Governador do Rio defende afastamento de PM inocentado pela morte de João Roberto

Juliana Castro
Do UOL Notícias
No Rio de Janeiro

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, comentou nesta sexta-feira (12) a decisão do júri que absolveu por 4 votos a 3 o cabo da Polícia Militar William de Paula, um dos acusados de matar o menino João Roberto Amorim Soares, de 3 anos, durante uma perseguição policial em julho deste ano.
  • Reprodução/Folha Imagem

    O carro onde estava o menino João Roberto Amorim, 3 (foto), foi atingido por cerca de 17 disparos feitos por policiais militares na noite do dia 6 de julho


"O júri errou. Acho que a argumentação da defesa é frágil, uma coisa é dizer que estava em uma situação de risco, com tiros e balas atiradas por alguém do carro, mas não houve nada disso", disse o governador após participar de um evento na Associação Comercial, no centro do Rio.

Logo após a morte de João Roberto, Cabral havia chamado os dois PMs de "débeis mentais". "Eu espero que a PM puna [Willian de Paula]. Ele não serve como policial militar nem para serviços administrativos. Ele tem que ser afastado, ele não é preparado para ser um PM, além de ter cometido um crime", completou.

O governador criticou os argumentos usados pelo advogado de defesa, Maurício Neville durante o julgamento. "Na verdade houve dolo, não há defesa que justifique 'se soubesse que era uma mãe com o seu filho eu não atiraria'. Ora, se fosse um marginal, ele atiraria sem o marginal atirar? Pois é, aí é uma bárbarie", afirmou.

"Eu sou o primeiro a defender nossa polícia nas ações em defesa da população, mas não contra a população", ressaltou Cabral.

Cabral diz que PM absolvido não deveria nem ser aproveitado na área administrativa

Histórico
O menino João Roberto Amorim, 3, foi baleado após o carro onde estava com sua família ser alvejado por 17 disparos feitos por policiais militares no dia 6 de julho. Ele estava acompanhado da mãe, Alessandra Amorim, e do irmão, na época com nove meses.

Os responsáveis pelos tiros foram o cabo William de Paula e o soldado Elias Gonçalvez da Costa Neto, que afirmaram ter confundido o veículo da família com o carro de bandidos que perseguiam.

João Roberto teve morte cerebral e a família autorizou a doação dos órgãos. Um menino de 13 anos recebeu suas córneas.

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