Governo baiano vai cortar o ponto de policiais civis que não comparecerem ao trabalho

Heliana Frazão
Especial para o UOL Notícias
Em Salvador (BA)

Com fugas de presos, rebelião e cerca de 50 investigações criminais em compasso de espera, a Polícia Civil da Bahia entra no nono dia de greve provocando um acúmulo de problemas na área da segurança pública para o Estado. Apesar de a Justiça ter declarado a ilegalidade da paralisação na sexta-feira (12) e ter pedido o retorno imediato às atividades, os agentes civis mostram-se determinados a seguir com o movimento, enquanto o governo anuncia o corte no ponto de quem não comparecer ao trabalho a partir de hoje. A informação é do secretário de Segurança Pública, delegado César Nunes.

O Sindicato dos Policiais Civis do Estado da Bahia (Sindipoc) acredita que ao menos 4.600 profissionais (70% do efetivo total) estejam parados em todo o Estado. Marcos Maurício, diretor do sindicato, informa que a categoria tem realizado avaliações diárias do movimento, mostrando-se disposta a prosseguir com atividades paralisadas. Neste início de tarde, diz ele, um grupo de representantes da categoria se reunirá com os secretários da Segurança Pública, César Nunes e da Justiça e Direitos Humanos, Marília Muricy, para tentar chegar a um acordo.

Na madrugada desta terça-feira (16), 13 presos fugiram da carceragem da 27ª DP, em Itinga, localidade do município de Lauro de Freitas, na região metropolitana de Salvador. Eles estavam na cela dos fundos e abriram um buraco no teto da ala. Os policiais de plantão afirmam não ter percebido a movimentação. Eles foram alertados pelo telefonema de uma vizinha da delegacia. Até esta manhã nenhum dos fugitivos tinha sido recapturado. O mesmo verifica-se em relação às demais quatro fugas ocorridas no interior do Estado nos últimos quatro dias.

Desde o início da greve dos policiais civis no último dia 8, foram registradas ainda quatro tentativas de fuga na região metropolitana e na capital. Também nesta madrugada, 74 detentos tentaram fugir da carceragem da 1ª Delegacia, no Complexo de Delegacias dos Barris. Outro grupo de 11 presos tentou cavar um buraco na parede para fugir da cela da 16ª Delegacia, no bairro da Pituba. O mesmo ocorreu na delegacia do bairro de São Caetano.

Na segunda-feira, em Itacaré, sul do Estado, 28 presos quebraram as quatro celas da carceragem da delegacia, no centro da cidade, distante cerca de 430 km de Salvador. O grupo queimou colchões, quebrou paredes, arrancou as grandes de duas celas e fez dois companheiros reféns para impedir que os policiais da Caerc (Companhia de Ações Especiais da Região Cacaueira) invadissem o local. Já no município de Itabuna, nenhum dos 35 presos que fugiram da cadeia pública da cidade na madrugada de domingo foi localizado até então.

O delegado regional, Moisés Damasceno, observa que só pode contar com a ação da Polícia Militar, que por sua vez está sobrecarregada, com a ausência dos policiais civis. Diante de tantas fugas, o delegado teme pelo que possa acontecer às vésperas do Natal.

Salvador
Na Delegacia de Homicídios, em Salvador, o andamento nas investigações das 48 mortes, registradas entre o dia em que a paralisação foi deflagrada (dia 8) e esta manhã está interrompido em razão da greve. "Estamos aguardando o retorno à normalidade", disse o delegado Pedro Andrade Silva, que está impedido de realizar diligências.

Conforme o Sindicato dos Policiais Civis da Bahia, o retorno dos trabalhos está diretamente relacionado ao envio, pelo governo, do projeto de lei orgânica da categoria para apreciação da Assembléia Legislativa do Estado. Já o governo afirma que o projeto está finalizado aguardando o fim do movimento para encaminhamento ao Legislativo.

A greve dos policiais civis não tem provocado complicações na segurança das cúpulas da América Latina e Caribe (CALC), realizadas em Sauípe, no litoral norte. No local, as ações são realizadas pelas Polícias Federal e Militar.

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