio de Janeiro é classificado como uma das 14 cidades em estado de alerta. No município, assim como em Niterói, a predominância é de criadouros encontrados em depósitos domiciliares (vasos, pratos, lajes e piscinas).

Na mesma situação da capital do Estado estão os municípios de Barra Mansa, Belford Roxo, Cabo Frio, Campos dos Goytacazes, Duque de Caxias, Itaboraí, Niterói e São João de Meriti.

Investimentos
O Estado do Rio de Janeiro recebeu R$ 29 milhões do Ministério da Saúde para evitar uma nova epidemia de dengue, recurso que faz parte do TFVS (Teto Financeiro de Vigilância em Saúde). Além disso, R$ 2,7 milhões foram gastos na compra de 49 veículos (carros e motocicletas) e 25 nebulizadores.

Um total de R$ 1,08 bilhão será aplicado pelo ministério em todo o Brasil, com o mesmo objetivo. Entre as ações previstas estão campanhas publicitárias, compra de 340 veículos, 300 máquinas para uso das equipes de vigilância em campo, capacitação de 30 mil profissionais de saúde, financiamento de 2.500 bombeiros que atuarão no Rio de Janeiro e o envio de materiais de informação para 4.121 emissoras comunitárias.

Outro órgão federal envolvido no combate à dengue é o Ministério da Defesa. No último dia 20, foi anunciado que 2.321 militares participarão de ações em todo o país, sendo 820 deles no Estado do Rio de Janeiro. Para o ministro Nelson Jobim, as ações sociais que os militares realizam constantemente com a população vão ajudar no treinamento que receberão para esta nova tarefa. "Nós já temos uma expertise para esse tipo de ação, nós precisamos agora começar a ter um treinamento básico para esse tipo de atividade de combate à dengue e ter um aprestamento, ou seja, ter um material já disponível em 24h", explicou.

O objetivo do ministro da Saúde é que os militares das áreas onde há maior preocupação com a doença sejam treinados com antecedência e estejam prontos para atuar quando forem solicitados, chegando em até 24h.

Para incentivar os cuidados que devem ser tomados e ensinar os métodos de prevenção às crianças e adolescentes, a Secretaria de Estado de Educação lançou na última quinta-feira (4) a Gincana Contra a Dengue. Os alunos da 5ª série do ensino fundamental ao 3ª série do ensino médio farão visitas a domicílios para conscientizar os moradores e identificar os criadouros. Os pontos são contabilizados pelo número de visitas e a criatividade na abordagem.

As missões dos estudantes são checar se as caixas d'água e cisternas estão vedadas; os pneus velhos sem água, cobertos e abrigados da chuva; as garrafas vazias guardadas de cabeça para baixo e os pratos dos vasos de plantas preenchidos com areia. Eles são instruídos a chamar o Corpo de Bombeiros se encontrarem problemas mais graves com lajes e rebocos ou caixas d'água quebradas.

A secretária de Educação, Tereza Porto, acredita que os jovens podem ser influentes. "Trabalhar com os alunos nas escolas é um caminho bastante eficiente para atingirmos bons resultados no combate à dengue. Eles têm muita força na conscientização de seus familiares e vizinhos. Esperamos que a gincana os incentive ainda mais", analisou.

Na capital fluminense, a cidade mais atingida pela epidemia, diversas ações estão sendo planejadas pela equipe de Hans Dohmann, que assumirá a pasta da Saúde no governo do prefeito eleito, Eduardo Paes. Duas vezes por semana, o comitê formado por ele se encontra para levantar dados e estudar planejamentos, tanto no combate aos focos da doença, como para atendimentos. O combate à dengue será prioridade na sua gestão. Está nos planos do secretário uma grande mobilização popular.

De março a junho de 2008, as unidades da rede básica de saúde do município do Rio de Janeiro atenderam 169.755 pacientes com suspeita de dengue. Foram realizadas 19.558 hidratações venosas e 3.122 pessoas foram encaminhadas para internação hospitalar.

Como foi em 2008
Até o dia 28 de novembro, 144 pessoas morreram em conseqüência da dengue no Estado do Rio de Janeiro. A Secretaria de Saúde do Estado registra 250.829 contaminados pelo mosquito. Do total de óbitos, 36% correspondem a vítimas na faixa de 0 a 15 anos de idade. Entre as gestantes, 1.091 delas contraíram a doença, que levou à morte oito mulheres. Foram quatro casos de óbito materno e fetal, três óbitos maternos e um óbito neonatal (logo após o parto) e materno.

Uma grande mobilização foi feita para conter a epidemia no primeiro semestre de 2008. Em março, três hospitais de campanha das Forças Armadas e 14 tendas de hidratação 24h foram montados em diferentes bairros da cidade para atender às vítimas. Os pacientes foram assistidos por cerca de 600 militares e médicos. Segundo a assessoria da Secretaria de Saúde do Estado, as tendas serão instaladas novamente de acordo com a necessidade, podendo voltar a funcionar em janeiro de 2009.

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